11.03.2025

O Brasil não tem jeito! - R. Santana

 


O Brasil não tem jeito! - R. Santana

A mistura de branco, mulato, negro e índio deu ao país uma raça forte, criativa, de capacidade de cognição única, sabedoria e fé, mas, sem memória, cínica e de caráter suspeito. É um povo bom, solidário, caridoso, capaz de se colocar no lugar do outro, porém, politicamente é incapaz de pensar no coletivo e no depois, ele é individual nas ações e no pensamento. Não faz muito tempo à afirmação popular de “rouba, mas faz”, levou nos anos 70, Pelé, o gênio da bola de todos os tempos, num momento de tirada política dizer: “o brasileiro não sabe votar”.

Aproxima-se a eleição de presidente, governadores, deputados e um terço do senado. O desenho dos candidatos a presidente está praticamente pronto e polarizado. Alguns candidatos desistirão no meio do caminho por falta de aceitação popular. A terceira via irá tirar votos de eleitores decepcionados com os dois principais candidatos a presidente do país, porém, não terá fôlego para chegar ao segundo turno.

Por que o Brasil não tem jeito? Porque é um país surrealista, o povo despreza a lógica e princípios éticos e morais. O político não é culpado, culpado é o eleitor que o elege. O eleitor brasileiro não tem ideário, ele não vota no partido político, ele vota no homem ou na mulher por interesse imediato ou o candidato que representa certos segmentos sociais, nunca por ideologia partidária.

Acredito nos institutos de pesquisa, eles refletem a realidade do momento e os resultados não podem ser subestimados. Ultimamente, os institutos dão sua vitória no primeiro turno para presidente do país ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva, todavia, é um paradoxo, pois, em suas aparições públicas, ele é consideravelmente hostilizado pela população. Nas redes sociais sua imagem e seu nome são ainda mais denegridos.

Em um país sério, face sua carga de processos penais, o ex-presidente Lula seria banido da vida pública. Condenado por nove anos e seis meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Operação Lava Jato, ele ficou preso somente 580 dias na Superintendência Polícia Federal de Curitiba (PR). Depois da confirmação acrescida dessa pena pelo TRF-4 e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu contra as prisões após condenação de segunda instância e o colocou na rua.

A jornalista Cristina Graeml foi feliz quando usou o termo “descondenado”, ou seja, o ministro Edson Fachin numa canetada desconsiderou a competência 13ª. Vara Federal para julgar o ex-presidente Luiz Inácio da Silva e o "descondenou". Quem tem sorte mora no morro, cria galinha embaixo, e o ovo sai rolando até em cima: o Plenário do STF reconheceu a decisão da Segunda Turma e declarou Sérgio Moro parcial para condenar o ex-presidente Lula.

O povo não é bobo, ele sabe que esses artifícios jurídicos foram construídos para beneficiar a esquerda política do nosso país, um projeto de poder, se o povo valorizasse a lógica, a consciência política e não o coração, condenasse a corrupção e o corrupto, nenhum poder o subestimaria porque o verdadeiro poder é o povo e a Constituição Federal de 1988 é taxativa no seu Artigo Primeiro: ”Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição".

Se o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, 76 anos de idade, filhos criados, mordomia de ex-presidente da República, tivesse a mesma estatura de estadista de Lech Walesa, Nobel da Paz e presidente da Polônia de 1990/1995, ele não se exporia ao escárnio e às incriminações públicas. Se ele tivesse tido apreço pela sua biografia, entraria na História, assim como Lech Walesa, um sindicalista que virou presidente da República, não um presidente que se tornou presidiário por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.. Nenhum poder satisfaz mais ao ego, ao caráter e ao espírito do que a consciência de retidão e dignidade. O maior legado de um político é seu exemplo de probidade e justiça.

Existe gente que “vende a alma ao diabo” para conseguir seu objetivo, aqueles que “os fins justificam os meios” de Maquiavel, essas pessoas são desprovidas de princípios éticos e morais. É de domínio público o “Mensalão”, o “Petrolão”, os desvios de dinheiro das estatais, fundos de pensão e empréstimos do BNDES que nunca foram resgatados, para Cuba, Venezuela, Bolívia e países africanos em detrimento da saúde, da educação, da casa própria, da infraestrutura e da segurança pública do nosso país, estima-se que esses desvios foram de R$ 500 bilhões, o povo deveria banir da vida pública essa gente. Hoje, essas pessoas aparecem cinicamente, "descondenados", como protagonistas para as eleições de 2022.

Fecho esta crônica na crença que daqui pra lá, o nosso eleitor tenha memória e bom senso, por isto, transcrevo um texto que “pesquei” no Facebook: “Qualquer um que tenha a intenção de eleger um condenado e réu em vários processos como presidente, mostra que seu compromisso não é com o país e sim com o crime”. Portanto, eleitor brasileiro, contribua com seu voto consciente e independente, que o Brasil não mais seja roubado, sem corrupção, sem miséria, sem fome, oportunidade de emprego e oportunidade econômica e social para todos.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Solidão - R. Santana

 


Solidão - R. Santana

     O Aurélio diz: “... solidão é um sentimento de desconexão com o meio que te cerca”, ou seja, a ilha de Crusoé: o indivíduo sozinho cercado pelo ambiente por todos os lados. Quantas pessoas vivem em completa solidão? Milhões de pessoas! Porém, milhões de pessoas têm sentimentos positivos da solidão (solitude) e escolhem com prazer o isolamento, a reclusão e o distanciamento conscientemente, nesses casos a solidão não produz sentimentos danosos na vida do indivíduo, porque é um ato de prazer e de vontade.

     Este texto se propõe refletir sobre as experiências de vida, as histórias de vida, não sobre os efeitos colaterais da solidão: tristeza, angústia, ansiedade, medo, desprezo pela vida, depressão profunda e suicídio, portanto, este texto não se propõe ao estudo da etiologia da solidão, mas seu cotidiano, o dia a dia de pessoas solitárias e pessoas que, mesmo cercada de gente, elas experimentam o sentimento da solidão.

     Eu escolhi alguns depoimentos de pessoas que viveram a solidão e narrativa de indivíduo que fez da solidão seu modo de vida. Veja a história de Paulo Gustavo, professor de português de escola pública de tempo integral:

     “Quando me formei em “Letras”, eu já trabalhava há 2 anos nos principais colégios públicos da cidade, 40h/aula por semana, em cada colégio. Uma carga horária puxada, mas para quem ainda não tinha 30 anos de idade, era um cansaço prazeroso, quando chegava em casa, tomava um banho quente, almoçava bem, um cochilo de 20 minutos e estava pronto para retornar à escola e lá ficar até o último horário/aula da noite. Porém, quando findava a aula e voltava para casa e colocava a chave na fechadura, abria a porta, a casa sem ninguém, as coisas não tinham significado, o medo tomava a minha mente, a ansiedade tomava a minha alma e a solidão tomava conta de mim. Não foram poucas as noites de pesadelo, vontade de cometer suicídio, que findaram quando deixei de morar sozinho”.

     Dona Candinha, velha extrovertida, gostava de morar sozinha, fazia do isolamento social seu modo de vida. Sua casa é simples. Ela mora numa chácara cheia de hortaliças, plantas medicinais, flores e árvores frutíferas, mandioca, cana-de-açúcar, batata doce, inhame, macaxeira, etc.  “Tenho 4 filhos, 2 mulheres e 2 homens e 5 netos. Eles moram no Rio de Janeiro e São Paulo, eu moro no interior de Pernambuco numa Chácara. Quando fiquei viúva, encontrei vários pretendentes, nunca os aceitei, criei os meus filhos e voluntariamente me isolei, passo os dias em minha casa, plantando, colhendo e vendendo os meus produtos. Não tenho amigos íntimos, todos são meus amigos e minhas amigas depois da soleira da porta. Não convido ninguém para almoçar ou jantar comigo. Gosto de viver sozinha, tenho prazer enorme de viver sozinha. Se não fosse pra sobreviver não sairia de casa. É melhor viver sozinha de que mal acompanhada. Só vive na solidão quem não ocupa a mente. Não vivo sozinha, Deus está ao meu lado o tempo todo". 

     O último depoimento é de Iara, moça solteirona, beata e executiva de mancheia numa multinacional:

     “Eu sou executiva duma multinacional. Eu trabalho com muita gente, a maioria, meus subordinados. Trabalho com a realidade e não me desconecto, pois se me desconectar dos problemas reais, serei demitida sem cerimônia. Poderia não sofrer solidão, todavia, esse sentimento surge quando estou no meio de muita gente, às vezes, parentes queridos. Nas minhas folgas, eu comecei pesquisar sites de relacionamentos e encontrei Maurício. Namoramos 2 meses virtualmente e juntamos as nossas escovas depois disso. Maurício era engenheiro civil, fomos felizes por alguns meses, depois, ele ficou agressivo e agredir-me verbal e fisicamente. Registrei B.O. até expulsá-lo de casa. Certa noite, eu fui surpreendia com Maurício em meu apartamento, xingando e agredindo-me fisicamente, num impulso o empurrei na escada, ele morreu na queda”.

     Nas histórias acima, conclui-se que a solidão não é uma doença, é um estado d´alma que a psicologia ou a psicanálise não possa resolver, às vezes, é uma condição de vida. A história de Dona Candinha é a história de milhões de pessoas que resolvem viver na solidão voluntariamente. A história de Paulo Gustavo e a história de Iara representam o dia a dia, também, milhões de pessoas que convivem com muitas pessoas, no trabalho, no esporte, na igreja, no clube, contudo, falta-lhes o apoio emocional dum companheiro ou de uma família quando voltam para casa.

     Enfim, se a solidão não é uma doença, mas um sentimento que lhe pode fazer bem, não use esse sentimento para lhe fazer o mal, o objetivo da vida é ser feliz, pois os problemas existenciais são passageiros, Deus lhe deu a vida, dê-lhe o colorido.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

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Nota biográfica:

Professor aposentado, arremedo de escritor, membro fundador da Academia de Letras de Itabuna –ALITA, ex-vereador de Itabuna, ex-diretor do Colégio Estadual de Itabuna-CEI, assistente administrativo do IMEAM (Secção Sementeira).   Agraciado em 2019 com o título: "Mérito Educacional FTC", pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC e o título de Cidadão Itabunense pela Câmara de Vereadores de Itabuna.

 

O escritor - R. Santana

 


O escritor - R. Santana

     Quando eu o conheci, ele deveria ter uns 40 anos de idade, cor parda, cabelos pretos, barba escura aparada, altura mediana e roupa bem cuidada. Freguês contumaz do “Bar de Pedro”, todos os dias, ele aparecia à mesma hora pra tomar o café da manhã. Eu já sabia seu “Cardápio”: 2 pães com manteiga recheados com fatias de requeijão e 2 médias de café com leite. Emanuel passaria por uma pessoa normal se não sofresse de algum distúrbio mental. Hoje, o sujeito chulo o chamaria de doido pela fixação que ele tinha pela escrita, mas não lia nem escrevia.

     Ele era de pouca conversa, taciturno, limitava-se responder “sim” ou “não” aos que lhe perguntavam alguma coisa, jamais iniciava um papo com quem quer que fosse, não mexia nem remexia a vida de ninguém, para Emanuel, o mundo lá fora não cheirava nem fedia, seu mundo era a escrita e quando alguém com galhofa lhe perguntava a profissão, ele orgulhosamente respondia: “eu sou escritor”.

     Ele enchia cadernos e mais cadernos com “letras” de forma espiral em horizontal ou linhas retas onduladas, se alguém lhe pedisse para ler aquelas garatujas, ele as lia com desenvoltura e delas saiam lindas histórias. Porém, para pessoas “normais”, aqueles garranchos não tinham significado, coisa de doido, para Emanuel, aqueles garranchos representavam as histórias de vida e a sublimação de sua arte de escrever.

     Eu tinha, naquela época, 12 ou 13 anos de idade, acho que era o único que o compreendia em sua loucura, pois na alma, ele era um escritor, sentia a riqueza de sua sensibilidade quando me contava as histórias de “As mil e uma noites” de Sherazade (deve ter assistido o filme), sem esquecer os detalhes da trama ou outras histórias. Suas histórias me deixavam boquiaberto, ele me transportava para dentro do enredo, também, era o único momento que Emanuel se abria, acho que ele sentia como se fosse meu pai, então, o ápice de sua lucidez.

     Naquela época ninguém teve a curiosidade de encontrar naqueles cadernos cheios de “escritas”, sentimentos de traição, de lealdade, de coragem, de medo, de esperança, de ambição, de angústia, de generosidade, de fé, de ansiedade, de prazer, de saudade, de solidão, principalmente, de amor, todos queriam, somente, chamá-lo de doido pela sua excentricidade.

O tempo, o malvado tempo fez que nos separássemos, ele para o ocaso da vida, eu, para o seu começo. Nunca mais nos vimos nem de longe, nem de perto, contudo, nunca o esqueci, em especial, pela verbalização emocionante de suas histórias. Se Emanuel tivesse frequentado alguma escola, certamente, ele teria sido um grande escritor independente de sua psicopatia porque não haveria autocensura em sua imaginação e criatividade.

     Usando Emanuel como gancho é necessário esclarecer que o escritor ficcionista é compulsivo, uma força o empurra para produzir prosa ou verso, porém, nem todo mundo que escreve é escritor romancista, contista, poeta, mas, profissional de saber que precisa registrar seus princípios teóricos ou jornalistas, a diferença é que o ficcionista é um escritor criativo, um inventor de mundos, explora o imaginário, a abstração, a emoção, enquanto os demais escritores trabalham com fatos sociais ou científicos.

Quando conheci Emanuel, despertou em mim o desejo de escrever romance, conto, poema e outros gêneros. Naquela época, já lia como autodidata, os escritores: Machado de Assis, Morris West, Hemingway, Jorge Amado, Gustavo Flaubert, Fiodor Dostoievski, George Orwell, etc. Não lia esses escritores, ávido de conhecimento, mas os lia por prazer e fascinado com o uso da palavra e a criatividade deles. Daí, eu comecei escrevinhar desde 1973, porém, só com o advento da INTERNET, eu pude mostrar as minhas produções literárias. Embora tenha publicado 22 livros virtuais e 2 livros físicos e algumas participações em antologias nacionais, eu sou um desastre como escritor, não sou reconhecido no bar da esquina de minha rua, não possuo seguidores e, quase nenhum leitor.

     Emanuel era louco, aqui, não é o “Elogio da Loucura” de Erasmo de Rotterdam, sátira em defesa da loucura, porém, o escritor e o poeta vivem num mundo imaginário de sonhos, de criatividade, de arte, às vezes, eles se chocam com sua própria realidade e cometem loucuras, a exemplo de Virgínia Wolf, Ernest Hemingway Sidney Sheldon, Hans C. Anderson e Agatha Christie que, sofriam de esquizofrenia, transtorno bipolar e outros estados patológicos que lhes levaram à depressão profunda e ao suicídio.

     Escrever para Emanuel era seu deleite da alma e seu momento de felicidade. Todavia, quando eu escrevo, escrevo para nenhuma coisa e nenhuma pessoa, escrevo para nada, a loucura de ser escritor.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Resumo biográfico:

Licenciado em Filosofia/Matemática, pós-graduado em PSICOPEDAGOGIA, professor aposentado, arremedo de escritor, membro fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, ex-diretor do Colégio Estadual de Itabuna, ex-vereador de Itabuna, 22 livros publicados no amazon.com, Recanto das Letras, Domínio Público, etc. Cidadão Itabunense pela Câmara de Vereadores de Itabuna, administrador do blog Saber-Literário e agraciado em 2019 com o título: "Mérito Educacional FTC", pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC.

As tempestades ficam...

 

As tempestades ficam...

Cara Senhorita Naná:

 

Há meses que pensamos lhe escrever, mas esbarrávamos em conjeturas morais: ficávamos preocupados em magoar, melindrar ou ferir pessoas que nos ajudaram na difícil caminhada que culminou com a morte de nossa filha.

Não queremos polemizar, porém, compreender as atitudes estranhas e os comentários desairosos pela nossa estada em sua casa no ano passado.

Somos seus eternos devedores, por isto, gostaríamos de preservar sua amizade. Jamais Vanda teria, inicialmente, a mesma desenvoltura, o mesmo desempenho na condução do tratamento da doença de Paulinha (não conhecíamos São Paulo), se não contássemos com sua disponibilidade e presteza permanentes. Jamais esqueceremos os préstimos de Chico, e de sua esposa. Jamais esqueceremos o apoio moral de José. Jamais esqueceremos a ajuda de Leninha e tia Nair. Jamais esqueceremos a simpatia de Virgínia e Juvenal e Tavinha.

Por termos consciência de nossa gratidão de nosso reconhecimento que tomamos a decisão pessoal (Vanda não tem conhecimento), de levar ao conhecimento da Senhorita o nosso desapontamento com suas atitudes e lamentamos, a posteriori, ter voluntariamente, lhe causado tantos aborrecimentos.

Nunca falamos mal de sua casa. Já falamos enésimas vezes que a nossa transferência para São Paulo foi em decorrência da comodidade de Paulinha e por não possuirmos um carro disponível e nem recursos financeiros para transportá-la de táxi na frequência que a doença exigia.

Nossos deslizes e nossas falhas foram circunstanciais. Nunca tínhamos saído da nossa modesta casa, e, compulsoriamente fomos empurrados numa cidade grande a mercê da bondade e boa vontade das pessoas, na esperança de salvar a nossa filha. Era uma situação angustiante, difícil...

Não tínhamos aí 03 (três) contas bancárias, não tínhamos nem conta, pois, não tínhamos dinheiro suficiente para abertura de uma conta que o limite exigia: tínhamos sim, 02 (duas) poupanças: uma no Banco Itaú de Santo André; outra, no Bradesco de São Paulo.

Embora sejamos eternamente gratos aos filhos de Deus que fizeram suas doações na compra de bilhetes de 02 (duas) rifas que fizemos, é necessário que se diga para o bem da verdade que os recursos para as nossas despesas pessoais foram oriundos das nossas economias e do meu trabalho e alguns recursos dos irmãos de Vanda, posteriormente, das campanhas que Nilcinha bondosamente promoveu. Esses recursos eram creditados no Bradesco em nome de Ana Paula e sua genitora, isto é, pessoalmente, não os administrei... Somente no dia do nosso retorno, tivemos uma despesa de passagem de avião, embalçamento do corpo e outros encargos que jamais seriam solucionados com as parcas doações que recebemos. Somente o aluguel do apartamento, mandamos naquela época Cr$ 18.000 000, 00 (dezoito milhões de cruzeiros) para D. Fany. É óbvio e racional: são tantas as campanhas e são tantos os problemas de saúde que não há mais uma resposta significativa da comunidade para esses apelos.

Além dessas preocupações financeiras, tivemos outras de cunho moral: Ana Paula já em fase terminal, teve alguém interessada em tecer comentários, censurá-la por um erro juvenil que ela tinha sido vítima da ação de um homem velho e casado e inescrupuloso. Não levando em consideração o seu sofrimento e a gravidade de sua doença. Soubemos de tudo e demos boca calada como resposta.

Porém, de todos os fatos que vimos, soubemos ou sentimos, um, justificaria o nosso desabafo: a indiferença de sua mãe. Ela está aqui há mais de um mês, esteve na casa de Célia, Vandi, Aicê e outros familiares, entretanto, fez descaso e ouvidos moucos aos nossos convites, nem Fany que não é da família e passamos 08 (oito) meses em sua casa, demonstrou tanta falta.

Não somos ricos, mas sempre soubemos receber as pessoas que nos são caras. Se seu pai fosse vivo, ele ratificaria as nossas palavras, pois, fomos honrados várias vezes com as suas visitas.

Naná, nos parágrafos anteriores, usei o verbo na primeira pessoa do plural, porque as minhas ações se confundiam com as ações dos meus familiares, todavia, passarei, doravante, falar pessoalmente o quê penso e o quê sofri durante a tempestade que o destino me arrastou. Começando pelos qualificativos pejorativos confidenciados por você a Aicê: “boca...”, “baixinho”, “pobre”, “feio”, e, “prefiro montar no cabo de uma vassoura”, etc., etc.

Não irei retribuí-los, seria falta de cavalheirismo enumerar e designar os defeitos físicos ou morais duma dama, de outro lado, ainda lhe sou grato pelo que você fez pela minha família e também, tenho consciência dos meus defeitos físicos. Contudo, digo-lhe que sou bom caráter e um ser humano de raras qualidades, é pena que você não me tenha conhecido em circunstâncias diferentes.

Se Deus tivesse invertido os papéis e tivesse me dado a oportunidade de socorrer uma família que saiu do seu “habitat” de sua rotina do dia a dia dos seus colegas de trabalho, dos seus parentes, de sua rotina alimentar e que duma hora pra outra é jogado às intempéries da vida com uma filha adolescente, portadora de uma doença remotamente curável, eu teria agido de acordo o princípio cristão: “Dê com a mão direita que a esquerda não perceba”. Isto significa que quando se faz alguma coisa para alguém não se cobra, não se exige mudanças de atitudes, de comportamento, não se faz juízo precipitado das pessoas e das situações, principalmente, não se promove a animosidade e o ressentimentos entre parentes e conhecidos.

O período que eu passei em sua casa, procurei agir com respeito, carinho e solicitude (minha única preocupação era cura minha filha). Evitei ser um “peso” e assim que foi possível, dividir o aluguel de um apartamento com uma estranha, para não abusar os meus parentes por afinidade mais do que às circunstâncias tinham me obrigado abusar.

Enfim, não quero réplica, não quero polemizar, apenas, tomei esta decisão com o objetivo de esclarecer algum mal entendido, sem ressentimentos e peço a Deus que você ou seus familiares nunca passem pelas experiências que passamos, senão, irá constatar na pele, angústia, desespero e revolta indescritíveis.

Obrigado por tudo e que Deus lhe pague. Fraternalmente, Rilvan Batista de Santana. Itabuna, 30 de julho de 1994.

 

Att.: Esta carta é um documento histórico de 28 anos. Eu a encontrei recentemente, já comida pelas traças, eu resolvi arquivar em meu site do "ESCRITOR" para ser lida pelos meus filhos e netos um dia. Peço desculpa ao leitor por expor esta missiva de cunho particular. 

 

A violação da fé cristã - R. Santana

 


A violação da fé cristã R. Santana

A fé cristã nunca foi tão desrespeitada e vilipendiada tanto pelos pseudos intelectuais, quanto pelos famosos artistas e pelos governos ditadores. Além de eles negarem os fundamentos do cristianismo, os dogmas da fé cristã são arrazoados. Hoje, esses segmentos não reconhecem Jesus Cristo como Filho de Deus, divindade do Altíssimo e figura central da História do mundo. Hoje, as ofensas a Jesus Cristo e as depravações com sua memória e sua imagem são práticas comuns.

Esta semana recebi pelo WhatsApp um vídeo da cantora Daniela Mercury com blasfêmias morais e irracionais sobre o Filho de Deus, durante um show da cantora no Festival de Inverno na cidade de Garanhuns em Pernambuco. No vídeo, ela afirma que Jesus era gay, que a nossa Constituição Federal não é a Bíblia, porque a atriz transsexual Renata Carvalho interpretaria Jesus Cristo na peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” e foi censurada.

Conforme a apuração do jornal Estadão, esse vídeo foi editado e a cantora falava sobre Renato Russo e não de Jesus Cristo. Porém, as falas subjacentes da cantora validam suas blasfêmias e suas condutas inconseqüentes. Por que não um homem, mas uma mulher transsexual? Porque quem escreveu a peça, notadamente, é um gay ou uma lésbica que tem necessidade intima de ser reconhecida pelas outras pessoas, ou seja, uma pessoa pervertida que procura autoafirmação,

A Bíblia não é nossa Constituição, mas sob a égide da Bíblia, são constituídas todas as constituições do mundo, mesmo, nos governos dicricionários. Moisés foi um dos primeiros legisladores da humanidade, “Os 10 Mandamentos” constituem o maior legado de leis da conduta do homem: “Adorar a Deus sobre todas as coisas, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não levantar falso testemunho”, etc. Jesus Cristo resumiu todas essas leis em: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!"’. Esse é o maior e o primeiro mandamento. segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses 2 mandamentos”. Será que existe algum Legislativo que negue estas 2 Leis? Não! Portanto, A Bíblia e a nossa Constituição têm símbolos e subsídios para reprovar as heresias e as condutas que violam a fé cristã.

Mas, esse acontecimento deplorável da cantora Daniela Mercury não foi o único, o Porta dos Fundos “produziu o filme: “A primeira Tentação de Cristo”, que o Filho do Homem assume para família que é homossexual. Toda essa depravação moral é embasada na liberdade de expressão e liberdade de pensamento. Essas pessoas execráveis mexem na santidade das igrejas cristãs, nos seus símbolos há dois mil anos, mexem na formação moral e intelectual das crianças, dos adolescentes e dos moços, ou melhor, eles desestruturam a família tradicional.

Nos países comunistas, cuja bíblia é “O Capital” de Karl Marx, a religião cristã é perseguida, mas, é um problema ideológico, o povo não tem tradição religiosa cristã, o estado faz a lavagem cerebral desde a criança pequena até o velho, porém, não impede que as populações se insurjam quanto ao status quo do estado totalitário e busquem a fé. O governo tem meios para controlar a liberdade de expressão e locomoção, jamais, o controle do pensamento. Ultimamente, o governo da esquerda da Bolívia, na reforma do novo Código Penal, Artigo 88, prevê criminalizar a evangelização e o controle da liberdade de expressão, cuja lei vigorará daqui 1,5 ano, contudo, o povo naturalmente se rebelará antes.

Essa falta de respeito aos símbolos sagrados e a violação da fé cristã pelos ímpios decorrem que o nosso país é secular, as religiões têm liberdade de expressão e de culto, o estado é neutro. Além disto, o cristianismo prega o amor, a ressurreição e a promessa de vida eterna. Jesus Cristo passou pela terra e não se corrompeu, pregou a paz e não a guerra, Ele renunciou a qualquer forma de violência: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também à esquerda” (Mt 5, 38-40). Diferente de outras manifestações de fé, por exemplo, a mulçumana, se alguém desrespeitar os princípios do islamismo e o profeta Maomé será condenado à morte.

Em 1989 o escritor indo-britânico, Selman Rushdie foi condenado à morte pela autoridade religiosa xiita do Irã, o aitolá Ruhollah Khomeini. Rushdie escreveu a obra “Os versos satânicos”, em que Maomé invoca ajuda de três deusas de Meca em contradição ao monoteísmo islâmico do Alcorão. Selman Rushdie também tinha cidadania britânica e se refugiou na Inglaterra pra não morrer.

Rushdie não foi a única vítima dos xiitas muçulmanos por blasfemar Maomé, Taslima Nasrin de Bangladesh ofendeu a cultura muçulmana e refugiou-se na Índia pra não morrer. O jornal Jyllands–Posten da Dinamarca, publicou algumas charges humorísticas de Maomé e, suscitou a revolta e os protestos dos muçulmanos da al-Qaeda pelo mundo com o desfecho de 11 de setembro de 2011 às Torres Gêmeas do World Trade Center nos Estados Unidos.

Dia a dia cresce no mundo a perversão, a depravação, o cinismo, a devassidão, a corrupção, a degeneração, a desestruturação da família tradicional e a generalização do pecado. Os ímpios desrespeitam Jesus Cristo e negam Deus, “Deus está morto” de Nietzsche. Cada vez mais aumenta o séquito de ateus, de vilipêndios religiosos e de condutas morais e intelectuais reprováveis ao juízo de Deus. Para os hereges e agnósticos, as cidades de Sodoma e Gomorra são histórias de ficção da Bíblia, não o berço da depravação e da iniquidade.

Enfim, o pecado deste mundo é grande, porém, maior é a misericórdia de Deus. Jesus Cristo venceu o pecado e a morte e nos prometeu a ressurreição e a vida eterna e com autoridade, Ele afirmou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Ao discípulo Pedro, Ele disse que o perdão é infinito, cabe a cada um pedir perdão dos seus pecados a Deus.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Mãe é um ser social - R. Santana

 


Mãe é um ser social - R. Santana

 

No último dia das mães, quando a família comemorava a efeméride, eu refletia com os meus botões: "Quão o comércio explora os incautos, as pessoas de boa fé e os filhos de coração afetivo?" Todo dia é dia das mães, a boa conduta do filho deve ser o ano inteiro. Mãe é o único amor verdadeiro, ela é capaz de sacrificar sua vida pela do filho. Drummond foi feliz quando escreveu: “Por que Deus permite que as mães vão-se embora? / Fosse eu Rei do Mundo / baixava uma lei / Mãe não morre nunca / Mãe, na sua graça, é eternidade”. Portanto, a mãe deve ser celebrada o ano inteiro, não, um dia no ano.

Porém, mãe é um ser social. O amor da mãe pelo filho ou o amor do filho pela mãe não tem causa genética, mas ambiental e social. Alguém poderá falar mal de mim, que estou amalucado, que estou dizendo asneiras, mas, os fatos cotidianos não me contradizem: pegue um recém-nascido de uma família e o coloque noutra família com as formas e as características físicas semelhantes, ele irá crescer, além da aparência, com a carga afetiva, a conduta e o caráter da família que o recebeu.

O amor do filho adotivo pelos pais é semelhante ao amor do filho biológico, às vezes, a carga afetiva e o cuidado são maiores. Não é exceção o filho adotivo socorrer o pai ou à mãe na velhice mais que o filho biológico. Claro que não são amores diferentes, são amores iguais do filho adotivo e o filho da mesma carne, apenas, fundamenta-se que pai e mãe são aqueles que criam.

Não sei se existe uma pesquisa do comportamento da mãe adotiva e da mãe biológica, a priori, conclui-se que não existe diferença. O amor da mãe pelo filho não gerado é igual ao filho concebido. E, se a mãe nunca teve filho biológico, ela será capaz de colocar o seu pescoço no patíbulo para salvar o pescoço do seu filho adotivo. Também, o amor pelos pais que não tiveram filhos biológicos pelo filho adotado, não morre jamais.

Os exemplos se multiplicam de filhos não concebidos que são mais afetivos e responsáveis que os filhos biológicos. Também, as mães adotivas cuidam com o mesmo zelo os filhos ilegítimos tanto quanto os filhos legítimos em alguma doença ou algum sinistro físico ou material.

O sentimento que une o filho à mãe e vice-versa é construído ao longo do tempo, por isto, é que os teóricos do comportamento humano afirmam que mãe é um ser social e o vínculo afetivo é perene, O instinto maternal se manifesta tanto em relação ao filho biológico quanto ao filho adotivo.

Se um casal alemão, por exemplo, adota um recém-nascido de qualquer parte do mundo, certamente, depois de crescido, essa criança irá crescer com carga afetiva, conduta e caráter da família que o adotou, além da aculturação alemã. Se um dia, ele descobrir que não é filho biológico, talvez, por curiosidade, ele queira conhecer a família biológica, não por necessidade afetiva ou material, mas, para conhecer sua origem de sangue.

O filho bastardo não é diferente do filho de pai e mãe, pouco e pouco, ele absorve os costumes da nova família, dos meios-irmãos, da madrasta ou do padrasto. O vínculo familiar se completa dentro de pouco tempo. Com o tempo a empatia entre os irmãos se completa: mexeu com o bastardo, mexeu com todos...

Usa-se o eufemismo “filho do coração” para suavizar uma relação que a sociedade é subjacente preconceituosa Algumas pessoas acham que o filho que não é biológico não possui a mesma afinidade e prerrogativa. Porém, se for feito um estudo cuidadoso, o processo de conceber um filho é igual ao de ter um filho não gerado: o desejo de tê-lo é movido pelo amor.

Não se pode negar o instinto maternal, ele é congênito até nos animais irracionais, todavia, o vínculo afetivo é construído no dia a dia, nas dificuldades, nas angústias, no sofrimento, nas experiências positivas e negativas. Segundo John Locke, o bebê quando nasce sua mente é “tabula rasa”, como uma folha de papel em branco, a vida se incube de gravar no indivíduo: as experiências, o desejo, o entendimento, a inteligência e a personalidade, estas características formam o sujeito social.

Enfim, a mulher nasce com a função de reproduzir, de ter filho e filha, de aguçado instinto maternal, ela é capaz de sacrificar sua vida pelo filho, porém, o conceito amplo que a sociedade lhe dá, não é inato, ou seja, não existe diferença de mãe adotiva e mãe biológica, a carga afetiva é a mesma, os filhos quaisquer que sejam, amam as duas mães igualmente.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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O direito de morrer- R. Santana

 


O direito de morrer- R. Santana

Um dia depois do meu aniversário (01.06.2022), encontrei-me com o velho Tanaguchi na Praça Olinto Leone. Mais velho e mais lúcido, o tempo carcomia suas carnes, mas, sua lucidez não perdia o fio da meada, ele lembrava de fatos remotos e opinava sobre o dia a dia do homem. Pra tudo tinha resposta, sábio sem alarde de sua sapiência, aos jovens, mais um aposentado do INSS na praça do povo no gozo do seu ócio, distante das novas tecnologias atuais e incapaz de pensar na ciência do futuro.

Aprendi não subestimar sua inteligência e seu conhecimento. Tanaguchi é o senhor do seu tempo, acompanhou o progresso tecnológico e científico do Século XXI, não os domina, porém, conhece sua finalidade. Não se incomoda de ser subestimado pelos jovens e pelos moços, pois entende que não é condição sine qua non do idoso conhecer essas coisas para viver, que é tarefa dos mais novos, cabe ao idoso, somente, aconselhar ao moço os valores morais, religiosos e intelectuais e o significado da vida.

Naquele dia, assim que o encontrei na Praça Olinto Leone, ele surpreendeu-me com sua pergunta:

- A festa de aniversário foi boa?

- Como soube?

- Hoje, as Redes Sociais...

- Meu amigo, pobre não faz ano, faz era! – Tanaguchi quase se engasga de tanto rir.

- Têm quantos anos?

- Tenho os anos que me restam, os anos que já vivi, eu não os tenho mais...

- Certo. O que já passou não interessa, a mesma coisa é querer ressarcir o valor da comida e da bebida que consumiu, porém, não se pode prever quantos anos lhe restam?

- Tanaguchi, no meu caso, eu não faço projeto para o futuro, sigo o Evangelho: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34). Como prever o futuro? Se o futuro é desígnio de Deus?

-Você está certo. O futuro é uma incógnita, eu sei que poucos anos me restam, na minha idade já não sonho mais... Já não mais decido, os filhos e a sociedade decidem por mim, você é o único que me ouve por algum tempo... Os jovens fazem ouvidos moucos quando lhes falo, acham que só sei reclamar das minhas dores da idade, eles não sabem que à medida que envelhecemos, nós adquirimos mais conhecimento e experiência. O conhecimento não se mede pela idade, mas a experiência sim, O vaso da experiência nunca transborda nem envelhece. Deus foi justo quando abreviou os males da idade com a morte, se não fosse a morte a dor do mundo seria maior.

- Tanaguchi, mas se o homem vivesse mil anos, não seria mais justo, visto que é o único animal racional e tem consciência do seu papel no mundo?

- Não! A teoria de Thomas Malthus é atual, a oferta de alimentos é aritmética enquanto a população cresce em forma geométrica. Mesmo com agricultura informatizada, muitos passam fome aqui, ali e alhures. Embora a fome seja um problema econômico (alguns sustentam que não falta comida, mas recursos pra comprar a comida), que não falta comida no mercado, ela torna-se inacessível para alguns pela Lei da Oferta e da Procura. Imagine amigo, se o homem vivesse mil anos?

- Se você fosse um bruxo e tivesse uma vara de condão, como resolveria os males do mundo?

- Ninguém resolve os problemas do mundo, os problemas fazem parte da vida, mas enquanto não se inventa o elixir da juventude, que tal o direito de morrer?

- A eutanásia?

- Não! A Eutanásia em nosso país é uma morte assistida, a família permite que os médicos suspendam todo o tratamento convencional, evitem as dores e deixem o paciente cumprir seu destino. O direito de morrer é um ato de vontade. Quantas pessoas perdem a vontade de viver? A maioria não dá cabo da vida por falta de coragem; outras, convicção religiosa; outras, medo de deixar a família com dificuldade de sobrevivência. Você acha que um paraplégico, um portador de doença incurável, uma pessoa que está vegetando anos em cima de uma cama, não pede a Deus todos os dias para morrer? Não seria mais humano se o estado lhes propiciasse o direito de morrer?

- Tanaguchi, eu não concordo com sua reflexão, as pessoas nessas condições de doença e as pessoas que não são doentes e perderam a vontade de viver, elas precisam lutar até o fim na esperança que a ciência descubra sua cura e as desesperançadas descubram o significado da vida – continuei:

- Meu velho amigo, nada melhor para encerrarmos a nossa discussão que pedir o auxílio de Voltaire: '”Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

- Obrigado!

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Gabinete do ódio - R. Santana

 


Gabinete do ódio R. Santana

          Vercil Rodrigues, professor, advogado, jornalista, membro das academias de letras e jurídicas de Ilhéus e Itabuna, embora boa alma, cordato, diz que jamais cederá seus direitos por imposição física, moral ou intelectual: “Se tenho direito, eu meto o pé na porta e entro”. Isto ocorreu, quando me queixei dos egos e superegos inflados dos membros da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Faz-se necessário dizer que não são todos os membros, mas, os membros que foram indicados pelo escritor Cyro de Mattos, para minha desdita, ele indicou a maioria dos seus membros, logo, a maioria do “Gabinete do Ódio” me considera persona non grata, não bem-vindo à academia de letras desta cidade.

          Sou incapaz de qualquer ato de violência, posso até participar de uma discussão acalorada, apaixonada, todavia, terminou a discussão, termina todos os meus arroubos e não alimento o ódio e a vingança. Sou incapaz de meter o pé na porta, entrar à força, no dia 27 de maio 2017, manifestei através de carta à confreira Silmara Oliveira o meu desejo de frequentar à academia, marcamos um encontro no Shopping Jequitibá, ela levou parte da diretoria e a posição do diretor da revista Guriatã: “Eu ou ele!” Claro, ninguém iria contrariar o escritor Cyro de Mattos, “Doutor Honoris Causa” da UESC, enorme bibliografia, membro efetivo da academias de Itabuna, de Ilhéus e da Bahia, etc., etc., não fui aceito e invertemos o pronome: “Ficou ele!”

         A minha desavença com o ilustre escritor, começou no dia: 05 de julho de 2013, naquela época, eu recebi uma advertência protocolada da ALITA, subscrita pelo egrégio escritor Cyro de Mattos e outros confrades. Esse documento advertia sobre minha conduta numa reunião ordinária que, elevei um pouco a voz, quando defendia democratizar o site e a revista da academia. Naquela época, eu defendi que todos os membros tivessem uma página e uma senha no site da ALITA para publicar suas produções e a revista Guriatã (diretor Cyro de Mattos), tivesse suas produções de textos publicados contemplando todos os membros e não contemplasse só os apaniguados.

          Depois dessa advertência fui praticamente alijado da ALITA, não era convidado pela presidenta para as reuniões ordinárias ou para eleição de nova diretoria. Após algumas publicações com o objetivo de aperfeiçoar a entidade (Bom Senso na ALITA, Site Literário ou Obituário, Contrassenso na Academia de Letras de Itabuna - ALITA, etc.), no dia 10 de março de 2017, os semanários da cidade e o site ICAL publicaram matéria paga pelo “Gabinete do Ódio” com o título: “Manifesto de Desagravo da Academia de Letras de Itabuna – ALITA” e no dia 08 de agosto de 2020, no site ICAL, o escritor Cyro de Mattos, numa conduta antiética e deselegante publicou: “O terrorista Cultural” (Google) com expressões chulas: “...figura inexpressiva”, “...figura grotesca”, “...cabeça grande”, “... temperamento irritado”, “...terrorista cultural”, etc.

          Nas minhas produções da ALITA, jamais denegri nenhum confrade ou confreira, as minhas críticas são administrativas, nunca aceitei o jugo, o cabresto, se cheguei à academia, cheguei por mérito e condução do destino, portanto, cheguei com os mesmos direitos e deveres dos demais membros, não sou antissocial, sei conviver em grupo, porém, clamo justiça e equidade. Se as pessoas não me aceitam como sou, paciência! Não nasci acadêmico, não persigo o imortal nem tenho genialidade para ser imortal, eu sou um ser comum que busca o aperfeiçoamento intelectual e moral dia a dia.

          Não me considero escritor, apenas, eu sou um amante das letras e do uso da palavra correta. Muitos escritores, a exemplo de Jean Paul Sartre e Simone Beauvoir declinaram de convites da Academia Francesa de Letras e Jorge Amado em “Farda, fardão, camisola de dormir” sustenta que é condição sine qua non para entrar em qualquer academia: posição política, social e econômica. Quais as obras literárias de Gilberto Gil e Fernanda Montenegro? Não as conheço! Na música, no teatro, na novela, aí, não se discute o acesso deles na Academia de Música e na Academia de Artes Cênicas.

          Influenciado pelo ex-juiz de direito Dr. Marcos Bandeira, que se referindo à imortalidade literária do escritor Cyro de Mattos, fundamentou: “Para se tornar imortal, basta morrer”, esta afirmação inspirou-me e no dia 18 de julho de 2012, homenageei-lhe com a construção de um texto: “Conheci um imortal”, sem falsa modéstia, mais que um texto em prosa, um poema para se cantar e admirar.

          Eu sei que a Academia de Letras de Itabuna - ALITA está com uma nova direção, não sei ainda o nome do seu presidente, o orgulho ferido me impede cometer o mesmo erro que cometi com a professora Silmara Oliveira, se não fui convocado pelo conselho da entidade, é que ainda continua hostil o inimigo.

          Mário Quintana foi protelado pela Academia Brasileira de Letras - ABL, cônscio que jamais seria seu acadêmico, com genialidade desdenhou dos seus membros com um poeminho: “Todos estes que estão aí / Atravancando meu caminho / Eles passarão / Eu passarinho...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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A vingança é um prato quente - R. Santana

 


A vingança é um prato quente - R. Santana

 

     Não me lembro o ano, já disse aos meus leitores que não sou bom em guardar datas, talvez, seja um mecanismo psicológico de defesa pra não me lembrar da idade, porém, deve ter sido no inicio dos anos 70 que essa história que vou lhe contar ocorreu. Naquela época, as mudanças no ensino se faziam necessárias, o famoso “decoreba” estava em extinção, os mestres exigiam que seus alunos entendessem e correlacionassem os conteúdos e não os decorassem apenas.

     Antes que algum incauto faça a correção do título, eu o farei antes: depois que Mário Puzzo, na fala de Dom Corleone: “a vingança é um prato que se come frio”, isto é, a ação de vingar tem que ser paciente, fria, sem pressa, momento certo, oportuna, sem atropelo, enquanto “a vingança é um prato quente”, que significa que a desforra foi de imediato, no calor do ódio, a punição.

     Renato, um rapaz alto, simpático, inteligente, mas gozador e insidioso. Quando em vez, ele debochava comigo por causa da minha altura: “este baixinho quando crescer...”, eu ficava fulo da vida, porém, não lhe dizia nada (apelido quanto mais se rejeita, mais fica), doía muito quando fazia graça na presença de Maria da Conceição, menina que eu a desejava no fulgor e paixão de minha juventude.

     Nunca fui aluno brilhante, a inibição e a timidez me acompanharam sempre, o raciocínio não fluía bem em público, as palavras não saiam com facilidade, “a primeira impressão é que fica” me foi tirada, passava a impressão de aluno obtuso, salvava-me o gosto pela leitura e o gosto pela escrita. Na escrita o adversário se apequenava não diante do aluno mais brilhante, mas do mais esforçado. O domínio do conteúdo e o dom da escrita me faziam aluno diferenciado nas avaliações da escola.

     Naquele dia, prova de Biologia, eu e Renato ficamos na mesma fileira das carteiras escolares, minha carteira na frente da sua carteira, as minhas costas impediam que ele colasse as minhas respostas, fi-lo de maneira propositada, Renato não tinha a visibilidade de minha prova, mas poderia lhe dar as respostas com o artifício do papelzinho por baixo da carteira com a mão esquerda.

     Naquele dia distante, eu e Conceição flertávamos quando Renato se aproximou de onde estávamos:

- Colega, esta moça não é pra nanico, é pra homem crescido... – tive um momento raro de presença poética:

 

- Renato, todos nós somos pequenos diante dos mistérios da natureza, talvez, eu seja o galho que irá sustentar essa flor da terra do cacau – Maria da Conceição achou genial, porém, eu saí dali com a autoestima lá embaixo...

 

Day After:

 

O professor passou entre as fileiras distribuindo as provas de Biologia, quando eu a abri, notei que era uma prova objetiva de 10 quesitos com alternativas: “a”, “b”, “c” e “d”. Com a cabeça de matemático, de imediato, calculei que teria de assinalar 10 respostas certas em 40 perguntas. Olhei de esguelha a prova de Renato e percebi que era a mesma prova, não demorou muito, ele cochichou que não sabia nada e queria que o ajudasse, fi-lo com prazer e maldade: dei-lhe todas as alternativas erradas.

 

Uma semana depois, o professor Salvador devolveu as provas, nominando o aluno, a nota e alguns comentários depreciativos:

 

- José Carlos, 7,0 (sete), nota razoável...

 

- Conceição, 6,0 (seis), estude mais, senhorita!

 

- Eliane, 9,0 (nove), ótimo...

 

- Renato, 1,0 (um), estude mais rapaz, que vergonha hein?

 

- Narvil, 9,5 (nove e meio), acrescentou: - ótima avaliação rapaz, eu não lhe dei 10 (dez) porque é perfeição, não dou dez nem zero!

 

- Mateus, Fabrício, Manoel, Antônio Pedro...

 

     Fiquei de espreita que o professor terminasse de entregar todas as provas. Certamente, ele iria usar as 2 aulas do seu horário, pois, ele fazia comentário de cada prova. Nesse dia, Renato estava sentado distante de mim, pensava como iria reagir quando estivéssemos fora da sala, achei que ele iria agir com grosseria ou agressividade, aliás, ninguém reage bem ser reprovado numa avaliação escolar, porém, fui surpreendido.

 

     Já distante da escola, ele me alcançou:

 

- Narvil não se apoquente, eu não estou zangado pela nota baixa que tirei. Claro, ninguém gosta de ser reprovado na IV unidade já no fim do curso “científico”, mas, o professor me deu e aos demais uma nova chance na próxima semana...

 

- Renato desculpe-me, depois que me vinguei do seu preconceito, não fiquei aliviado, sim, com a consciência pesada. Tu mexeste com a minha autoestima junto de Conceição, hein?

 

- Fiz uma brincadeira. Aqui, muitos me chamam de “Macarrão 18”, nunca levei a sério, senão, havia brigado com alguns que são desrespeitosos, não brincalhões, - fez uma pausa e continuou:

 

- Eu lhe admiro pelo foco, determinação e seriedade, nunca lhe vi sorrir, sempre só, com exceção de Maria da Conceição, porém amigo, a vida é muito mais, tristeza não paga dívida, a vida é curta e do mundo nada se leva...

 

     Não fiz contraditório, suas palavras mexeram comigo, a minha conduta foi abjeta, só fiz lhe dizer:

 

- Perdoe-me Renato, a minha conduta foi execrável...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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O direito à vida - R. Santana

 


O direito à vida

R. Santana

 

Não concordei com as ideias de Tanaguchi que defendeu em nosso último encontro: “O direito de morrer”. Não o procurei no dia seguinte, mas, um mês depois. Não tive dificuldade de reencontrá-lo, sempre na mesma praça, no mesmo jardim, centro da cidade de Itabuna. Acho que alguma pessoa lhe traz lembrança afetiva nesse lugar. Uma vez justificou seu apego à praça:

- Meu amigo, esta praça, com todo desleixo do município, ela é aprazível e significativa na história da cidade... Tu sabes quem foi Olinto Leone?

- Claro, foi o primeiro intendente da cidade, ou seja, o primeiro prefeito de Itabuna em 1910! - acrescentei:

- Tu vens de longe só para honrar a memória de Olinto Leone?

- Não! Eu gosto destas árvores, gosto dos pássaros que nelas regurgitam, eu gosto dos macacos que pulam de galho e quando alguém coloca comida no chão, eles descem numa velocidade e perícia inigualáveis e pegam a comida e sobem na árvore como um raio! – puxei o assunto:

- Então, porque tu defendes o direito de morrer? Se a vida é bela e um dom de Deus?

- Meu amigo, tu és inteligente, o direito de morrer é quando a vida não tem mais significado para alguém que a vida é sofrimento e aflição. A vida é boa quando se tem o prazer de viver. Se o homem tem o direito à vida, consequentemente, ele tem o direito de deixar de viver. O homem tem o direito de morrer, não de matar.

- Tanaguchi, a vida é um mistério... O direito de morrer é o suicídio consentido. Tu acreditas em milagres?

- Não, religioso!

- Como assim?

- Acredito como vontade de viver. Se alguém introjeta na mente que não quer morrer, mas viver, essa energia positiva fará que a vida não se vá, aí alguém interpreta como milagre divino, eu interpreto como energia de vida.

- Bem, a maioria é inspirada na fé, outros inspirados na ciência, porém, o que vale é o resultado. Se alguém desenganado da vida obtém uma graça, é motivo de agradecer a Deus ou à ciência a cura de sua enfermidade. Se a cura veio do alto ou da vontade de viver é de somenos importância.

 

- Eu concordo contigo, o importante é o resultado, todavia, nos afastamos do foco principal: o direito de morrer. Sustentei desde o início que cabe ao homem de acordo às circunstâncias, ele escolher entre viver ou morrer, isto é, viver no sofrimento e aflição ou escolher entre o suicídio e a eutanásia, portanto, é de foro íntimo a decisão de morrer.

- Tanaguchi, meu amigo, faz muito tempo que li os diálogos de Platão: Górgias e Fédon. Não me lembro qual dos diálogos, Sócrates usando a maiêutica, método socrático, questionava seu interlocutor sobre a virtude, à medida que seu interlocutor conceituava a virtude, Sócrates levantava novos questionamentos e à medida que o diálogo avançava, o interlocutor se confundia com as perguntas socráticas, dado momento, o interlocutor irritou-se, que já tinha feito dezenas de discursos sobre a virtude e ali estava aturdido sem conseguir definir a virtude e comparou Sócrates a um animal marinho que entorpecia suas presas quando essas se aproximavam... – e concluiu:

- Tanaguchi, resguardando a importância filosófica e histórica de Platão e os protagonistas da obra Górgias ou Fédon, tu és um intelectual nocivo, tua lógica é fria, tu não tens alma, tu não acreditas na religião como fonte de fé, tu cultuas a ciência, entretanto, Deus permitiu ao homem o conhecimento. Sem Deus nós não somos ninguém, "não cai uma folha da árvore se não for permissão de Deus". Tu aceitas até como ciência o aborto, né Tanaguchi?

- Vós sabeis que sou ateu, na melhor das hipóteses, eu sou um agnóstico. Não responderei tuas perguntas hoje. Fique feliz ao ser comparado com Sócrates. Amanhã estarei aqui se também estiverdes, colocaremos tudo em pratos limpos. Se tu não aceitardes o meu convite, é que não houve interesse, portanto, ficará o dito pelo não dito.

- Só se tu prometerdes uma coisa?

- O quê?

- Usar o verbo na 3ª. pessoa...

- Combinado!

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Desagravo - R. Santana

 


Desagravo - R. Santana

Desagravo

R. Santana

 

O autorrespeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo.” (Abraham Lincoln)

 

No dia 12 de agosto, recebi por e-mail um “Edital de Convocação da ALITA”, assinado pela secretária da entidade, a confreira Lurdes Bertol Rocha, em nome do presidente da entidade, o confrade Wilson Caitano de Jesus Filho. Para mim foi uma surpresa, ainda cheguei manifestar esta surpresa com a digníssima confreira, ela justificou, educadamente, que devido à pandemia, as reuniões da ALITA tinham sido comprometidas. Confessei-lhe minha ignorância informática, que nunca havia participado on-line de nenhuma reunião ou videoconferência, ela instruiu-me como acessar o vídeo e enviou-me o login.

 

Criei expectativas, prometi deixar de lado todos os ressentimentos e mágoas antigas, a minha filha recomendou-me: “... meu pai vá de espírito desarmado, não desenterre esqueletos...”, ouvi-lhe, mas, a priori, eu já havia internalizado não mexer em nada que comprometesse o meu retorno à entidade literária, fui de coração aberto e alma pura.

 

Quando acessei o login, esperava algum registro do meu retorno, ledo engano, todos ficaram impassíveis como se a minha presença não tivesse significado, mesmo assim, mantive-me ouvido e boca fechada e solicitei um aparte, fui orientado deixar pra depois da pauta, na fase “o que ocorrer”. Não tive pressa, esperei as discussões findarem e quando a fala me foi concedida, agradeci ao presidente Wilson Caitano e aos demais diretores (tinha consciência que não foi um ato isolado, porém, de toda a diretoria), disse-lhes que estava ali de coração aberto e pedia desculpas por alguns erros do passado, mesmo que atos involuntários.

 

Porém, ele estava lá, o meu “inimigo”, aquele que não gosta de mim, o acadêmico e escritor Cyro de Mattos, aquele que criou a narrativa que xinguei os membros da academia em sua crônica: ”O terrorista cultural”, aquele que entorpeceu a mente dos seus pares e me condenou não mais frequentar a entidade de letras de Itabuna, que sou uma pessoa de “pavio curto” e perigoso!...

 

Quando fiz os meus agradecimentos, ele usou da palavra e questionou a confreira Lurdes Bertol, ela lhe respondeu que foi a assembleia que decidiu a minha convocação, a secretária explicou que não havia decidido sozinha, que ficou acordado nessa reunião que fossem convocados os membros que tinham e-mail na entidade. A diretora de comunicação e marketing, Raquel Rocha, compreendeu o meu constrangimento, parabenizou-me pelo meu desprendimento, pela minha humildade, todavia, sugeriu que as minhas desculpas fossem manifestas publicamente.

Não é verdade que denegri meus pares, nem os caluniei, nem os detratei, nem os vilipendiei, nem os difamei, nem os rebaixei moralmente, sempre os tratei com deferência e lhes atribuo os títulos profissionais sempre. Debati ideias, métodos administrativos, organização institucional e controle tendencioso da revista e do site.

Nesta oportunidade, quero conclamar ao espírito cristão e público do escritor Cyro de Mattos, que com humildade e sabedoria incorpore em sua vida a lição de Jesus Cristo: “Mestre, quantas vezes devo perdoar uma pessoa que me ofende: até sete vezes?”. Essa pergunta é feita por Pedro, no evangelho de hoje, de Mateus 18,21-35. Jesus responde a Pedro e a todos nós: “não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete!”.

 

Além disto, dizer ao confrade Cyro de Mattos que a principal obra do homem, a obra que fica, é o exemplo. Nascemos não para apontar o dedo para o outro, porque quando se aponta o indicador para alguém, o polegar volta para si: “hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

 

- Confrade Cyro de Mattos, o homem de 83 anos de idade que adquiriu e produziu muito conhecimento, mas que não adquiriu sabedoria e bom senso cartesiano, a vida não lhe vale a pena. Com 83 anos de vida, é tempo de jogar fora todas as tralhas de sua vida, jogar fora todos os seus ressentimentos, ódios acumulados, egoísmos recalcitrantes e perseguições inúteis, é tempo de orar e vigiar para que o encardido não lhe tome e corpo e a alma e não tenha a benção de Deus para uma vida eterna.

O homem generoso, solidário, humilde de coração, que sofre a dor do outro, que pratica a empatia, sua passagem na terra é lembrada sempre, seu retrato na parede honrará todas as gerações, diferente daquele que suas obras são empanadas pelo ressentimento, pela prática do ódio e falta de amor ao próximo.

Eu sei, a priori, que a confreira Raquel Silva Rocha não irá me compreender nem me perdoar, mas o homem sem liberdade e sem dignidade, ele é melhor morrer. As honrarias, os cargo e o poder são efêmeros, porém, a consciência do bem e não do mal, alimenta o coração e a alma. Não vale a pena continuar sob a condição sine quo non da humilhação.

 

Os finalmentes:

Eu gosto de evocar sempre as palavras do poeta Mario Quintana, quando lhe foi negado, várias vezes, seu acesso à Academia Brasileira de Letras-ABL: “Eles passarão, eu passarinho...” Hoje, é a academia de Fernanda Montenegro e Gilberto Gil... Bairro São Caetano, Itabuna (BA), 19 de agosto de 2022, Rilvan Batista de Santana

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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João Leal - R. Santana

 


João Leal

R. Santana

 

          Eu o conheci jovem adulto nos meados dos anos 60, no armazém do seu pai, no início da Avenida Cinquentenário. Naquela época, o armazém de Osmar Cearense, seu pai, era o principal comércio de atacado de Itabuna, lá, ele vendia: cigarro, fósforo, whisky, cerveja, refrigerante, carne-de-sol, jabá, sal, farinha, leite em pó, bacalhau, etc. Ele abastecia as bodegas da periferia itabunense, os bairros mais centrais e até as pequenas cidades circunvizinhas, como um grande “ATACADÃO” de hoje.

          João Leal era diligente no trato com a freguesia, todos eram tratados com o cuidado de vendedor, só uma vez que seu pai lhe reclamou no meio dos fregueses, é que João Leal chamou, impensadamente, um cidadão de negro, “aquele negro...”, foi o suficiente pra que, daquele dia em diante, ele não chamasse mais ninguém de negro, não lhe deu uma sova, mas, ele marcou várias lições de Moral e Cívica e João Leal foi estudar como castigo.

          Naquela época, não se conhecia discriminação de cor da pele, segregação, não se conhecia homofobia, "gordofobia", não se conhecia LGBTQ+, todos nós éramos inocentes, não havia maldade, homem era homem, mulher era mulher, negro era negro e branco era branco, família tradicional e todos nós convivíamos em perfeita harmonia, todos nós éramos irmãos, depois que surgiram novos costumes e novos comportamentos, o mundo ficou imundo.

          Osmar Cearense era um gentleman, se ralhou com seu filho para que não chamasse o seu freguês de negro, o fez por educação, exemplo, para que seu filho soubesse respeitar seu semelhante não pela cor da pele, mas por ser um ser um filho de Deus. João Leal cresceu nesse lar de princípios morais, éticos e de amor ao trabalho. Osmar Cearense dizia que “o trabalho dignifica o homem e enobrece a alma” e “a educação forma o coração e a razão”.

          Muitos anos depois, Osmar Cearense morreu, o armazém foi vendido ou alguém fechou suas portas e a família cearense dispersou-se. Nessa época que reencontrei João Leal, mais velho e mais gordo (obesidade genética), no café do “Bar de Pedro”. Não bebia nem fumava, aliás, ele não tinha vício, disciplinado, comia o necessário, não se empanturrava de doce e o café era com adoçante, não com açúcar, mais frutas do que massa.

          Nesse tempo, João Leal licenciado em Letras, ensinava inglês e português nos principais colégios desta cidade e na cidade de Uruçuca, no colégio do prof. João Arbages, antigo mestre e amigo.

          João Leal era um bonachão, incapaz de qualquer maldade com o outro. Grandioso, eloquente, possuía o dom da palavra, nos eventos das escolas que trabalhava, sobressaía-se como orador ímpar. Lia com frequência Cícero e tomava como exemplo, a resiliência e a determinação do grego Demóstenes que se tornou o maior orador de todos os tempos.

          Babava quando João Leal chegava ao “Bar de Pedro” pra tomar café e lhe pedia que recitasse as “Catilinárias”, ele, com voz empostada e gestos e expressões faciais, acusava o senador Catilina como se Marco Túlio Cícero fosse e em latim. Lembro-me da primeira frase: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?” Para mim estudante de escola pública, era um deleite ouvir as “Catilinárias” com tanta propriedade e originalidade poética.

          Se ele fosse ator, teria sido um Shakespeare, um Antônio Fagundes ou um Tony Ramos da dramaturgia... Certa feita, ele ensinava na escola de Celina Braga Bacelar e a parte financeira da escola não ia bem, por isto, os atrasos salariais com professores e fornecedores, João Leal lhe chamou à parte, desembrulhou uma peixeira suja de sangue e de maneira dramática, ele apelou para Celina Braga Bacelar: “Professora, esta é a peixeira que o açougueiro disse que vai me matar se não pagar o que lhe devo até amanhã”, de imediato, ela o chamou num canto e lhe disse: “Olhe, todos são meus benjamins, mas você é meu bem querer...” e desembuchou tudo que lhe devia.

          O homem nasce com sina mais livre arbítrio. Alguns têm tanta sorte que tudo que faz dar certo. Ultimamente, qualquer imbecil de sorte vira celebridade no mundo midiático. João Leal foi determinado, mas a sorte não lhe sorriu embora de cultura singular, sempre com dificuldade financeira e existencial. Poliglota, ensinou inglês na maioria dos colégios daqui e noutras cidades circunvizinhas e morreu pobre.

          Hoje, arrependo-me e peço perdão a Deus num dia que não lhe fui solidário. Eu o encontrei num ônibus urbano, com listras vermelhas no pescoço, na época, indicativo de tratamento de câncer. Cumprimentei-o an passant, pois, eu fiquei comovido, sabia que aquilo seria o final e foi... Sei que Deus o recebeu em sua Glória e seu exemplo ficou para sempre aqui na terra.

 

Autoria:Rilvan Batista de Santana

LIcença: Creative Commons

 

 

 

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