11.03.2025

São Caetano - Itabuna / O fundador - R. Santana

 


São Caetano - Itabuna / O fundador - R. Santana

 

     A História da Humanidade é feita de vencedores, vencidos e anônimos. Os vencedores são os líderes que surgem no curso da história, são eles os responsáveis pelo progresso material, desenvolvimento tecnológico e científico, normalidade jurídica e suporte militar de segurança de cada povo. Os vencidos são aqueles que suas ideias não foram recebidas nem aceitas pela sociedade. Os anônimos são os verdadeiros responsáveis pelas ações práticas, sem os trabalhadores braçais, sem os trabalhadores artesanais, sem os intelectuais, sem os cientistas, sem os técnicos, sem as ações militares, sem as ações eclesiásticas e sem as ações culturais (todos anônimos), as sociedades e os estados não seriam formados.
     Pedro Batista de Santana, hoje, com 93 anos de vida, é um desses vencedores. Saiu de Lagarto (SE), muito jovem, imberbe, fez uma breve estada em Maria Jape, distrito de Ilhéus, após, fixou-se em Itabuna num lugar com a alcunha de “Fuminho”, depois São Caetano, há 73 anos. O “Fuminho” era um aglomerado de 14 casebres espalhados, no início do lugar, o que havia de mais importante era uma estrada de chão de 19 km de distância de Itabuna a Macuco, hoje, Buerarema, onde os caminhões escoavam a produção do cacau e levavam os produtos de subsistência para população da cidade vizinha.
     O “Fuminho” era uma grande fazenda de roças de cacau, roças de mandioca, bananeiras, jaqueiras, canaviais, frutas em abundância, muita mata e uma fauna maravilhosa e muitas nascentes e ribeirões. Sua gente era de trabalhadores rurais, pequenos posseiros, grileiros, pescadores, caçadores, oleiros, carpinteiros, marceneiros, lavadeiras, parteiras, benzedeiras, pedreiros, açougueiros e jagunços que serviam aos coronéis do cacau.
     Faz-se necessário dizer que foi a população da cidade daqueles tempos que deu o nome de “Fuminho” ao lugar, hoje, bairro São Caetano, porque 2 ladrões chinfrins, roubaram umas bolas de fumo na cidade e foram presos logo depois com o atravessador, o bodegueiro Permínio, que tinha uma bodega no início do lugar. Naquela época, não havia Direitos Humanos nem humanos direitos, advogado era luxo, coisa de gente rica, os pobres diabos devem ter levado uma boa surra de cipó-de-boi ou foram corrigidos com palmatória de jacarandá e soltos. Os habitantes da cidade, pejorativamente, começaram a chamar o lugar do outro lado do Rio Cachoeira de “Fuminho” e “Fuminho” ficou por muito tempo até os habitantes do lugar substituir por São Caetano, bairro São Caetano de Itabuna.
     A fazenda que deu origem ao bairro São Caetano, supostamente, pertencia ao agricultor José Batista Caetano. Digo supostamente, porque a área foi reivindicada pelos herdeiros do coronel Tertuliano Guedes de Pinho, depois de sua morte, num litígio com os herdeiros de José Batista Caetano que durou mais de 20 anos em todas as instâncias estaduais e federais e culminou com a vitória de Dr. Durval Guedes de Pinho, filho do coronel do cacau, Tertuliano Guedes de Pinho.
     O bairro não herdou o nome de “Caetano” de José Batista “Caetano”, mas da proliferação duma planta trepadeira chamada de São Caetano, que produz o fruto melão-de-São Caetano. Em cada palmo de chão do lugar se achava a planta São Caetano. O povo em sua sabedoria, ao longo do tempo, batizou o lugar de São Caetano e São Caetano ficou até os dias atuais, em 1963, o vereador Antônio Calazans tentou mudar, mas o sentimento bairrista do povo foi maior, ele foi derrotado.
     Pedro chegou aqui nessa época, início de 1948, em que o “Fuminho” era 1 dúzia de casebres miseráveis, sem ruas, mais caminhos e veredas, lugar de fazendas de cacau, terras do sem fim, terras de muitos posseiros e muitos donos, onde os descamisados anônimos começaram a construir suas moradias toscas de adobe e chão batido e casas de taipa. O lugar era habitado por gente boa e simples, porém, homiziava-se, também, pistoleiros e ladrões. Pedro pouco e pouco era a referência comercial (construiu um quiosque, um armazém de tudo um pouco), o líder do lugar.
     José Batista Caetano deixou 2 filhos biológicos e 1 de criação. Com a morte do pai, os filhos Potomiano (Peó) e Zezinho começaram a aforar os terrenos, o “bairro” já ia de vento em popa, o povo já tinha construído seus casebres por conta e risco, sem ajuda ou interferência de ninguém, uma invasão pacífica como se a terra não tivesse dono. No início, houve resistência, ninguém quis pagar o foro aos novos senhorios, mais uma vez, Pedro intercedeu entre as partes, ficou combinado que o foro seria pago a partir daquela data ou no ato da transferência do imóvel e assim foi até a posse de Dr. Durval Guedes de Pinho como novo proprietário beneficiado por um ato jurídico. Dr. Durval para se livrar da lei de “usucapião”, pois a maioria já tinha mais de 10 anos na posse do terreno, passou vende-lo com escritura em cartório e registro.
     Peó e Zezinho eram 2 negros cordatos, incapazes de fazer qualquer mal ao outro, porém, eram indolentes, lânguidos, avesso à atividade produtiva, gostavam de bem-estar, vida tranquila, sem estresse e os aforamentos dos terrenos lhes davam essa condição, pouco esforço laboral. Potomiano Batista Caetano (Peó) instalou e sortiu uma bodega, na entrada do bairro São Caetano, hoje, Avenida princesa Isabel e, José Batista Caetano Filho (Zezinho), vivia do aluguel de suas avenidas e dinheiro a juro. Ele morava num chalé, dentro dum pasto, nas imediações do atual escritório do DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - Unidade Itabuna. Mais folgado que Peó, ele vivia bater pernas, aqui, ali e acolá, atrás das prostitutas. Uns parasitas que nunca fizeram nada para o crescimento e o desenvolvimento do bairro.
     Parco, econômico, Pedro Batista de Santana, agora, “seu” Pedro, ainda nos tempos de “Fuminho”, além dum quiosque (armazém de secos e molhados) que construiu na “rua” principal do bairro, deu início à construção de pequenas casas de tijolos, alvenarias, rebocadas com massa de cimento e cobertas de telhas de barro queimado. Ele não construía várias casas de uma vez, pelos seus parcos recursos, vendia uma casa, para construção de outra, porém, deu início à construção de moradias populares, modernas, não casas de adobe e chão batido ou casas de taipa.
     A inteligência social de “seu” Pedro contribuiu para ações de relações públicas, com a divulgação que o bairro era promissor e lugar de bem-estar, ele atraiu moradores mais qualificados profissional e economicamente, a exemplo de gerente de banco, escriturários de empresas comerciais, dentista prático, comerciários, pequenos empresários, além de junto ao poder público, escola primária e tratores para abertura de ruas por engenheiros civis. Na esteira desse progresso, surgiram casas de lazer para os machos, à noite, descarregarem seus estresses, as mais chiques, as casas das caftinas Helvécia e Rosa.
     A prática espiritual é condição sine qua non para que qualquer comunidade sustente sua fé. Naquela época, finais dos anos 50 e início dos anos 60, as crendices populares eram diversas, desde curas de doenças físicas às curas de pessoas obsessivas, histéricas, não obstante o esforço da igreja católica na evangelização racional dos seus fiéis, o sincretismo religioso era mais forte. Por isto, peço licença ao leitor para transcrever parte de um texto, de minha autoria, que foi publicado no site Recanto das Letras e Saber-Literário, com o título: “São Caetano, 24.06.2012, vejamos:
     Porém, em tempos idos, muito antes de Frei Joaquim Cameli desembarcar por estas bandas, muito antes dos padres capuchinhos passarem aqui, na época das missões, a fé dos moradores do São Caetano era confiada a Dona Pedrina, Manuel Canguruçu, Mãe Ester, Caboclo Ló e Maria Sertaneja, os primeiros e principais pais-de-santo, filhos de Iansã, Obá, Ibeji, Oxossi, Ogum, Iemanjá e outros orixás, filhos da umbanda de Angola...
     O seu sincretismo religioso fazia inveja às ideias ecumênicas atuais. Todos, sem traumas, tinham ideias cristãs permeadas de orixás, salvo, os pais-de-santo charlatães, de interesses escusos, manifestavam crença nos exus como meio de solucionar os males físicos e os casos de possessão dos seus clientes. Naquele tempo, todo barracão tinha um espaço reservado aos santos, à queima de velas, às oferendas e um quartinho escuro cheio de mistério, onde segundo a lenda, o babalorixá mantinha o Diabo preso e o soltava em sessões especiais.
     Missa? Missa nos eventos anuais: Sexta-Feira Santa, Natal, Dia de São José e Quarta- feira de Cinzas. Os moradores emperiquitados, roupa domingueira, cabelo brilhantina, desciam a pé, a cavalo ou de carroça para o centro da cidade, no retorno, se despiam daquela parafernália indumentária, arregaçavam a bainha, penduravam os sapatos nas costas e voltavam pegando picula na estrada, às vezes, estrada enlameada.
     Porém, os adultos gostavam mais das festas e danças de candomblé, não movidos pela fé, mas pela superstição e requebro dos quadris das morenas e negras ao som dos tambores, possuídas pelos orixás... O som dos tambores era ouvido ao longe e ao invés do som repicado e monótono dos sinos, era mágico o som dos tambores de D. Pedrina ou de Manoel Canguruçu ou de Maria Sertaneja. As filhas de santo, de corpo escultural, de roupa branca e descalça, todo o corpo se mexendo, principalmente, os quadris e os ombros, movimentos eróticos levavam à loucura os filhos de santo, de vez em quando, uma filha de santo embuchava do pai-de-terreiro ou dos filhos-de-santo, aí, o pobre coitado ficava na casa do sem jeito, o jeito era amancebar-se. O pai-de-terreiro participava da dança de candomblé ou ficava sentado num estrado com postura de bispo, abençoando-os e recebendo louvores.
     Cada pai-de-santo incorporava um orixá (Bará, Ogum, Oiá-Iansã, Exu, Ibeji, Odé, Otim, Oxalé), estes orixás controlam (conforme a crença), as forças da natureza, portanto, existe o orixá de cura, o orixá para expulsar os espíritos maus, orixá pra controlar as paixões, orixá Tinhoso, orixá para benzer as encruzilhadas, orixá da fortuna, enfim, orixá para fazer o bem e orixá para fazer o mal.
     Os candomblés mais arrumados eram o de Dona Pedrina, o de Manoel Canguruçu e o candomblé de Maria Sertaneja. O candomblé de Pedrina era frequentado pela elite e pelos políticos, a elite, interessada em suas lindas filhas de santo e os políticos interessados no aumento do seu cacife eleitoral. O candomblé de Manoel Canguruçu era voltado para cura de pessoas com obsessão de perseguição, vítimas de bruxaria, endemoninhadas, possessas, e, não para o tratamento de neuroses histéricas, depressão, perturbação obsessivo-compulsiva, esquizofrenias e outras psicopatias. O candomblé de Maria Sertaneja cuidava dos despachos, da coisa-feita e das mandingas de encruzilhada.
     Os malucos eram tratados por Manoel Canguruçu por certa “unguentoterapia”, uma substância estranha de rato morto, sapo, urubu, cobra, lagartixa que ele triturava tudo num pilão e deixava de fusão com uma mistura de ervas, após alguns dias, no sol e no sereno, aquilo se tornava uma “pasta putrefata” que era espalhada no corpo do maluco que se não ficasse bom...
     Porém, as mulheres malucas, as moças histéricas, de calundu, as moças mal-amadas, reprimidas pela ignorância dos pais e dos costumes, cheias de faniquitos, eram tratadas por Manoel Canguruçu com água de cheiro e muita mordomia, as más línguas juravam que elas caíam na lábia e na cama do pai-de-terreiro como a “mosca no leite”.
     O fundador de fato do São Caetano, Pedro Batista de Santana, era de natureza ecumênica, manifestava disposição de diálogo com outras pessoas de confissões religiosas diferentes, embora fosse católico de nascimento, todavia, longe de ser beato, ia à igreja, geralmente, em eventos religiosos e alguns sacramentos: batismo, matrimônio e extrema-unção. O importante que o ecumenismo fosse uma prática, não uma teoria doutrinária.
     Pedro nasceu com o estigma de empreendedor, depois que passou anos com venda de alimentos e bebidas, pequeno construtor imobiliário, viajante, fundou uma casa de dança, pejorativamente, um cabaré chamado “brejinhos”, um bate-coxas de final de semana, onde os machos e as mulheres solteiras do bairro se divertiam a gosto. Foi uma breve passagem, a casa ficava num lugar ermo, escanteado do São Caetano. Não foi longe o empreendimento, as arruaças eram frequentes depois das 2 horas do dia seguinte. O negócio demorou só alguns meses.
     No ano de 1958, depois que “seu” Pedro vendeu uma casa-bodega numa das transversais da Rua São José (esquina), hoje, uma academia de musculação, para um cidadão de prenome “Aquino”, ele comprou um terreno do lado contrário da mesma transversal (esquina), frente à Rua princesa Isabel, nº. 1020, aí, encerrou sua carreira de construtor de imóveis e compra e venda de casas, permanece nesse imóvel até hoje aos 93 anos de vida.
     Foi nesse imóvel que ele instalou um bar de sinucas e dominós, durante o governo do general Juracy Magalhães que liberou o jogo de azar. O jogo de baralho foi incorporado à jogatina do estabelecimento que se popularizou com o nome fantasia de “Bar de Pedro”.
     O “Bar de Pedro” não ostentava placa ou letreiro em sua fachada, o nome surgiu boca-a-boca, como principal ponto de referência do São Caetano: “... eu lhe encontro no Bar de Pedro”, “no Bar de Pedro o pessoal lhe mostra onde moro”, “...aonde vou? Vou ao Bar de Pedro!”, “... deixe a encomenda no Bar de Pedro!” etc., etc.
No meado dos anos 70, as sinucas, os dominós e o jogo de azar foram substituídos pela primeira sorveteria do bairro. O “Bar de Pedro” não era mais o mesmo no modo de ver do povo, frequência e lucro.
     Esse bar foi por muitos anos o principal “point” do São Caetano. Seu salão serviu até para festas carnavalescas, naquela época não havia clube, os moradores (mais ou menos 1000), ou brincavam nos blocos de rua ou no salão do “Bar de Pedro”. Algum tempo depois, os moradores se associaram e fundaram o “Clube do São Caetano” (Pedro foi um dos diretores), sob à presidência de “Milton Candomblezeiro”, Milton do DNER, porém, não funcionou por muito tempo, em parte, pela falta de apoio da comunidade.
     No início dos anos 60, “seu” Pedro tornou-se político. No seu bar passaram alguns políticos de expressão nacional, a exemplo do deputado federal Ney Ferreira, os prefeitos Alcântara, Félix Mendonça, Fernando Cordier, Dr. Simão Fiterman, José Oduque e o deputado estadual Daniel Gomes e Fernando Gomes.
     Com essas amizades políticas, ele conseguiu trazer energia elétrica e água encanada para o São Caetano, no governo de Alcântara. Com Simão Fiterman e José Oduque, à abertura de novas ruas e a pavimentação de outras. Além do cargo de subdelegado por algum tempo. Na administração de José Oduque e Fernando Gomes, ele foi nomeado: “Chefe da Patrulha Mecânica Municipal”.
     Um fato que ocorreu no início dos anos 60, demonstrou o amor e o compromisso comunitário de Pedro do Bar pelo bairro São Caetano e permita-me o leitor, novamente, usar parte de um texto antigo (02.02.2011), de minha autoria:
     Com o assassinato do presidente dos E U A, John F. Kennedy, em 22 de novembro de 1963, os bajuladores dos ianques espalhados em todo mundo, deram o seu nome, in memoriam, aos bairros, ruas, praças, jardins etc. Nós, de terras tupiniquins, das terras do sem fim, não fugimos à regra. O vereador Antônio Calazans, velha raposa política, quis pegar o bonde da História e elaborou um anteprojeto de lei que mudava o nome de São Caetano para bairro presidente John Kennedy. A reação dos líderes comunitários Pedro Batista de Santana (Pedro do Bar), Eduardo Fonseca e o povo, foi enfurecida, irrefreável, movimentos de protestos pipocaram nos quatro cantos do bairro.
     Os reclames do povo e dos líderes comunitários chegaram ao prefeito, o Sr. José de Almeida Alcântara (apelidado carinhosamente pela meninada de “Arranca”, derivativo deformado de Alcântara), mestre da demagogia e da encenação. Ele foi sensível e oportunista aos protestos e reclames da comunidade caetanense, prometeu aos líderes e à comunidade, negociar com os vereadores, vetar o projeto, tirou proveito político o quanto pode...
     Os vereadores Calazans e Antônio Côrtes (relator da matéria), insistiam em submeter o projeto à assembleia para votação final, estavam irredutíveis, queriam a qualquer custo americanizar o bairro, trocando “São Caetano” por “John Kennedy”, a data da votação foi definida, parecia que os caetanenses estavam na casa do sem jeito, num beco sem saída, teriam mesmo que embolar a língua e pronunciar: - John Kennedy!...
     O dia D chegou. Os vereadores estavam convencidos da aprovação fácil do seu projeto, pouco se lixando para população, quando o prédio da Câmara de Vereadores (atual prédio da 27ª. Zona Eleitoral), a Praça Olinto Leone e as ruas circunvizinhas, foram tomadas de assalto por milhares de populares, moradores do bairro São Caetano e doutros bairros, gritando palavras de ordem, discursos, carro-de-som, faixas, cartazes, apitos, numa demonstração de cidadania e civismo nunca visto.
     Calazans acuado, sem respaldo popular, sem apoio político das autoridades da cidade (exceto seus pares), numa saída de mestre, esvaziou o plenário da Câmara, suspendeu o projeto por falta de quorum, articulou com os líderes do bairro uma nova proposta: não mudar o nome do bairro, mas manter a homenagem ao presidente americano, dando-lhe o seu nome à principal avenida, por muito tempo, o São Caetano teve sua “Avenida Kennedy”, mas graça ao sentimento patriótico das novas gerações, a posteriori, foi batizada com o nome de gente nossa: - Avenida Manoel Chaves!...
     Voltando no tempo, anos 70, Pedro do Bar usou o seu patrimônio político para eleger a vereador do município de Itabuna, pelo PMDB, o seu sobrinho, Rilvan Batista de Santana, naquela época, estudante universitário. A importância dessa eleição, foi um tento histórico, o seu sobrinho foi o primeiro legislador, genuinamente, são-caetanense.
     Nas eleições subsequentes, 1974/1977 e 1978/1981, com seu apoio, foi eleito e reeleito Eduardo Fonseca, misto de amigo e cunhado de Pedro do Bar. Faz-se justiça dizer que Eduardo Fonseca foi um importante protagonista na História do São Caetano, todavia, sua atividade principal era de caminhoneiro, morava no centro da cidade, Rua Almirante Tamandaré, meado dos anos 50, escoou muito cacau de Macuco – Itabuna – Ilhéus. No meado dos anos 60, fixou-se definitivamente no São Caetano e ajudou “seu” Pedro na reivindicação de algumas iniciativas públicas, foi um dos líderes no movimento que impediu mudar o nome de São Caetano para John Kennedy.
     Porém, o interesse maior de “Fonsequinha” era alavancar seu loteamento, num terreno de 10 hectares, vizinho do São Caetano, e, conseguiu, hoje, bairro Fonseca. A dobradinha política Pedro-Fonsequinha, permitiu que muitas obras públicas fossem desenvolvidas e implantadas no São Caetano e bairro Fonseca, principalmente, nos governos de Alcântara, Dr. Simão Fiterman e José Oduque Teixeira e Fernando Gomes nos seus primeiros mandatos.
     O objetivo deste texto é reconhecer Pedro do Bar como o principal protagonista na História do São Caetano, resguardando às devidas proporções, comparo o trabalho de Pedro Batista ao fundador da cidade, Firmino Alves, este foi mais longe, solicitou do governador José Marcelino a separação de Tabocas de Ilhéus e, consequentemente, o fundador de Itabuna. Pedro Batista de Santana foi um empreendedor mais modesto, mas, empenhou-se tão quão Firmino Alves, no desenvolvimento e no reconhecimento do São Caetano como lugar bom para morar e trabalhar.
     Como pesquisador histórico autodidata, depois duma revisão (análise de fatos históricos e informações orais), não poderia dar esse crédito, esse título de fundador do bairro São Caetano, ao agricultor José Batista Caetano, ele não deixou nenhum legado que o justificasse. As terras que, supostamente, eram suas, elas pertenciam de fato e direito ao coronel Tertuliano Guedes de Pinho. E, a topografia e a situação estratégica contribuíram para que o povo mansamente ocupasse essas terras. Ademais, seus herdeiros usufruíram do foro indevidamente, não tinham a legitimidade de proprietários da terra pelo entendimento de vários tribunais do país.
     O São Caetano, hoje, é uma cidade do outro lado da cidade, com mais de 50.000 habitantes, feira-livre, comércio pujante, mercados, farmácias, oficinas, agência da Caixa Econômica Federal, Santander, Banco do Brasil, sede da prefeitura da cidade, etc. É o centro financeiro e comercial de bairros circunvizinhos (Sarinha, Novo São Caetano, Pedro Jerônimo, etc.), o São Caetano tem mais importância logística, econômica e financeira que muitas cidades brasileiras.
     Alguém poderá perguntar qual foi a fonte de referência que usou o cronista para construção deste texto? Responderia que não existe nenhuma fonte de referência oficial, documental, até onde se sabe, nenhum historiador registrou esses fatos e os tornou público, tudo se baseia na tradição oral e em nossa vivência. A minha credibilidade é que fui testemunha da maioria desses acontecimentos e prestei um trabalho em educação por mais de 30 anos, que me credenciou receber do poder legislativo municipal, o título de “Cidadão Itabunense”.
     Fonsequinha, os herdeiros de José Batista Caetano e os herdeiros diretos do coronel Tertuliano Gudes de Pinho não estão mais entre os vivos, portanto, temos que nos valer dos arquivos vivos que foram testemunhas desses fatos desde a formação do bairro São Caetano.
     Hoje, “seu” Pedro, Pedro Batista de Santana com 93 anos de idade não é mais o mesmo empreendedor de antes e o São Caetano tem vida própria, é um organismo vivo, os milhares de seus habitantes e os poderes públicos cuidam do seu destino, não é mais necessário um líder para tomar decisões pessoais. As ações públicas, são ações de governo não de indivíduos.
     Por outro lado, as autoridades municipais de todos os tempos ainda não reconheceram os méritos desse pioneiro, desse homem que fundou esse bairro e deu-lhe identidade e vida. “Seu” Pedro ainda não foi reconhecido nem com título de “Cidadão Itabunense”. Ele é merecedor de reconhecimento, de busto na praça e nome de rua, agora, não homenagem depois de morto. No recôndito de sua alma simples, ele deve pensar em suas palavras, as palavras de Rui Barbosa: “A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta”.


Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro efetivo da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Licença: Creative Commons

Foto: Pedro Batista de Santana

O Cortiço R. Santana (*)

 


O Cortiço 

R. Santana (*)

 

     Eu fico aqui em meu canto, no São Caetano, junto da feira-livre, em que o homem disputa com os urubus, o resto de comida na concha de lixo. Não existe o fogo de Dante Alighieri, mas, é uma cena dantesca.      Não sou nem serei nunca um chato politicamente correto, temos que combater as injustiças e os preconceitos sociais com trabalho, educação e eliminar as ações dos corruptos através do exercício da democracia, isto é, usar o voto para escolhermos políticos corretos, idôneos para os cargos públicos, não com posições radicais e reacionárias.
     Já li e reli algumas vezes “O cortiço” do naturalista Aluísio Azevedo que numa crítica social à condição do negro naquela época, que para o negro ficar livre, teria que comprar o “forro” e ficar desobrigado, alforriado.
     “O cortiço” é a história de um sujeito ambicioso, João Romão, que era empregado de um armazém de certo português. O português volta para sua terra e João Romão, econômico, “unha de fome”, adquire o armazém do seu ex-patrão. Não muito distante do seu negócio, uma crioula trintona, Bertoleza, recém viúva dum português carroceiro, tem uma quitanda rendosa. João Romão vê ali uma oportunidade lucrativa, amigar-se com a crioula, ganhou-lhe a confiança e passou ser seu procurador nos negócios e seu amante
     Pouco tempo depois, ela confessou-lhe que era escrava dum cego que morava em Juiz de Fora, um tal Freitas de Melo e tinha que lhe pagar o “Jornal” para ficar livre do seu Senhor. João Romão matutou, engendrou um documento de alforria, ficou com seu dinheiro e disse-lhe, após ele lê o falso documento de alforria: "... agora, você não tem mais Senhor, o cego recebeu tudo que tinha direito, tu és livre!" Ingenuamente, ela lhe responde: “Coitado! A gente se queixa é da sorte. Ele como meu senhor, exigia o “jornal”, exigia o que era dele”.
     Com as economias de Bertoleza, ele comprou o terreno do lado esquerdo da bodega, depois, mais outro, mais outro, mais outro e deixou o rico português Miranda, seu vizinho, limitado nos terrenos de sua mansão, cerceado pela ambição de João Romão que adquiriu todos os terrenos ao redor, com o objetivo de instalar uma estalagem e no fundo dos terrenos, uma pedreira bastante produtiva e lucrativa.
     A ambição de João Romão foi crescente, construiu a “Estalagem São Romão”, com dezenas de casinhas e tinas com muita água para as lavadeiras e ampliou sua bodega que não era mais bodega, mas, o maior armazém de secos, molhados e variedades daquelas redondezas. João Romão era, então, o novo capitalista de Botafogo.
     Miranda, seu vizinho, era aristocrático, nobre, com título de nobreza, um visconde. Sua mulher, dona Estela, era uma messalina, viciada em sexo, levou para cama até o Henrique, rapazola estudante de medicina, filho dum rico fazendeiro de Minas Gerais, seu pai lhe confiou à proteção de Miranda, enquanto estudante de medicina na capital. Miranda tinha uma única filha, a Zulmira, que João Romão botou os olhos e ajudado por Botelho, parasita e agregado da família, pediu-a em casamento.
     Agora, o problema de João Romão era desvencilhar-se de Bertoleza, mas, a negra criara raízes, ajudou-o a construir um pequeno império e não iria largar o “filé mignon”. Um dia, ela flagrou conversa de João Romão e Botelho e, descontrolou-se:
     - Você está muito desenganado, seu João, se cuida que se casa e me atira à toa! - exclamou ela - Sou negra, sim, mas tenho sentimentos! Quem me comeu a carne tem que roer-me os ossos! Então há de uma criatura ver entrar ano e sair ano, puxar pelo corpo todo santo dia que Deus manda no mundo, desde pela manhãzinha até pelas tantas da noite, para depois ser jogada no meio da rua, como galinha podre? Não! Não há de ser assim, seu João!
     Dias depois, João Romão confiou ao parasita Botelho que Bertoleza era escrava do cego Freitas de Melo, que ainda não havia adquirido a liberdade, que o cego havia morrido e, Botelho lhe perguntou: “Ele não deixou herdeiro?”, aí João Romão caiu em si, iria encarregar Botelho procurar os herdeiros de Freitas Melo e entregar Bertoleza ao seu dono, porque, ele tinha enganado o tempo todo a negra e lhe surrupiado o dinheiro. Sem Bertoleza o caminho estaria livre para se casar com Zulmira e tornar-se visconde: “Sim, sim, visconde! Por que não? E, mais tarde, com certeza, conde!”
     O desfecho foi triste, a negra acocorada tratava escamas e tripas de peixe, quando o filho mais velho de Freitas Melo chegou (ela o reconheceu) acompanhado de 2 urbanos, deu-lhe voz de prisão, a reação de Bertoleza foi inesperada e suicida: “... Bertoleza então, erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que alguém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro rasgara o ventre de lado a lado”.
     Antes que os vermes comessem as carnes de Bertoleza, na sepultura, houve o enlace matrimonial de Zulmira e João Romão. Ninguém sabe se foram felizes, o recado de Aluísio Azevedo encerrou-se com a morte da negra. O trabalho do escritor foi descrever a condição social e moral do escravo daquela época e o surgimento dos novos ricos e o declínio dos nobres, dos falsos fidalgos.
     Fiz essa resenha de “O cortiço” do Século XIX para justificar o resgate social dos afro-brasileiros e afrodescendentes, a sociedade brasileira lhes deve mais de 5 séculos de injustiças, o negro sempre foi visto como sub-raça, mão de obra desqualificada, barata, para trabalhos braçais. Até os aforismos eram depreciativos: “Preto correndo é ladrão, parado é suspeito”, então, “Preto quando não suja na entrada, suja na saída”, “Preto com alma de branco”, etc., etc.
     Por outro lado, faz medo as ações politicamente corretas, elas não corrigem as injustiças, aprofundam as diferenças, as discriminações e as segregações. A intolerância e o preconceito se combatem com amor, não com ódio. O negro não precisa de privilégios, de cotas, o negro necessita de oportunidades no mercado de trabalho, educação, políticas públicas de inserção e de inclusão permanentes.
     Hoje, a intolerância não é só com o negro, mas condutas de retaliações de negros com brancos e condutas exacerbadas de ódio irracional e aversão pelo outro por causa de raça, por causa da profissão de fé, condição social, da religião, etc.
     Condutas afetivas, amorosas, de homem e mulher, antes normais, hoje, são condutas morais reprovadas pela sociedade, a exemplo de seduções e flertes que se confundem com assédios, insistências importunas, crimes sexuais. É necessário, portanto, que se faça uma diferença entre o joio e o trigo. Nunca se cobrou tanto do homem sua capacidade de discernimento, bom senso para não confundir a conduta afetiva com atitude criminosa.
     Enfim, "devagar com o andor, que o santo é de barro", antes de qualquer atitude desastrosa, exige-se calma, ponderação, não imputar ao outro, gratuitamente, conduta leviana, preconceito, discriminação, assédio moral, senão, muitos inocentes serão destruídos.

 

"Sempre que puder espalhe o amor, já tem gente demais espalhando o ódio" (Edna Frigato)


Autoria: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

(*) Negra / Foto Google

Dom Casmurro - R. Santana

lvan Santana em 09/10/2020
 

Dom Casmurro
R. Santana

 

     Esta semana, mexendo e remexendo os meus livros na estante, encontrei o livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, que nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e faleceu na mesma cidade em 29 de setembro de 1908. Ele nunca esteve no exterior nem a passeio, viveu e morreu no seu país. Acho que Machado de Assis foi, ainda é, o maior escritor brasileiro, quiçá do mundo! Porém, dos seus livros: Ressurreição, A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Esaú e Jacó, Memorial de Aires e outros, eu gosto demais de Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. Memórias Póstumas de Brás Cubas, pela originalidade, é o primeiro romance brasileiro que o autor conta suas memórias depois de morto. Jorge Amado, muitos anos depois, produziu o romance “A morte e a morte de Quincas Berro D´água”, que é a morte dupla de Quincas Berro D`água. Ele não conta sua história depois de morto, seus colegas de mar que o coloca de pé (depois de morto), na proa da embarcação e simulam que ele está vivo e fazem várias peripécias, depois jogam o corpo no mar.

     Dom Casmurro é a história duma traição de amor e a materialização da fé. Dom Casmurro é o apelido de Bento de Albuquerque Santiago, Bentinho. Bentinho, depois de velho, conta sua história a partir de uma viagem no trem da Central. Durante a viagem, ele conhece um poeta de obra desconhecida que lhe pede para fazer uma avaliação dos seus poemas. Não se sabe se os poemas eram bons ou maus. Bentinho, absorto, triste, sorumbático, quase que não lhe deu atenção e o poeta o difamou de casmurro, Dom Casmurro.

     Depois de algumas percas, Dona Glória não chegava dar à luz, então, ela prometeu a Deus, Bentinho ainda na barriga, se ele “vingasse”, fazê-lo padre. E, quando o rapazola completasse 17 anos, ela lhe mandaria para o seminário sob as bênçãos do protonotário Cabral, o padre Cabral, assim, cumpriria a promessa.

     Na casa de Bentinho todos eram viúvos, Dona Glória, sua mãe, seu tio Cosme, advogado, e a prima Justina. José Dias, o agregado da família era a exceção, era um celibatário, não era dado a casamento. José Dias apresentou-se ao pai de Bentinho como médico homeopata, curou muita gente na fazenda, ganhou a confiança da família, com a morte do Sr. Albuquerque Santiago, herdou uma apólice, mas, o pedido de Dona Glória pra que ficasse, foi mais significativo que a apólice. José Dias era um homem ilustrado, useiro e vezeiro dos superlativos, não pronunciava 2 frases que não recorresse aos superlativos. Sua cisma era com o vizinho de Dona Glória, o Pádua, que se gabava sempre de ter sido administrador interino duma repartição do Ministério da Guerra. José Dias o alcunhou de Tartaruga, porque era baixo, grosso, braços e pernas curtas.

     Pádua, Dona Fortunata e Capitu formavam a “ gente do Pádua” no dizer de José Dias. Capitu, “olhos de ressaca”, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. O coração de Bentinho ardia de paixão e amor por Capitu, enquanto, ele crescia em sabedoria e conhecimento; ela crescia em dissimulação, fingimento e reflexão, tinha uma presença de espírito de fazer inveja. Várias vezes flagrada de namoro com Bentinho, dissimulava para os pais brincadeira em fração de segundo. Quando soube da intenção de Dona Glória, fazer dele um padre, articulou para que José Dias a dissuadisse. Vários projetos são pensados por Capitu e Bentinho, respaldado por José Dias para demover a promessa de Dona Glória fazer do seu filho padre: que ele fosse estudar em Portugal, Suíça, estudar Leis em Recife ou São Paulo. Bentinho pensou até falar com o imperador: “... Sua majestade pedindo, mamãe cede”, conjecturas...

     Nem o seu tio Cosme, habilidoso nas palavras e no convencimento, que tinha certa ascendência sobre a irmã, foi incapaz de dissuadir-lhe, promessa feita, promessa cumprida. Na casa do sem jeito, Bentinho foi para o seminário São José. Não se adaptou, se acomodou, não tinha vocação para sacerdote, ademais, Capitu lá fora, não deixava sua consciência em paz, foi nesse inferno existencial que conheceu Escobar e ficaram amigos em todo o tempo.

     Bentinho no final de semana ia em casa, voltava com o coração despedaçado por ter que se separar de Capitu. O seminário lhe era um suplício, inventaram uma doença, Dona Glória se apavorou com a debilidade do filho, a consciência lhe culpava, Bentinho estava desmilinguido... Num acordo com o Protonotário Apostólico Cabral e os superiores do seminário, chegaram a um consenso que o rapazola não tinha vocação para o sacerdócio que poderia servir a Deus sem ser padre, mas para que a promessa fosse cumprida pelo menos em parte, então, arranjaram um substituto e Dona Glória lhe provesse os estudos.

     Longe do seminário, mais perto de Capitu, foi estudar Direito em São Paulo e volta em 1864 para o Rio de Janeiro, bacharel em Direito. Logo, instala escritório no centro da cidade e casa com Capitu com pompa e ostentação. Escobar largou os estudos e seguiu sua vocação comercial e casou-se com Sancha, unha e carne, a corda e a caçamba de Capitu. Ambos os casais foram morar não muito distante um do outro.

     Escobar grande negociante, Bentinho, grande advogado do Rio de Janeiro daquela época. Sancha engravidou logo após o casamento. Depois da gravidez, Sancha e Escobar deram à filha o mesmo prenome de "Capitolina", para os íntimos e para madrinha que lhe emprestou o nome, Capituzinha. Quando ninguém mais esperava, Capitu deu a Bentinho um filho que no registro civil e na pia de bastimo, recebeu o nome de Ezequiel A. de Santiago. Bentinho, Capitu, Dona Glória, José Dias, tio Cosme, prima Josefina, todos não eram felizes, estavam felizes... A felicidade absoluta não existe, porém, momentos de felicidade. Quando tudo parecia feliz entre às famílias: filhos nascidos, famílias estimadas, sucesso empresarial, advogado de sucesso, numa manhã nebulosa, mar indomável, mar revolto, morre afogado, o melhor amigo de Bentinho, Escobar.

     À medida que crescia Ezequiel, ele lembrava o finado Escobar, nos gestos, no jeito de andar, nas imitações, nos gostos, dúvida sobre dúvidas apavoravam o espírito de Bentinho, o pestinha era o debuxo que faltava colorir, até Dona Glória e prima Justina, dissimuladamente, questionavam a semelhança, o fosso entre o casal foi se alargando. Bentinho recordou encontros casuais que flagrou de Capitu e Escobar, que creditava à amizade de família. Capitu nunca perdia a serenidade enquanto Escobar mal disfarçava sua perturbação.

     Por um triz do destino Bentinho não se suicida e por acidente o menino quando sobre a escrivaninha da biblioteca, encontrava-se um café envenenado. Capitu jurava inocência, que a semelhança de Ezequiel e Escobar não passava de capricho do destino que queria incriminá-la, Bentinho queria acreditar, mas o destino teria caprichado demais no debuxo e nas tintas.

     Quando a situação ficou insuportável, mãe e filho foram levados para Suíça. Correspondiam-se, agora, por cartas, ela, cada vez mais apaixonada, ele, cada vez mais, distante e seco, aos amigos e amigas, ele dizia que Capitu estava bem e feliz, não pensava em voltar, havia se acostumado às condições climáticas do continente europeu, que Ezequiel adaptou-se bem e já dominava a língua estrangeira. Para atender à curiosidade social, viajava para Suíça todos os anos e simulava vê-los, todavia, não os procurava.

     Já não escondia sua tristeza, casmurro, que lhe pegou o apelido do poeta anônimo: “Dom Casmurro”. “Dom Casmurro” ficou para os amigos e não amigos. Por outro lado, na Suíça, Capitu vergava-se, dia a dia, em amarguras e remorsos. O filho já adulto, ela morreu longe de tudo e de todos, longe de sua terra, de seus amigos e, desprezada do homem que mostrou amar desde a adolescência.

     Um dia, quando Bentinho já achava tudo distante e preparava-se para vestir-se, recebeu um cartão: “Ezequiel A. de Santiago” Ele perguntou ao criado se a pessoa estava ali, ciente, pediu ao criado que o fizesse aguardá-lo. Demorou alguns minutos para refazer o equilíbrio de suas emoções, não se comportou como um pai extremado, afetuoso, porém, contido, convencional, principalmente, quando o encontrou: “... Ei-lo aqui, diante de mim, com igual riso e maior respeito; total, o mesmo obséquio e a mesma graça. Ansiava por ver-me. A mãe falava muito de mim, louvando-me extraordinariamente, como o homem mais puro do mundo, o mais digno de ser querido”. “... era nem mais nem menos o meu antigo e jovem companheiro do seminário São José, um pouco mais baixo, menos cheio de corpo e, salvo as cores, que eram vivas, o mesmo rosto do meu amigo... Era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar. Era o meu comborço, era o filho do seu pai”. Não demorou muito, retornou para encontrar 2 colegas numa expedição `científica, arqueológica, à Grécia, Egito e à Palestina. Onze meses depois, morreu Ezequiel de febre tifoide e sepultado nas imediações de Jerusalém. Seus colegas lhe prestaram a última homenagem com a inscrição em seu túmulo: “Tu eras perfeito nos teus caminhos, desde o dia de tua criação” Bentinho não desejou sua morte, no entanto, não esconde o alívio de romper com o último elo que o ligava ao passado. Em algum momento da vida, desejou que Ezequiel fosse seu filho verdadeiro, aliás, ele foi vítima da leviandade e infidelidade de Escobar e Capitu, seus verdadeiros pais, tanto quanto ele, finaliza: “... a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve”.

     Em “Dom Casmurro” o autor expõe as sutilezas da mente. A capacidade de alguém dissimular e reinventar um acontecimento. Era da natureza de Capitu essa habilidade de enganar. Não era uma Messalina, mas, respondia com frieza de ânimo às situações mais adversas. Há no texto um exemplo significativo: eles estavam no quintal em namoro quando surge de repente, Pádua, seu pai, ela se transformou em segundos e lhe diz que eles estavam jogando SISO quando o pai lhe questiona: - Por que ele não sorri? – ela lhe justifica que Bentinho era tímido, tinha vergonha, forçou que seu coleguinha risse, em vão, ele estava apavorado!...

     Alguns críticos sustentam que Machado de Assis foi duro com a principal protagonista de sua história. Apresentou aos seus leitores uma Capitu infiel, dissimulada, arteira, fingida e um Bentinho virtuoso, de fé no outro, o que é verdade, a própria Capitu definiu para seu filho o perfil desse homem: “... como o homem mais puro do mundo, o mais digno de ser querido”. Alguns críticos acusam Bentinho de ciumento, possessivo, que fazia da fraqueza força para ser o centro da atenção dos que lhe amavam. Filho único e mimado, sempre esteve sob os cuidados de parentes e aderentes, além de ter nascido em “berço de ouro”, diferente de sua companheira de sorte, que desde cedo teve que lutar com as dificuldades existenciais, por isto, teve que se utilizar de alguns mecanismos de defesa para sobreviver, não o amava, o admirava, não gostava de homem fraco e Escobar não era um fraco. Uniu-se a Bentinho por compaixão e não perder o bonde do oportunidade.

     Enfim, houve traição, são fortes as evidências. Porém, o mal de Capitu foi não assumir o seu romance, se tivesse assumido, seria contada uma grande história de renúncia, coragem e amor.

 



Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna-ALITA 

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Curiosidade: Na fundação da ALITA,  eu apresentei Machado de Assis como meu patrono, mas, um escritor famoso condicionou que só seria membro da academia que estava nascendo, se somente se, Machado de Assis fosse seu patrono, então, eu cedi e sobrou-me Walker Luna.





“Quem me dá um abraço?...” R. Santana

 “Quem me dá um abraço?...” R. Santana

 
“Como a gente se engana com as pessoas, ainda bem... que decepção não mata, ensina viver”

Não sei se foi na capital de São Paulo ou alguma cidade do interior desse estado que um morador de rua segurava uma cartolina com a frase: “Quem me dá um abraço?...”, talvez, esse apelo emocional an passant, seja encarado por alguns como fútil, desejo gratuito de aparecer, todavia, não é verdade, a pandemia do coronavírus deixou evidente essa realidade.

O homem é um animal político, um ser social, o homem não nasceu para viver isolado na ilha de Robinson Crusoé. Nessa Covid-19, que a palavra de ordem era: “Fique em casa!”, ou, a recomendação quase obrigatória: “Distanciamento social!”. É sabido que nesse período de pandemia viral, a violência matrimonial exacerbou-se, aumentaram-se os crimes sexuais de feminicídio e a Lei Maria da Penha não conteve toda a maldade machista.

Afora os portadores de algumas doenças mentais e necessidades especiais, que de alguma forma, vivem isolados, diferente de pessoas que, naturalmente, sentem necessidade de interação social, ajuntamento, corpo a corpo, aperto de mão, abraço, beijo, sexo, isto é, as relações afetivas são condições sine qua non para existência humana. As medidas sanitárias de isolamento social e distanciamento social produziram transtornos de ansiedade, depressão, comprometimento cognitivo, perda parcial de memória e suicídio, portanto, doenças tão prejudiciais quanto os danos do coronavírus.

A criança do campo que coloca os pés no chão, banha-se nos ribeirões, alimenta-se de produtos naturais, monta a cavalo, pratica futebol de várzea, toma leite nas mamas da vaca, brinca de pega-pega, brinca de bodoque, gude, cantigas de roda, ela possui mais resistência às doenças infantis e estrutura socioafetiva e física mais que a criança da cidade, isolada em apartamento, sedentária, que se alimenta de produtos industrializados, presa aos games, aos playstation, ao WhatsApp, jogos de aplicativos diversos e esportes de norma e disciplina inflexíveis.

Portanto, não é pieguice, sentimentalismo exagerado, desejo de aparecer desse morador de rua, o isolamento e o distanciamento sociais são antinaturais à natureza humana. O sujeito pode estar num mar de gente, se não houver motivação, interação social e relação afetiva, ele é um solitário cercado de gente por todos os lados. O exemplo desse morador de rua serve para subsidiar o argumento que o homem é mente e corpo qualquer implicação de um ou de outro compromete a existência humana.

Em todas as pandemias, de imediato, os sanitaristas propõem o isolamento social, foi assim com a Gripe Espanhola, a Peste Bubônica e a Lepra, agora, a Covid-19, porém, o amor e a fé têm vencido essas doenças em muitos casos. Na juventude, lembro-me de ter assistido ao filme “Bem-Hur”, Judah Bem-Hur, naquela época, interpretado por Charlton Heston e Messala seu irmão de criação e Dismas irmão de Esther. Afora as brigas políticas, o atentado de Dismas a Pilatos e a disputa das corridas de bigas, chamou-me a atenção a cura de Esther, seguidora de Jesus Cristo, ela e sua mãe são curadas da lepra pelo milagre da fé e o amor de Judah Bem-Hur.

As medidas de lockdown, isolamento e distanciamento socais contribuem, mas não são definitivas para erradicar a pandemia do coronavírus, da covid-19, ou, outras pandemias, enquanto não se resolve antes, os problemas psicológicos do indivíduo, ou seja, cuida-se da cabeça primeiro, depois, do resto do corpo.

A frase que “Ao lado de um grande homem, sempre há uma grande mulher” é significativa e aplica-se para ambos protagonistas, além de simplificar as condutas racionais e afetivas. A família é que dar todas as condições necessárias para o homem alcançar o sucesso pessoal e profissional. Ninguém alcançará o cume duma montanha sem a base, da mesma forma que ninguém fará sucesso pessoal e profissional se por detrás não tiver base familiar sólida.

A autoestima é o combustível da vida. Sem motivação, o objetivo e o apoio do cônjuge, dos filhos, parentes e aderentes, o homem é frágil e inseguro, sem os ingredientes da alma e do coração, o homem tenderá à depressão e ao fracasso.

A aceitação social e a aceitação familiar não podem dar lugar à rejeição. O morador de rua acima não é exceção é regra. Hoje, o mundo tem milhões de pessoas portadoras de carências afetivas crônicas, depressão, transtorno de ansiedade, obesidade, síndrome de Burnout, síndrome do pânico, etc. Com o advento da Internet, dos aplicativos, das redes sociais, dos dispositivos móveis, dos Smartphones, dos PDA, dos Notebooks e dos Netbooks, além da violência, o próximo é cada vez mais, menos próximo.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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A escola do futuro (II) - R. Santana

 


A escola do futuro (II) - R. Santana

     Há 7 anos, no dia 16 de abril de 2013, publiquei no blog de literatura “Saber-Literário”, uma crônica com o título: “A Escola do Futuro”. Na “Escola do Futuro”, eu teço considerações (exercício de futurologia) sobre a escola do Século XXI. Nessa crônica, sustento a tese que o advento da Ciência Informática, da Internet, de aplicativos e de redes sócias, a escola tradicional, sedentária, obsoleta, tenderá desaparecer e terá a mesma resistência que teve a “Escola Nova” de Paulo Freire, Vygotsky, Piaget, Wallon e Anísio Teixeira.
     O coronavírus e a Covid-19, embora nefastos, o vírus e a doença produziram um “novo normal”. Logo depois de março, os governos dos estados impuseram à sua população, regras sanitárias e sociais, a exemplo do uso do álcool em gel, lavar as mãos com frequência, cuidados sanitários com as roupas e os sapatos e o distanciamento social, até o isolamento social para os idosos. Nesse conjunto de medidas sanitárias e administrativas, de todas as atividades humanas, a escola foi/é a mais penalizada, daí recorreram ao ensino e ao estudo online, notadamente, a escola fundamental (I e II) e a escola média.
     Faz-se necessário dizer que o ensino à distância e à aprendizagem têm mais eficiência e qualidade que o ensino e a aprendizagem presenciais. As dificuldades são operacionais e logísticas, a maioria dos alunos não dispõe de instrumentos operacionais de aprendizagem como “Smartphone”, “Notebook”, “Tablet” e “Internet”.
     No texto de 2013 da escola do futuro, eu sugiro que as escolas públicas e privadas, ao invés dum espaço físico (escola), mantivessem à disposição de sua clientela CENTROS DE CONSULTA E INFORMAÇÃO para dirimir dúvidas, alimentar feedback e promover interação social. A escola convencional não motiva mais o sujeito da aprendizagem do que a escola à distância que se descortina para os próximos anos como realidade irreversível.
     Alguns pedagogos e psicólogos resistem ao novo normal e afirmam que o distanciamento social compromete a sociabilidade, o desenvolvimento afetivo e intelectual da criança, por isto, eles condenam o ensino online. Porém, a escola não é a única atividade que supre essas necessidades inatas do sujeito da aprendizagem e sujeito social, os parques de diversões, os museus, os teatros, os cinemas, a mídia, o esporte e atividades culturais diversas contribuem nas relações sociais, nas funções cognitivas e afetivas.
     O ensino à distância contribuirá no planejamento educacional, com redução de despesas e aumento de receitas municipais e estaduais e federais. Os governantes ao invés de investirem em grandes espaços físicos com custo elevado de manutenção, investiriam em materiais informáticos e redes de Internet. Por outro lado, diminuiria os custos pessoais do alunado com transporte, fardamento, merenda escolar e tempo.
     Com a violência que cresce dia a dia e a droga, o ensino à distância não extinguiria, mas reduziria esses males da sociedade atual com os indivíduos em casa. A violência e a droga não encontrarão ambiente fértil se a escola tradicional for extinta ou modificada estruturalmente.
     Toda mudança tem resistência, antes da “Escola Nova”, valorizava-se o conhecimento mnemônico, isto é, o sujeito da aprendizagem não aprendia, memorizava, o conhecimento era “vomitado”, não havia espaço para o questionamento, a dúvida, a razão crítica de Kant, magister dixt et dix, muitos personagens históricos tiveram dificuldade de aprendizagem como discípulo, caso emblemático foi o de Einstein que seus professores colocaram em dúvida sua capacidade mental, hoje, é o pai da Física Moderna e da Teoria da Relatividade.
     Por isso, sou um modesto defensor da escola online, é tempo de mudança, métodos e práticas obsoletas devem ficar no passado histórico. Urge a necessidade duma escola integrada aos novos conhecimentos científicos, às técnicas atuais, pois, todas as atividades intelectuais (direito, medicina, engenharia, etc.), já incorporaram essas novas tecnologias da informatização e da cibernética.
     As maiores bibliotecas do mundo: Nacional do Brasil, The British Library, Congresso Americano, Shanghai Library, Pública de Nova York, embora possuam em seus arquivos, milhares de obras literárias e científicas e recursos visuais e audiovisuais, não têm a mesma praticidade e acesso das bibliotecas virtuais. O Google e a enciclopédia livre Wikipédia atendem às necessidades intelectuais e pesquisa, de estudantes, de profissionais liberais ou qualquer pessoa ciosa de informação e conhecimento.
     Tivemos com a pandemia do coronavírus, o rompimento de modelos educacionais tradicionais e o acesso aos novos paradigmas escolares virtuais, porque é fato que o ensino à distância funciona e caberá às autoridades políticas executivas e pedagógicas, implementarem essas novas tecnologias e ajustarem as condutas de pessoas envolvidas.
     Não será um processo rápido a escola online e escolas ligadas à web, conservadores radicais lutarão para manutenção do status quo atual, todavia, serão vencidos pela ciência, aí, teremos a escola do futuro.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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A morte é o fim - R. Santana

 


A morte é o fim - R. Santana
 

     A alma é o princípio vital da vida, principiu vitalis, organização imaterial de uma pessoa que finda com a morte, a alma não tem individualidade quando se separa do corpo, sua energia vital se desprende quando cessa a vida. O famoso médium Chico Xavier, num dos seus livros, Nosso Lar, uma paródia do espírito de André Luiz, um romance burlesco que conta as várias fases do espírito após a morte, digressões fúteis, sem comprovação científica e significado de verdade, o livro subsiste aos milhares pela fé dos adeptos de Chico Xavier e a crença de incautos de vida espiritual depois da morte.
     O cristianismo é a única religião que nega a evolução espiritual após a morte. A Bíblia no Novo Testamento (João 3: 6), Jesus Cristo em resposta a Nicodemos, Ele deixa claro que o homem (carne) não é espírito nem capaz de gerar espírito: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”, noutra passagem, Ele subestima a morte e seus mortos: “Deixa aos mortos sepultarem os seus mortos” (Lc 9, 57-60). O cristianismo se embasa no tripé religioso: Deus-Jesus Cristo, vida eterna e ressurreição, nenhum preceito cristão diz que existe vida depois da morte.
     O homem não tem a natureza divina de Deus, sua natureza humana é limitada e a matéria corruptível, por mais que tenha vontade, ele nunca se livrará da morte mesmo com todo o avanço da ciência. A ciência poderá clonar o material genético humano e produzir “homem em série”, porém, não se livrará do cutelo da morte. Duas verdades existem por si mesma: Deus e a morte. Por isto, entende-se que Deus e a morte se impõem por si, são verdades absolutas. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém O negue, O reconhece como ideia lógica que subsiste por si. A morte, também, é uma “possibilidade necessária”, ela está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.
     Karl Marx deixou escrito que “a religião é o ópio do povo”, isto é, deixa o indivíduo em estado de narcose, ou seja, um pouco alienado, insensível, a vontade mais forte que a razão. Porém, a religião dá esperança ao homem de vida eterna e remissão dos pecados, se não houvesse religião, o homem não teria atingido o estágio de desenvolvimento social e o significado atual de vida, não haveria consciência moral, as leis da sociedade não conteriam a falta de escrúpulos dos mais fortes e de mentes psicopatas. O mundo seria darwiniano de seleção natural se não houvesse religião: o indivíduo mais fraco não sobreviveria. O homem é alimentado pela fé.
     Há milhares de ano, o homem busca o autoconhecimento: “Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”, porém, as respostas são evasivas, subterfúgios, o homem não sabe pra que veio nem seu significado existencial, cada indivíduo faz seu destino conforme as circunstâncias e seu livre arbítrio. Conta-se que um jovem homem tinha fixação por riqueza e morava numa pequena república com outros colegas, então, escreveu nas paredes do seu quarto: “Eu sou o dinheiro!!!”, daí em diante, ele perseguiu o dinheiro com tanta sofreguidão e perseverança que o dinheiro lhe buscou na mesma intensidade e o homem ficou muito rico.
     O homem está no mundo como se estivesse num grande deserto sem norte, sem futuro, inseguro e ansioso. A incerteza do amanhã lhe produz pânico e vontade de morrer. Quantas pessoas dizem que a morte é um descanso? Sim! A morte é um descanso, não pelo fato de alguém ter certeza de ir para o céu, paraíso ou inferno, mas é que a morte cessa todos os problemas existências. O filósofo Sócrates comparou a morte com uma noite profunda de sono que todos os problemas existenciais desaparecem nessa noite.
     O mercado de filmes de terror, romances que contam a história do outro mundo, e livros espíritas cresce mais do que qualquer mercado literário. Porém, são histórias de ficção sem nenhum fundo de verdade. A morte é o fim, não existe vida além-túmulo, não existe alma individual, mas, um sistema energético vital que se desprende do corpo nos estertores da morte. Existe uma seita religiosa que sustenta que na morte a alma passa por três passagens: “NEFESH”, “RUACH” e “NESHAMA”, forças metafísicas que se juntam após a morte e formam a alma, conjecturas religiosas...
     Ninguém nunca registou a aparição de uma alma, o registro duma visagem, um ato de assombração, alguém que morreu ainda não voltou para contar a história do lado de lá desde que o mundo é mundo.
     Certa feita um valentão foi desafiado dormir em um castelo mal-assombrado, um castelo de almas... Levou todos os apetrechos para um bom sono, inclusive, armas de fogo e arma branca, todavia, no meio da noite sua valentia deu lugar ao medo, porque do porão ouvia-se movimentos e grasnidos estranhos, o valentão com um lanterna vasculhava algum ser fantasma, em vão, já no alto da escada, a lanterna caiu-lhe das mãos e foi parar no porão, com medo, ele correu pelos corredores a esmo quando algo lhe prendeu e teve uma síncope e morreu. No outro dia, a polícia e o médico legista encontraram o valentão enganchado num prego pelo paletó. Os amigos e curiosos descobriram depois que não havia nenhum fantasma no castelo, mas, muito rato, morcego, lagartixa, etc.
     Alguns fenômenos extra-sensoriais, a exemplo de psicografar mensagens de algum morto, ouvir vozes do além, movimentar objetos à distância, etc., não são fenômenos espirituais, são fenômenos parapsicológicos, quem morreu não mais existe, findou-se, não é entidade espiritual, virou pó: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7 – 25), ou seja, significa que do pó Deus lhe deu alma vivente, princípio vital, não espírito eterno.
     O saudoso Óscar González-Quevedo Bruzón, o conhecido padre Quevedo, desafiava alguém mostrar um sinal de alguém que já morreu. Os fenômenos praticados pelos médiuns, de acordo padre Quevedo, são fenômenos extrassensoriais, parapsicológicos, não fenômenos espirituais. Quevedo, padre e parapsicólogo estudioso, com metodologia científica, sustentava que na morte, cessam todas as propriedades vitais e o corpo apodrece logo. Por coerência religiosa, ele acreditava na promessa de Jesus Cristo de ressurreição.
     O fato de asseverar que a morte é o fim, eu não teci comentário sobre a existência de Deus-Jesus Cristo, pois Deus é uma ideia que subsiste por si, o final do parágrafo 3º., esclarece de maneira sucinta a existência de Deus: “ Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém O negue, O reconhece como ideia lógica que subsiste por si”. Talvez, não seja um Deus personalizado, um velho de barbas brancas, sentado em um trono no firmamento. A crença de Deus-Jesus é substanciada pela fé e evidência lógica e razão.
     As crenças espirituais de reencarnação de Allan Kardec e a metempsicose (reencarnação de pessoas, reencarnação em animais e até em plantas) de Pitágoras, subsistem mais por tradição e fé dos seus seguidores que por significado teórico. Nenhuma pessoa de bom senso irá acreditar que terá uma vida espiritual além-túmulo ou voltará reencarnado noutra pessoa para completar sua evolução espiritual.
     Enfim, a morte é o fim do homem e a pedra sepulcral é seu lugar eterno.


Autoria: Rilvan Batista de Santana

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A ALITA ESTÁ INTUBADA NA UTI SEM OXIGÊNIO (10 anos de marasmo e desconstrução)

 


A ALITA ESTÁ INTUBADA NA UTI SEM OXIGÊNIO
(10 anos de marasmo e desconstrução)
 
Fernando Henrique disse certa feita que as pessoas esquecessem o que ele tinha escrito, eu não tenho a estatura intelectual do ex-presidente, todavia, gostaria que as pessoas queimassem tudo que escrevi, quando passar daqui pra lá, certamente, não fará falta aos leitores inteligentes. Por exemplo, o texto abaixo em negrito, reflete um instante que gostaria de ter apagado e não mais circulasse no GOOGLE, não pela instituição acadêmica que pertenço, mas, por ter convivido com algumas pessoas que não mereciam os encômios que escrevi neste texto.

“ALITA foi parida, veio à luz, numa das salas da FICC, às 9h, no dia 19 do mês de abril do ano cristão de 2011, e acalentada nos braços dos preclaros Cyro de Mattos, Dinalva Melo, Ruy Póvoas, Antônio Laranjeira Barbosa, Marcos Bandeira e outras mulheres e homens de expressão literária da terra do cacau.

Este “escrevinhador”, o segundo filho de dona Leonor, também estava lá; não com a mesma competência obstétrica dos demais confrades, mas com o mesmo desejo de vê-la nascer com saúde para que daqui a alguns anos, perambule e troque ideias com suas irmãs gêmeas neste país de Drummond, Cora Coralina, Aluísio de Azevedo, Adonias Filho, Amado Jorge (perdoe-me o trocadilho), João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Guimarães Rosa, o mulato Lima Barreto, dentre outros, e o nosso mais louvado escritor, jornalista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, poeta e crítico literário, o mulato, Joaquim Maria Machado de Assis de registro de nascimento e “Machado de Assis” para o povão." Rilvan Santana - membro fundador da ALITA.

Fui um dos fundadores da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, apadrinhado pelo ex-juiz Marcos Bandeira, em 19 de abril de 2011. Não o conhecia pessoalmente, acho que me indiquei pelas minhas produções que enviava, com frequência, por e-mail, para escol intelectual da cidade itabunense.

O nosso primeiro encontro foi nas dependências da Fundação Itabunense de Cidadania e Cultura – FICC. Naquela época, o escritor Cyro de Mattos era o seu presidente. Foi um encontro com homens e mulheres da cultura e arte de Itabuna. Nesse encontro, discutimos o nome da futura academia e saímos dali com a diretoria formada (Marcos Bandeira - presidente e fui indicado para segundo tesoureiro, com o afastamento de Gustavo Fernando Veloso, fui alçado à primeira tesouraria até o fim dessa diretoria). A escolha dos patronos, patronesses, Regimento e Estatuto ficaram para as sessões subsequentes.

O período administrativo à frente da ALITA de Marcos Bandeira foi produtivo, significativo, escolhemos os 40 membros com os seus patronos e patronesses, aprovamos e registramos em cartório o Regimento e o Estatuto – surpreendi-me no site da entidade, estão: “página em desenvolvimento”.

Hoje, a ALITA está intubada e morrerá por falta de oxigênio, diferente de sua congênere AGRAL. A entidade perdeu a aura intelectual, não mais produz, não faz lançamento de nenhuma obra, foi esquecida da comunidade, seus membros estão dispersos e seu site é repositório das obras e divulgação do escritor Cyro de Mattos. Aliás, este senhor converteu-se na eminência parda da entidade de letras e artes desta terra que já foi do cacau: indicou a maioria dos membros da entidade, inclusive, os membros correspondentes, tomou conta da revista e do site e foi buscar nas terras de Adonias Filho, Itajuípe, em detrimento das sumidades intelectuais de Itabuna, a presidente atual da Academia de Letras de Itabuna – ALITA.

Quando ajudei fundar a academia, movia-me o desejo, não de imortalidade temporal, pois a própria entidade é efêmera, nesse mundo das letras poucos são as páginas perenes, poucos são os Machados de Assis, os Lima Barreto, os Dotoievski, os Antoine Sant-Exupéry, os Kafka, os Monteiro Lobato, etc. Motivou-me colaborar nas letras itabunenses e estimular o surgimento de novos valores na arte e na literatura, que a entidade se tornasse de utilidade pública e reconhecida pelos órgãos do governo.

A AGRAL completou, também, 10 anos de existência na semana passada com nova diretoria, novos programas culturais e grande manifestação na mídia e coesa. No site da ALITA, uma homenagem pálida, sem robustez, homenagem manifesta para comemorar os 10 anos da entidade: Tica Simões, Ruy Carmo Póvoas e Carlos Eduardo Passos, intelectuais de escol, mas, sem fôlego pela idade decrépita, incapazes de soerguer a entidade cultural itabunense que se encontra agonizando.

Para se administrar qualquer entidade: cultural, científica, religiosa, sindical, empresarial, pública, etc., é condição sine qua non, necessária, que o gestor agregue, lidere, sozinho, ninguém é capaz de levar um projeto adiante. As personalidades egoístas não solidárias, não generosas, sem empatia, devem ser dirigidas e não dirigir.

Marcos Bandeira foi substituído no ano 2013 pela ex-juíza Sônia Carvalho de Almeida Maron na condução da ALITA. A ex-juíza teria tudo pra fazer um bom trabalho, contudo, foi envolvida pela influência tendenciosa do escritor Cyro de Mattos. Ele assumiu a revista Guriatã e o site, além de ampliar os membros correspondentes e preencher as vagas da entidade com pessoas que não preenchiam os requisitos necessários de um acadêmico, apaniguados, apenas, para fortalecer sua ascendência nas decisões da diretoria da entidade literária.

Fui o único que se insurgiu contra seu despotismo acadêmico. Incomodava-me o site da ALITA e a revista "Guriatã" fossem privilégios de poucos. O senhor Cyro de Mattos privilegiava a divulgação dos ensaios enfadonhos dos apaniguados à criatividade dos que não lhe puxavam o saco, além dele tomar todos os espaços da revista e do site com sua literatura. Fui alijado da entidade acadêmica e fui admoestado na mídia com “Manifesto de Desagravo” em 10. 03. 2017 e depois de afastado, mas ativo, no “Dia dos Pais”, 08.08.2020, fui homenageado pelo escritor Cyro de Mattos com o conto mal-ajambrado intitulado: “O Terrorista Cultural”, cujo objetivo foi desqualificar-me socialmente e me colocar a pecha de sujeito perigoso, pavio curto...

Neste dia, 19 de abril de 2021, a ALITA não tem nada pra comemorar, sim, lamentar os rumos de condutas centralizadoras e egoísta de alguns dos seus membros. A entidade ao invés de evoluir, ela parou no tempo e quase extinta no objetivo que foi criada. Nesses 10 anos, ela não tem sede própria, não é de utilidade pública, não fez nenhum lançamento de livro (exceto as produções de Cyro de Mattos), não presta serviço pedagógico nas escolas, não é reconhecida pela comunidade itabunense, publica a revista esporadicamente, não tem conta bancária e seus membros foram dispersos e descompromissados.

A ALITA necessita de oxigenação, de renovação, de pessoas independentes e ideias novas. A academia não pode e não deve ficar à mercê de pseudos-medalhões, de pessoas egoístas, autoritárias, gente sem empatia, pessoas que usam a academia para enriquecerem suas biografias. Uma academia democrática que todos tenham direitos e deveres, sem privilégios, sem formação de grupo, sem sectarismo, não tendenciosa, uma academia que atenda às necessidades acadêmicas, não de um membro em particular ou de .grupo.
Enfim, já disse em outro texto que a ALITA ressurja das cinzas assim como a “Fênix”. Hoje, ninguém fala de nossa academia. Que seja reconhecida como de “utilidade pública”, assim estará qualificada para receber ajuda de todos os níveis de governo, celebrar contratos, desde o governo municipal até o federal. Desejo que surja uma liderança com empatia, agregadora, generosa e intelectualmente honesta para que a ALITA cumpra seu papel cultural na comunidade de Itabuna”. Rilvan Batista de Santana, São Caetano, Itabuna (BA), Brasil.
 

Carta para Eliza Santos – R. Santana

 


Carta para Eliza Santos – R. Santana

Carta para Eliza Santos – R. Santana

Estimada Senhora:
Hoje, eu abri seu site e lá tem 221 publicações de “Palavra de Salvação”, feito recorde duma cristã engajada nas ações cotidianas da igreja católica. A religião alimenta a fé, triste do homem se não fosse balizado em princípios morais e não tivesse a crença de vida eterna.
Porém, motivou-me escrever esta carta as boas e más lembranças do passado, as mesmas que contribuíram para nossa dissensão intelectual e relacionamento interpessoal. A causa de nosso desentendimento foi por ciúme intelectual e picuinhas de alguns acadêmicos da terra. Quantas vezes a senhora me elogiou? Enésima! Ainda guardo nos meus arquivos suas palavras de amizade e solidariedade:
“Rilvan, ali tem gente cuja índole diabólica é tamanha a ponto de proibir que uma filha esteja presente e dê à sua mãe no leito de morte o conforto final. Tem gente mentirosa que vive a inventar para meio mundo que é autor internacional (e acredita na própria mentira). E tem também ali uma corja que se compraz em viver sob as asas negras desses medíocres. Acho que deverias ter enviado esse documento para todos os que fazem parte da tropa. No fundo, meu amigo, eles estão de verdade é com muita inveja e medo de ti, da tua capacidade como escritor da tua verdade”. Quase eu cedi à tentação que era escritor...
Porém, não demorou muito e entendi que a “mão que afaga é a mesma que fere”. Fui chamado de chantagista, achacador, etc., somente pelo fato da senhora pensar que iria usar suas mensagens que detratavam os nossos inimigos em comum e lhe colocar numa situação desagradável, até processual. Jamais iria lhe fazer mal algum, não sou nenhum escroque, tenho uma vida ilibada, já fui vítima, todavia, nunca fraudei nem corrompi ninguém. Tenho o “pavio curto”, os bofes na goela, é recomendável não me cutucar com vara curta, pois responderei na mesma moeda ou moeda quadruplicada.
Senhora Eliza Santos, assim que nos desentendemos, a senhora passou publicar (para ferir-me), todas às produções de um escritor que me tem ojeriza, raiva, sempre me procurou prejudicar na ALITA. Ele jacta-se ter livros publicados no exterior (nenhum viandante ainda teve a sorte de lê-los), só escreveu um romance de tema esgotado em 50 livros que publicou, segundo esse poeta e escritor. Seus livros infantis não são referendados e vangloria-se ser Doutor Honoris Causa pela Universidade Santa Cruz e desfila com várias medalhas no peito como prêmio literário, um esnobe, um egoísta, “minhoca que quer ser cobra”, um frustrado em sua arte.
Prezada senhora, não lhe peço perdão nem desculpas pelos nossos desencontros no passado, se lhe pedisse perdão, eu invocaria Pedro (Mateus 18. 21,22), é que não lhe fiz nenhuma maldade, mas fui vítima do maquiavelismo dos maus e denegrido publicamente em seu site: Manifesto de Desagravo (10.03.2017) e Terrorista Cultural (08.08.2020). Eu sei que a censura acabou desde a derrocada do regime militar de 64, no entanto, devemos usar a lei corretamente, não me foi concedido o direito de resposta e fiquei com a pecha de mau caráter e pessoa de maus sentimentos, insociável e criador de caso. Apenas, defendi-me de uma elite fechada, retrógrada, herdeiros do cacau que não aceitam o diferente em seu nicho.
Sou um pequeno homem e um autor pequeno, não possuo os recursos retóricos dos grandes intelectuais para descrever a conduta de alguém, no entanto, sou fiel ao mandamento bíblico: “Não julgueis e não sereis julgados”. Todavia, me é dado o direito, quando acusado, tratado com vilania, duvidar: “... tu tens uma prática religiosa de generosidade, perdão, tolerância, ponderação e amor, mas, tu és intolerante, ressentida, rancorosa, vingativa, coração pardo, coração sem amor”.
Fui eu que lhe incentivei criar um site para publicar suas produções e divulgar os autores da terra, inclusive, era costume seu elogiar o “Saber-Literário” e o usou por longo tempo até obter o seu próprio site. Para mim era um prazer, uma honra ter uma parceira que comungava comigo os mesmos gostos literários e o desejo de divulgar os poetas, os escritores, os artistas plásticos e os pensadores da terra.
Porém, essa parceria trouxe ciúme, malquerença, que eu estava divulgando as mesmas produções do seu site... A senhora esqueceu o compromisso de parceria e os textos de seu site eram de domínio público, cabia ao administrador do “Saber-Literário” indicar a autoria, que seu site só tinha o domínio de suas produções, se alguém tivesse de reclamar, fosse o autor da produção literária. Além de manifestar a minha “desonestidade” em seu site, o criptografou para que ninguém o copiasse, um desserviço literário, pois a boa ideia deve passar adiante. Dou-lhe meu exemplo no Recanto das Letras, todas as minhas produções são registradas pelo Creative Commons: “ Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas”. Eu fico realizado quando o leitor lê as minhas produções e faz algum comentário produtivo ou crítico.
O objetivo do meu site é estimular a leitura e a escrita de jovens e adultos. Não tenho objetivo financeiro nas minhas publicações, são 368 textos avulsos (contos, crônicas, artigos, ensaios, etc.) e 21 livros em PDF, espalhados no amazon.com, Recanto das Letras, “Saber-Literário”, etc. Quando divulgo um texto que não é de minha autoria, eu cito a autor, quando não tem autoria, acrescento: “autor desconhecido”. Afora a senhora, ninguém nunca reclamou, ao contrário, agradece-me pela publicação.
Eu tenho vários defeitos, porém, quando tenho uma amizade, eu sou fiel como um cão, jamais apunhalei um amigo pelas costas. Sempre uso Voltaire para expressar a minha fidelidade: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, ou seja, sempre fico ao lado dum amigo, mesmo não concordando com suas ideias.
Enfim, a amizade não se compra na farmácia, na feira-livre, na casa de materiais de construção, a amizade é um sentimento mais forte que o amor. Há um provérbio popular que diz: “Amigo é aquele que mesmo profundamente magoado, não desiste da amizade, ele sempre está pronto para perdoar”. Não fomos amigos em nenhum momento, fomos conhecidos quando tínhamos interesses comuns. Cordialmente, Rilvan Batista de Santana. 18 de fevereiro de 2021. São Caetano, Itabuna (BA).


Autor: Rilvan Batista de Santana
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O Cavaleiro da Esperança - R. Santana

 


O Cavaleiro da Esperança - R. Santana
 
Quando adolescente, li do escritor Jorge Amado, o livro biográfico de Luís Carlos Prestes, “O Cavaleiro da Esperança”, a epopeia e a tragédia da Coluna Prestes. Conhecia an passant o comunismo de Marx de Engels, Lênin e Stalin. Apaixonei-me pela cultura e discernimento revolucionário de Trotsky.
O revolucionário Luís Carlos Prestes ficará para sempre na História do Brasil, não pelo seu ideário político revolucionário, mas pela defesa e perseverança de seus ideais comunistas e a epopeia de 25000 Km que empreendeu pelo interior do país, uma tropa revolucionária de 1800 homens que, a metade foi dizimada pela cólera, depois de 29 meses que a Coluna Prestes percorreu vários estados brasileiros, ela chegou ao fim no ano de 1926.
Se Luís Carlos Prestes foi o mensageiro da esperança do Século XX, Jair Messias Bolsonaro, hoje, é o arauto da esperança de milhões de brasileiros do Século XXI, ambos são antagônicos nas ideias e prática política, porém, ambos têm a mesma grandeza patriótica. Prestes lutou para que não houvesse desigualdade social e econômica profundas, que todos tivessem as mesmas oportunidades de vida. Bolsonaro luta pelos valores essenciais da vida: a liberdade, a democracia, a família, a religião, a saúde, a educação, o trabalho, a autodefesa, o direito de propriedade e os valores éticos e morais conservadores. O combate à corrupção e a lisura com o dinheiro público não são virtudes, mas, obrigação, dever.
Depois de um atentado criminoso em Juiz de Fora (MG), ainda candidato à presidência do país, esfaqueado por um sujeito, supostamente com transtornos mentais, identificado por Adélio Bispo de Oliveira. A defesa desse criminoso justificou motivação política e religiosa passionais e não crime de mando. O energúmeno quase interrompeu a trajetória de Jair Bolsonaro disputar o pleito eleitoral de 2018 e chegar à presidência do Brasil. Daí em diante, o povo passou chamar-lhe de mito. Mito como sujeito de mudança para atender às aspirações ideais dum povo em determinada fase histórica.
A eleição do deputado Jair Bolsonaro foi desdenhada por vários segmentos da sociedade, principalmente, os intelectuais, a grande mídia e os partidos políticos da esquerda. Todavia, o povo não mais suportava os escândalos de corrupção que permeavam as estatais e todos os partidos políticos, notadamente, o Partido dos Trabalhadores – PT, com sua liderança maior, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, atrás das grades e acusado de ser o chefe da quadrilha do “petrolão”.
O candidato Bolsonaro em sua trajetória de campanha nas Redes Sociais, foi tachado de misógino, homofóbico, preconceituoso e fascista, só não foi tachado de corrupto. A facada que ele levou em Juiz de Fora (MG), motivou a revolta do povo que o elegeu no 2º. Turno com mais de 57.000 000 milhões de votos à presidência do país.
Desde que foi eleito pautou-se em racionalizar as despesas públicas e combater o crime: diminuiu o tamanho do ministério, fechou a torneira extravagante da Lei Rouanet, superestimou os serviços da PF e PRF no combate à corrupção, à sonegação fiscal, aos desvios e malversação do dinheiro público, além de usar sempre o suporte técnico e acompanhamento jurídico da Controladoria Geral da União – CGU.
O ano de 2019 foi profícuo para o governo federal: A Reforma da Previdência / Trabalho, o aumento do PIB, a diminuição da taxa SELIC e inflação, menos desemprego, desempenho favorável da indústria e do comércio. O país ia de vento em popa, os adversários políticos arrefecidos, quando a China envia seu vírus e a COVID-19 matou e ainda mata milhares de brasileiros. Depois dum ano de pandemia as autoridades sanitárias dos estados, municipais e federais não têm ainda o controle da doença e o presidente Bolsonaro foi escolhido pelos políticos da oposição, a grande mídia e alguns segmentos da sociedade como “bode expiatório” pela calamidade.
Porém, não se pode culpar alguém sozinho por desgraça coletiva, notadamente, quando é uma pandemia que é universal. Todos os países vêm administrando com dificuldade essa pandemia, por ser uma doença desconhecida, o aprendizado de gente da saúde é diuturno. A vacina tem sido a esperança da humanidade, mas, até quando? Quanto tempo o indivíduo ficará imunizado? O tratamento precoce e medicamentos não serão a solução? O tempo vai dizer...
Bolsonaro é o presidente mais “perseguido” institucionalmente na História de República. Sua gestão tem sido marcada por ações judiciais permanentes. Alguns atos administrativos de Bolsonaro, foram desfeitos por decisões monocráticas de ministros do STF, o que chamou mais a atenção, foi a suspensão de Alexandre Ramagem (Abin) para diretor-geral da Polícia Federal – PF, pelo ministro Alexandre de Moraes e o ato mais esdrúxulo, mais vergonhoso, mais abusivo, foi Celso de Mello através da PGR, solicitar a apreensão do celular do presidente do país.
Nos tempos atuais, os artifícios e jurisprudências de certos juízes são inconvenientes e inconstitucionais, haja vista, a prisão preventiva ad aeternum de Alexandre de Moraes para justificar a prisão do deputado federal e seu processo da “Fake News”. Dizem os expertos que tem havido desvio de finalidade no STF, ao invés de ser o guardião da Constituição Federal, o STF relaxa suas prerrogativas constitucionais para atender às demandas políticas partidárias e ideológicas.
Ultimamente, o presidente aflige-se com a política isolacionista de lockdown das cidades e estados. O lockdown não é medida científica comprovada para combate ao coronavírus. O presidente Bolsonaro sempre defendeu as medidas sanitárias conhecidas, tratamento precoce, o trabalho, cuidado com os idosos e portadores de comorbidades, isto é, o isolamento vertical em prejuízo do isolamento horizontal.
Na sexta-feira, 19 de março, deste ano, o procurador Lucas Furtado pediu ao TCU que afaste das funções administrativas da COVID, o presidente Jair Bolsonaro e o substitua pelo vice-presidente Mourão com a prerrogativa dele mudar o ministro da Saúde, o ministro da Fazenda e o ministro da Casa Civil. Não sei se um procurador, constitucionalmente, ele possui essa prerrogativa (TCU mudar o presidente), se tiver, não vale a pena ser presidente, pois possui menos autoridade que um prefeito da menor cidade do interior brasileiro.
No fechamento desta crônica, foi divulgado pela mídia escrita e falada que o presidente Jair Bolsonaro convocou os representantes dos demais poderes para criação de um comitê para gerir os problemas da COVID. Não é recomendável um homem sozinho enfrentar um problema de magnitude universal, será necessário que todos os homens de bom senso ajudem o país nesse infortúnio.
Enfim, não sei até quando o presidente aguentará essa pressão política, administrativa, judicial e moral. O momento é difícil... Seus seguidores ainda veem como o “Cavaleiro da Esperança”. O cavaleiro que em cima do seu cavalo empunhará a espada para combater os inimigos do povo, desfraldar a bandeira da esperança e justiça para milhões de pessoas. O cavaleiro solitário combaterá dragões e leões para proteger a liberdade e o bem-estar do seu povo. Como Dom Quixote, ele terá a ajuda de Sancho Pança não para combater os moinhos de vento e os cavaleiros fantasmas, mas os inimigos da pátria.



Autoria: Rilvan Batista de Santana
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Será o fim do mundo?... - R. Santana

 


Será o fim do mundo?... - R. Santana
 

O meu tio Pedro, do alto dos seus 94 anos de vida e experiência, ele explica todos os males da humanidade embasado em sua prática demográfica, isto é, o crescimento incontrolável da população. Sustenta que essas doenças modernas, potencialmente, sempre existiram desde que o mundo é mundo e eclodiram com o aumento desenfreado da população.

A peste bubônica, a varíola, o sarampo, o tifo, a febre tifoide, a lepra, a tuberculosa, a febre amarela e a gripe espanhola surgiram quando a população do mundo decuplicou. Nos Séculos XIV / XIX, não havia regra de distanciamento social nem saneamento básico nas cidades, não se conhecia vírus nem bactérias, nem fungos, nem vacinas nem tratamento. Só a gripe espanhola matou mais de 50 milhões de pessoas e a peste bubônica outro tanto.

Doenças como HIV, AIDS (sexualmente transmissíveis), a ebola e a covid-19 já mataram milhões de pessoas, todavia, existe a esperança além da vacina, o remédio, o tratamento precoce e a cura. As endemias e pandemias não são mais como antes, hoje, a ciência está avançada, novos procedimentos médicos, tecnologia informatizada e laboratórios sofisticados que contribuem para menos mortes nas endemias e pandemias.

Meu tio Pedro nunca soube de Malthus, nunca o viu mais gordo nem mais magro, não conhece sua teoria: “o alimento cresce em progressão aritmética e a população cresce em progressão geométrica”. Se ele conhecesse a teoria malthusiana, reforçaria sua convicção que o aumento da população é responsável por todos os estados de calamidade do planeta, porém, em tempos contemporâneos a Lei de Malthus está defasada, hoje, não existe falta de alimento, existe uma desigualdade sócio - econômica perversa de pessoas que podem comprar comida, outras, se alimentam mal e outras pessoas passam fome, portanto, a superpopulação não é a causa principal do sofrimento do homem.

Para os cristãos é o Apocalipse, texto escatológico, obscuro, que através de visões, São João profetizou a volta de Jesus Cristo e o fim do mundo: “Quando o Senhor retornar, não poderemos vê-Lo ou reconhecê-Lo, mesmo que O encontremos. Como podemos aguardá-Lo e dar-Lhe as boas-vindas?” Na verdade, Jesus Cristo já nos mostrou o caminho para recebê-Lo. Ele disse, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz” (João 10:27), “Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! sai-lhe ao encontro!” (Mateus 25:6), “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3:20). O Apocalipse vaticina o fim do mundo, porém, é muito obscuro, exige do leitor uma interpretação exegética profunda que os leitores comuns não têm esse embasamento teórico e de fé.

A pandemia da Covid-19, Século XXI ainda não é o fim do mundo, outras pandemias ainda virão. A História da Humanidade registra calamidades naturais que mataram milhares e milhões de pessoas: - tsunamis, enchentes, vulcões, trovões, meteoritos e terremotos. O tempo ainda neste Século XXI, a humanidade passará por outras pandemias e endemias, principalmente, a suspeita que muitos dessas bactérias e desses vírus são modificados geneticamente (guerra biológica) em laboratórios de alta performance e tecnologia.

O homem é o responsável pelo surgimento de novas pandemias e novas endemias, pois, ele causa danos diuturnos à fauna, à flora, às nascentes dos rios, poluição dos rios e dos mares. Ele é responsável pela proliferação de garimpos clandestinos, os desmatamentos, as queimadas e os lixões das cidades. Além disto, o homem é responsável pela poluição atmosférica com o lançamento diário de gases poluentes, causando o aquecimento global (efeito estufa), com gases de dióxido de carbono, ozônio, metano, etc. Os governantes se comprometem diminuir, em fóruns mundiais, esses danos à Terra, porém, as ações predadoras do homem são incontroláveis.

As pandemias e as endemias são efeitos e não causas. A exemplo, as vidas que foram ceifadas até agora pela covid-19, decorrem de experimentos em laboratórios com animais, principalmente, o porco, feitos em algum lugar do mundo, assim como, a peste bubônica decorreu da proliferação de ratos na Europa por falta de saneamento básico de suas cidades.

Então, quando será o fim do mundo? Para os religiosos, esses sinais atuais representam o Apocalipse, a vitória do bem contra o mal, todavia, são interpretações de fé! Para a ciência, se o homem não der fim nas causas de sua autodestruição, o fim do mundo já começou.


Autoria: Rilvan Batista de Santana
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