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1.26.2026

Deus existe? - R. Santana

Deus existe?

R. Santana 

Quando rapazinho, eu estudei o 4º. Ano Ginasial (9ª. Série), no Colégio Firmino Alves que funcionava em frente ao Conselho Nacional do Produtores do Cacau (CNPC). Eu estudava à noite, aliás, naquela época, uma escola de ponta, lá, havia uma equipe docente de altíssima qualificação profissional.

Naquele primeiro dia de aula, apresentou-se um professor negro que iria nos ensinar Geografia. Era um negro alto, simpático, mas afetado (naquele tempo, ele era diretor administrativo da rádio “Difusora Sul da Bahia”, depois de algum tempo, advogado, juiz e desembargador), no término da aula, ele deixou escrito no quadro-giz, alguns questionamentos para que pudéssemos refletir. Particularmente, eu procurei desenvolver esses questionamentos existenciais o tempo todo e, até hoje eu ainda me pergunto: “Quem sou eu, de onde vim e para onde vou”? Essas perguntas são axiomas que exprimem princípios verdadeiros sem interferência lógica aristotélica. Quando algum sabichão tenta respondê-las, ele envereda-se numa teia de conjecturas e as respostas nunca satisfazem. Tudo que beira à metafísica, o abstrato está acima do concreto.

Deus é um ser que não se tem prova, mas evidência. Muitas pessoas se desesperam para compreender os planos de Deus ao invés de se contentarem com seus propósitos.  Os teólogos e metafísicos caracterizam Deus como um ser onisciente (saber absoluto), onipresente (está em todos os lugares), onipotência (poder eterno), eternidade (sempre existiu e existirá) e imutabilidade (não muda). Particularmente, acho que os atributos de bondade, justiça, santidade, misericórdia e amor nivelam o ser (Deus) ilimitado ao ser (homem) limitado, por isto, a proliferação de agnósticos e ateus. Para o agnóstico Deus é uma verdade intangível, abstrata que jamais será atingido fisicamente, senão, pelo pensamento cartesiano. Parodiando René Descartes: “Penso, logo, existe”.

Para Friedrich Nietzsche, Deus não existe, inclusive, baseado nos ensinamentos de Jesus Cristo: “Jesus questiona que pai daria uma pedra se o filho pedisse pão, ou uma cobra/escorpião se pedisse peixe”? Ora, se Deus é o Pai, por que Ele permite tanta dor e sofrimento no mundo? E, tantas injustiças? Tantos desastres ceifando a vida dos inocentes? A resposta é que os desígnios de Deus são para serem aceitos, não compreendidos. Ele não deixou o determinismo, mas, o livre arbítrio, muitas coisas de ruins acontecem pela ação do homem, não por sua permissão.

O homem quando nasce é uma “tabula rasa”, conforme o pensamento de John Locke, nós somos nossas circunstâncias, somos tudo que adquirimos ao longo do tempo. A experiência, o conhecimento e a sabedoria vão se consolidando nessa “tabula rasa” até formar o sujeito cognitivo e personalidade individual.

Quando era adolescente, incomodava-me quando alguém dizia: “Deus castiga”, não podia fazer isso ou aquilo que Deus castigava, os nossos pais usavam este expediente à beça. A Igreja católica difundia três planos transcendentais para punir os maus e premiar os bons: - o paraíso, o inferno e o céu. Os recuperáveis iam para o paraíso, os que não tinham mais nenhuma recuperação, eram fadados ao fogo do inferno e os santos pecadores iriam para os céus.

Nunca acreditei na promessa do Deus da Bíblia: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido" (Salmo 91:7). Se todos nós somos seus filhos, Ele se manifestar a favor de um em detrimento dos demais, aceita-se o simbolismo pela fé.

Para responder às questões dos ateus, que se Deus existisse, não haveria tanta dor e sofrimento no mundo que, justiça para os justos e punição para os injustos. Claro que os percalços da vida não são tão fáceis de explicar. A existência é um mistério, embora o nosso destino não seja determinado a priori, se não soubermos usar a nossa liberdade (livre-arbítrio), a vida é um fardo. Para justificar essas indagações, que Deus não interfere em nossas ações e a natureza responde às más ações do homem, no livro de minha autoria: “O homem nasce para ser feliz?”, tive o propósito de esclarecer o bem e o mal, embasado em minhas observações e justificar a “ausência” de Deus, com a teoria do “Mundo das Possibilidades”, Capítulo IV, vejamos:

O livre-arbítrio e o determinismo sempre mexeram com a cabeça dos pensadores. Hoje, ganha fôlego o princípio filosófico do livre-arbítrio, pelo menos para explicar as ações humanas e o maniqueísmo filosófico do bom e do mal, ou seja, o homem, animal racional, possui o livre-arbítrio de escolher Deus ou o Diabo, o certo ou o errado. Às vezes, o determinismo ganha mais força para justificar o inexplicável, principalmente, junto ao homem simples, é comum alguém dizer: “... foi o destino, Deus quis assim...”, isto é, como se tudo tivesse predeterminado, decerto, é a maneira do homem simples racionalizar o imprevisto. O determinismo é a teoria do fatalismo, mecanicista, as coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão a priori de ser, veja o exemplo do que ocorre com as castas sociais hindus, elas são predeterminadas, um pária (casta inferior) não tem o direito de aspirar sua ascensão social ou religiosa, pois lhe é negado desde o nascimento esse direito pela sociedade e pelo sistema religioso brâmane. A História da Humanidade não pode ser reduzida à malícia da serpente, à fragilidade de Eva e à ingenuidade de Adão, que instigado por Eva, Adão usou o seu livre-arbítrio e comeu a fruta do conhecimento (mesmo ameaçado de morrer e expulsão do Éden) do bem e do mal, a fruta do pecado, a maçã, a fruta do amor... de lá pra cá, somos todos vítimas do pecado original, ou seja, nascemos com o estigma do determinismo do pecado original. Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre-arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócioambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades: a) Necessárias; b) Contingenciais; c) Reais. Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como ideia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”. A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão: -Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata. - Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde... - Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido. As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias... A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócioambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco. O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo. O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre-arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”. Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos. “O homem nasce para ser feliz?” (Autor:  Rilvan Batista de Santana, Cap IV)

As doutrinas religiosas e filosóficas: monoteísmo, politeísmo, panteísmo, deístas, teístas, judaísmo, islamismo, etc., discutem Deus mas, não provam a existência de Deus porque, Ele se aceita pelas evidências, O maniqueísmo entre o bem e o mal sempre existirá. Deus é uma possibilidade existencial necessária que se impõe por si, mesmo que alguém O negue. Deus está na categoria Kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

Enfim, Deus existe, não é o Deus da Capela Sistina de Michel Ângelo, é um Deus inteligente e eterno, uma verdade absoluta. O caminho para chegar a Deus é a fé. Quem é cristão, Jesus Cristo deixou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. A eterna atriz Dercy Gonçalves, numa entrevista com Sílvio Santos, declarou: “Eu tenho meu Deus, quando faço alguma coisa errada, Ele dá uma lapada!”, talvez, ela tivesse tido razão...

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1.25.2026

Pensamentos de Ademilton Batista

 

Ademilton Batista

Pensamentos de Ademilton Batista

⁠"Todo Mundo é Louco o Suficiente para Ser Normal"

Ademilton Batista

⁠”A pior dor da vida pode não ser a morte. Mas, não poder viver a sua existência e experimentar das suas experiências e vivências."

Ademilton Batista

⁠⁠“Procura-se

“A Alma perdida do Ser Humano,
Enquanto Ele ainda é Humano!”

“Nela, permite-se introduzir a “Poesia” com todas as belezas e encantamentos que ela possui e um sentido”.

“De então, retornar ao Humano que restou, dando-lhe um pouco de alegria ao Ser."

Ademilton Batista

⁠”Um segundo é minha vida,
Um minuto é meu dia,
Uma hora é o tempo limite
da minha espera”.
Ademilton Batista


Fonte: Pensador
Foto: Google

Nada a Temer, a Não Ser o Medo

Nada a Temer, a Não Ser o Medo

Por Robert J. Tamasy

Foi o presidente Franklin D. Roosevelt quem disse em seu discurso inaugural, em 1933: “Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo.”  Se estivesse vivo na ocasião poderia me sentir tentado a responder: “Ah, é?  É fácil para o senhor dizer isso!”  Roosevelt tinha razão, entretanto, porque o medo pode ser uma emoção poderosa e paralisante, que nos impede de fazer algo, e até mesmo de tentar aproveitar oportunidades promissoras. 

Um amigo, David Sanford, escreveu sobre cinco tipos de medo que contaminam os profissionais:

  • Medo do silêncio – tirar tempo do trabalho para refletir, rever previsões, pensar criativamente e planejar.
  • Medo de compartilhar – apresentar ideias iniciais ou esboços imperfeitos para que outras pessoas analisem e critiquem. 
  • Medo de vender – promover conceitos, produtos, propostas e recomendações refinadas.
  • Medo de rejeição e fracasso – preocupação sobre o que os outros podem dizer sobre nós.
  • Medo do sucesso – de que os outros possam esperar mais de nós casos sejamos bem-sucedidos. 

Todos podemos nos identificar com pelo menos um desses medos, possivelmente com todos eles. Diversos me são familiares. Deixar de lado o trabalho para pensar, imaginar e planejar às vezes vai contra a minha natureza:  “Eu deveria estar fazendo alguma coisa, não pensando!” Mas se não fizermos pausas em meio à atividade frenética, como saber se estamos fazendo a coisa certa ou fazendo-a do jeito certo?

Vender nunca foi meu ponto forte, como aprendi bem cedo, ainda na faculdade. A perspectiva de persuadir uma pessoa a comprar um produto fazia com que sentisse como se estivesse tentando torcer seus braços pelas costas. Penso que todos nós passamos por momentos em que hesitamos em seguir adiante, lutando com o pensamento: “E se eu tentar fazer o melhor que puder e, ainda assim, fracassar?” 

Mesmo agora, no estágio mais avançado da minha carreira, me pego lutando contra esses medos algumas vezes. Então, tento lembrar a mim mesmo verdades como: “Se eu não tentar, o fracasso é garantido.” Ou, colocando de outro modo a Regra de Ouro, “Venda para os outros como gostaria que eles vendessem para você.”

Descobri que a verdadeira forma para vencer o medo não está em frases inteligentes, mas em confiar em Deus, Sua sabedoria e orientação. Aqui estão algumas passagens que descobri serem úteis a esse respeito:

Fé na presença de Deus. Quando enfrentamos situações que nos assustam e causam medo, saber que Deus está conosco em meio a elas nos traz confiança e esperança.  “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com a Minha mão direita vitoriosa” (Isaías 41.10). 

Confiança no amor de Deus. Como filhos de Deus, cremos em Sua soberania – Ele conhece nossas circunstâncias e está no controle. Portanto, podemos confiar que Ele as usará para nosso bem. “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1João 4.18). “Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai’” (Romanos 8.15). 

Certeza de que Deus pode lidar com nossos obstáculos. Quando os problemas parecem grandes demais para podermos lidar com eles, temos a segurança de que Deus é maior do que nossos problemas: “Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31). 

Queria terminar perguntando-lhe o seguinte: Como você está lidando com os medos que assaltam sua vida?

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Com qual dos tipos de medo relacionados você se identifica mais?  Explique sua resposta.

2. Você geralmente luta com outros tipos de medo que não estão nessa lista?  Quais são eles e quando você se depara com eles?

3. Como você geralmente tenta lidar com esses medos?

4. Que diferença a fé em Deus faz quando surgem esses medos?  Você acha que Ele está preocupado com os seus medos e ansiedades quando você lida com eles no seu dia a dia, inclusive no trabalho?  Por quê?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 118:6; Jeremias 29.11,13; Filipenses 4:6-7; 1Pedro 5.7; 1João 4:4. 

 

 

1.24.2026

Escolher ou Recusar Beber o Cálice - Sergio Fortes ​

 


Escolher ou Recusar Beber o Cálice

Por Sergio Fortes

Seja em nossa vida pessoal ou profissional, há momentos em que parece que nada funciona. Não importa o que façamos — tudo dá errado. Sentimo-nos como se tivéssemos chegado ao fim, seja em nossa carreira, na luta para alcançar um objetivo importante ou salvar um relacionamento valioso. Nossas mentes ficam sobrecarregadas com pensamentos negativos. Amigos e parentes próximos parecem distantes, deixando-nos cercados por sentimentos de solidão. A destruição pressentida parece ser apenas questão de tempo. 
 

Acreditamos que tudo o que importa, seja no mundo corporativo, nossas buscas pessoais ou mesmo em nossas vidas espirituais, é o sucesso. Se nossa história não é a de alguém bem-sucedido, só pode ser uma coisa: um fracasso. Infelizmente, ninguém está interessado no fracasso.


Em seu livro, “Here and Now” (lançado no Brasil com o título, Mosaicos do Presente), o escritor Henri Nouwen, destacado expoente da espiritualidade século passado, nos lembra que os episódios da vida se alternam, num fluxo e refluxo natural: alegria e tristeza, sucesso e fracasso, saúde e enfermidade, do mesmo modo que as estações do ano. A Bíblia tem muito a nos falar sobre essas estações. Na verdade, o Antigo Testamento afirma: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de derrubar e tempo de construir”(Eclesiastes 3.1-8). 
 

Durante Seu tempo na terra, Jesus Cristo de Nazaré considerou os momentos de dor e fracasso como partes integrante de Sua vida. Falando a Pedro, um de Seus seguidores mais chegado, e o mais impulsivo, Ele o repreendeu na noite em que foi traído: “Guarde a espada!  Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai Me deu?” (João 18.11). Ele compreendeu que aquela era uma provação que não poderia evitar. 
 

Pedro pensava que aquilo era inaceitável e recusou-se a tolerar algo que via como um fracasso. Preferiu sacar a espada que tinha camuflado habilmente e lutar contra os acusadores de Jesus. Atacar os atacantes. Cortar uma orelha. Ele estava disposto a tudo, menos a “beber o cálice”. 

 

Todos nós queremos usar nossas próprias “espadas” para repelir as investidas da vida.  Essas armas aparentemente protetoras, podem ter a forma de uma gorda conta bancária, cartões de crédito sem limite, uma grande poupança, um amigo rico a quem podemos recorrer nas crises, ou bens materiais que podemos facilmente vender em caso de necessidade. Mas será que elas são realmente eficientes ou apenas bengalas que retardam o processo inevitável de “beber o cálice”?  

 

Distinguir entre quando lutar e quando beber o cálice exige discernimento espiritual.  Cercado pela fúria, por soldados armados e violentos, Jesus viu para além do cerco que Lhe faziam. Entendeu que não era o momento de lutar, mas sim de aceitar a vontade de Deus, mesmo que isso significasse amargo sofrimento, dor e morte. Era necessário que Ele bebesse o cálice. Seu propósito era expiar o pecado da raça humana.

 

Essa não é apenas uma ilustração espiritual. Para cada um de nós que labuta no mundo empresarial e profissional, às vezes, o “cálice” é inevitável. Talvez você esteja vivendo um momento assim em sua vida atualmente. Pedem que você beba o cálice, mas você não gosta nem um pouco. Quem pode preferir o sofrimento e amargura ao invés do sucesso? 

 

Nessas circunstâncias, precisamos de sabedoria para entender o que está acontecendo ou vai acontecer. Mas as Escrituras nos oferecem conforto. O salmista Davi escreveu: “Pois a Sua ira só dura um instante, mas o Seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria” (Salmos 30.5). E no versículo 11, ele conclui:  “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria.” Ele estava seguro de que Deus usa até mesmo os piores momentos para o bem.

 

Você passou por um período em que nada parecia funcionar, não importando o que tentasse, tudo dava errado? Como foi que você reagiu? Quero desafiá-lo a confiar que DEUS está com você em todas as circunstâncias e transformará seu pranto em dança!

Questões Para Reflexão ou Discussão

1. Quando foi a última vez em que você passou por um período em que nada parecia funcionar e, não importa o que tentasse, tudo dava errado?  Como você reagiu?

2. Você concorda com o autor que afirma haver estações inevitáveis na vida, tempos para alcançar sucesso e tempos para fracassar, tempos para avançar e tempos para parar, ou mesmo recuar?  Explique sua resposta.

3. O que você acha que Jesus Cristo quis dizer ao falar que precisava “beber o cálice” que Deus tinha Lhe dado? 4

4. O quanto a fé ajuda a suportar períodos em que tudo parece ir mal e não existe nenhuma evidência aparente de que as coisas mudarão em breve? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Eclesiastes 3:1-15; Romanos 5:3-5; Hebreus 11.39-40; Tiago 11-28; 1Pedro 1.6-7.

Seiscentos e Sessenta e Seis (O Tempo)

Seiscentos e Sessenta e Seis (O Tempo)

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos! Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio seguia sempre em frente…

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

Quando se vê, já é 6ª-feira…

Quando se vê, passaram 60 anos!

Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

eu nem olhava o relógio

seguia sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


Um dos mais populares poemas de Mario Quintana. Reflete sobre a passagem dos anos. O poeta escreve de modo simples e informal, como se estivesse dizendo que os anos passaram, e ele percebeu tudo o que já aconteceu e não tem mais volta. Em tom de conselho, diz como viveria se pudesse voltar no tempo.


Fonte: Pensador

Foto: Google

1.23.2026

Páscoa - Luiz Fernando Veríssimo


O Luiz Fernando Veríssimo escreveu uma crônica hilariante sobre a Páscoa. Foi um diálogo absurdo entre um menino, seu pai e sua mãe, sobre o sentido dessa festa. A crônica termina com uma observação justíssima do menino. Disse ele: “Eu acho que ao invés de “coelho da Páscoa” deveria ser “galinha da Páscoa…” Pois é claro. Todo mundo sabe que coelhos não botam ovos. E todos sabem que galinhas botam ovos…

Confesso minha ignorância: não sei como é que o coelho entrou nessa estória. Para início de conversa é preciso lembrar que os textos sagrados não fazem referência alguma a esse animalzinho fofo. Quem foi que teve a ideia de torná-lo o personagem mais importante dessa celebração cristã?

Certamente um gozador. E para tornar a estória mais absurda, fizeram com que os coelhos, que não botam ovos, botassem ovos de chocolate… Nos tempos de Jesus Cristo havia chocolate? Acho que não. Galinhas não são seres poéticos. Na poesia elas sempre aparecem como bichos engraçados, cacarejantes, de inteligência curta, cuja única função é botar ovos e serem transformadas em canja. Assim é compreensível que vocês não gostem da ideia de galinhas de Páscoa. Eu também não gosto.

Mas poderia ser “pombas de Páscoa”. Pombas são seres teológicos. Começando com a Arca de Noé. A se acreditar no relato do Antigo Testamento Noé, para se certificar de que o dilúvio acabara, soltou um corvo. Confesso que se eu fosse Noé teria adotado um método mais simples. Teria aberto a janela da arca e esticado o pescoço para fora. Eu veria, então, que a chuva havia terminado e que as plantas já estavam soltando os seus brotos. Será que Noé acreditava que o corvo, depois de voar, voltaria para dar um relatório? Como é que o corvo comunicaria os seus achados? O corvo ingrato não voltou. Desde então eles ficaram aves de má fama, injustamente. Vendo que o corvo não voltava e sem se dar conta do método mais fácil que sugeri, ele soltou uma pomba. Ah! Ave maravilhosa! Voou, viu, apanhou um ramo verde de oliveira, e o trouxe para Noé! É preciso notar que as oliveiras daqueles tempos extraordinários deveriam ser diferentes das oliveiras de agora. As oliveiras de agora certamente estariam mortas, depois de passar tanto tempo debaixo d’água. Oliveiras não são plantas sub-aquáticas. Foi então que, pelo galho de oliveira que a pomba lhe trouxera, Noé ficou sabendo que o dilúvio havia chegado ao fim. Desde então as pombas passaram a ser símbolos teológicos: símbolos de pureza, símbolos de paz. Uma das telas mais comoventes de Picasso é uma menina com uma pombinha nas mãos. De fato as pombas têm um jeitinho de mansidão. O que não acontece com os corvos negros de bico torto. Bom para os corvos, mau para as pombas. As pombas passaram a serem usadas como aves a serem sacrificadas no templo pelas razões mais incríveis. Se não me falha a memória as mulheres, terminado seu período menstrual de impureza, deveriam sacrificar pombas no templo para se purificarem. Pobres pombas! O templo era uma sangueira. Quem quiser saber mais sobre a sangueira do templo que leia o livro de Saramago, “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Os corvos, pela esperteza do primeiro corvo que não voltou, ficaram livres desse triste destino. Vem então o Novo Testamento que sacraliza definitivamente as pombas, ao relatar que o Espírito Santo é uma pomba. Sobre isso leia-se o poema de Alberto Caeiro em que ele conta como Jesus voltou à terra, tornado outra vez menino. É lindo.

Brincadeira de lado, o embaraço dos pais e a pergunta do menino revelam a confusão que marca essa festa. Ninguém sabe direito o que é que está sendo celebrado. E, para dizer a verdade, acho que são bem poucos aqueles que fazem alguma celebração. Antigamente semana santa era coisa séria. Lembro-me da procissão do enterro, os panos roxos, a banda de música tocando a marcha fúnebre de Chopin, as matracas, as mulheres mais piedosas carregando pedras na cabeça, como penitência… Isso mesmo: as mulheres carregavam pedras na cabeça. Como é bem sabido, Deus gosta de ver os seus filhos e filhas sofrer. Isso para não dizer da quaresma que a antecede, tempo em que as hostes do mal, demônios de todos os tipos, assombrações, mulas sem cabeça, almas penadas, ficavam soltas e todo mundo tinha medo de sair à noite. Sempre havia alguém que relatava, pela salvação da mãe morta, que havia visto uma mula sem cabeça numa encruzilhada à meia-noite. Meia noite era a hora do medo. E no escuro ouvia-se o zunido sinistro dos berra-bois. Semana Santa era um tempo metafísico, entre o céu e o inferno.

Agora é diferente. Páscoa é domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de barro, bate no jarro, jarro é de ouro, bate no touro touro é valente, chifra a gente, a gente é fraco, cai no buraco, buraco é fundo, acabou-se o mundo… Páscoa é fim de semana santa, feriado de três dias, a praia está esperando, hora de se preparar para a viagem…

Contou-me um sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa que lá a Páscoa é uma grande festa. O comunismo não foi capaz de destruir a alma do povo. Pela manhã as pessoas saem pelas ruas e se cumprimentam dizendo: “Cristo ressuscitou!” E o outro responde, com uma risada: “Sim, ele ressuscitou!” ( A obra sinfônica de Rimski-Korsakov “A grande Páscoa russa” é linda”. E agora percebo que faz muito tempo que não a ouço.) . Entre nós, país onde 99% das pessoas acreditam em Deus (acreditam porque acham que, se não acreditarem, é capaz de ele, Deus, enviar algum castigo…), a Páscoa é como uma casca de cigarra presa no tronco de uma árvore. Vazia. Morta. Não tem nada lá dentro. Mas já foi o corpo de um ser vivo que, cansado de ficar preso na casca, criou asas e voou. A Páscoa, com seus ovos de chocolate, é celebração inconsciente de um tempo que não existe mais, tempo em que se acreditava. Os ovos de chocolate, vocês sabem, são tão ocos quanto as cascas de cigarra…

Na tradição cristã mais antiga a semana santa era um teatro, o drama da vida dentro de uma casca de noz. Teologia mínima. Duas cenas apenas. Primeira cena: a morte e o seu horror parecem triunfar. Segunda cena: a vida sai do túmulo de pedra, deixando-o vazio como uma casca de cigarra.

A Adélia diz: “De vez em quando Deus me castiga, me tira a poesia. Olho uma pedra e vejo uma pedra…” Tem gente que ouve o canto das cigarras e ouve apenas o canto das cigarras. Tem gente que fala Páscoa e só vê ovo de chocolate. Pensam na ressurreição como algo aconteceu, faz muito tempo, num lugar distante. ( Impossível. mortos não ressuscitam. ) E pensam em algo que acontecerá de novo num tempo distante, muito longe, no futuro (Impossível. Mortos não ressuscitarão.). Mas a poesia não conhece nem o passado e nem o futuro. O passado sobre que a poesia fala é presente na memória e nos sentimentos. O futuro sobre que a poesia fala é presente na

esperança. Assim os poemas da ressurreição falam sempre do presente. A Morte é agora. Nós somos o túmulo. “Quem anda duzentos metros sem vontade anda seguindo o próprio funeral vestindo a própria mortalha…’ Muita gente morreu e não percebeu. Mas a Ressurreição pode acontecer também agora.

Tenho, no meu escritório, uma tela de Pierro della Francesca ( 1410 – 1492 ) chamada “Ressurreição”. A pedra do túmulo corta a tela em duas partes. Na parte de cima, com seu pé sobre a pedra, o Cristo ressuscitado. Na parte inferior, encostados à pedra, os guardas adormecidos. Perguntam-me sobre o sentido da tela. Respondo que não sei o sentido da tela. As telas têm muitos sentidos. Eu só posso dizer os pensamentos que aquele quadro me faz pensar. E digo: enquanto os guardas da morte estão dormindo, o divino que mora em nós sai do sepulcro. Sabem disso as cigarras. Caminhando hoje pela manhã na fazenda Santa Elisa eu ouvi o seu canto. Já haviam deixado suas cascas nos troncos das árvores. Agora são seres alados. Cantam e voam, a procura do amor… Acho que estão celebrando a Páscoa… - Rubem Alves


Fonte: Pensador

Foto: Google

 

5 poemas para refletir sobre a Consciência Negra

5 poemas para refletir sobre a Consciência Negra

Laura Aidar Laura Aidar Arte-educadora, fotógrafa e artista visual

O dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é uma data muito importante para a população brasileira. Isso porque nosso país sofreu quase 400 anos de escravidão, onde pessoas negras foram humilhadas e escravizadas.

O legado desse passado doloroso é um racismo com bases estruturais e o contínuo empobrecimento e opressão da população negra.

Por isso foi criada essa data, para que as pessoas reflitam sobre a história do povo negro no Brasil, sua importância e valorização.

Assim, nós do Toda Matéria selecionamos 5 poemas que trazem importantes reflexões acerca da negritude. Confira!

1. Negro forro, de Adão Ventura

Minha carta de alforria

não me deu fazendas,

nem dinheiro no banco,

nem bigodes retorcidos.


Minha carta de alforria

costurou meus passos

aos corredores da noite

de minha pele

 

2. Sou Negro, de Solano Trindade

Sou negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África

minh`alma recebeu o batismo dos tambores

atabaques, gongôs e agogôs

 

Contaram-me que meus avós

vieram de Loanda

como mercadoria de baixo preço

plantaram cana pro senhor de engenho novo

e fundaram o primeiro Maracatu

 

Depois meu avô brigou como um danado

nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso

Mesmo vovó

não foi de brincadeira

Na guerra dos Malês

ela se destacou

Na minh`alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação

 

3. Encontrei minhas origens, de Oliveira Silveira

Encontrei minhas origens

em velhos arquivos

livros

encontrei

em malditos objetos

troncos e grilhetas

encontrei minhas origens

no leste

no mar em imundos tumbeiros

encontrei

em doces palavras

cantos

em furiosos tambores

ritos

encontrei minhas origens

na cor de minha pele

nos lanhos de minha alma

em mim

em minha gente escura

em meus heróis altivos

encontrei

encontrei-as enfim

me encontrei

 

4. Integridade, de Geni Mariano Guimarães

Ser negra,

Na integridade

Calma e morna dos dias.

Ser negra,

De carapinhas,

De dorso brilhante,

De pés soltos nos caminhos.

Ser negra,

De negras mãos,

De negras mamas,

De negra alma.

Ser negra,

Nos traços,

Nos passos,

Na sensibilidade negra.

Ser negra,

Do verso e reverso,

Do choro e riso,

De verdades e mentiras,

Como todos os seres que habitam a terra. 

Negra

Puro afro sangue negro,

Saindo aos jorros

Por todos os poros.

 

5. Me gritaram negra, de Victoria Santa Cruz

Tinha sete anos apenas,

apenas sete anos,

Que sete anos!

Não chegava nem a cinco!

De repente umas vozes na rua

me gritaram Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

“Por acaso sou negra?” – me disse

SIM!

“Que coisa é ser negra?”

Negra!

E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.

Negra!

E me senti negra,

Negra!

Como eles diziam

Negra!

E retrocedi

Negra!

Como eles queriam

Negra!

E odiei meus cabelos e meus lábios grossos

e mirei apenada minha carne tostada

E retrocedi

Negra!

E retrocedi . . .

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Neeegra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

E passava o tempo,

e sempre amargurada

Continuava levando nas minhas costas

minha pesada carga

E como pesava!…

Alisei o cabelo,

Passei pó na cara,

e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Neeegra!

Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra! Negra!

Negra! Negra! Negra!

E daí?

E daí?

Negra!

Sim

Negra!

Sou

Negra!

Negra

Negra!

Negra sou

Negra!

Sim

Negra!

Sou

Negra!

Negra

Negra!

Negra sou

De hoje em diante não quero

alisar meu cabelo

Não quero

E vou rir daqueles,

que por evitar – segundo eles –

que por evitar-nos algum disabor

Chamam aos negros de gente de cor

E de que cor!

NEGRA

E como soa lindo!

NEGRO

E que ritmo tem!

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro Negro

Negro Negro Negro

Afinal

Afinal compreendi

AFINAL

Já não retrocedo

AFINAL

E avanço segura

AFINAL

Avanço e espero

AFINAL

E bendigo aos céus porque quis Deus

que negro azeviche fosse minha cor

E já compreendi

AFINAL

Já tenho a chave!

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO

NEGRO NEGRO

Negra sou!


Laura Aidar

Arte-educadora, artista visual e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design.

Foto: Google

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