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2.02.2026

Júlio César de Mello e Souza - Malba Tahan

 

Júlio César de Mello e Souza, (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895 — Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido como Malba Tahan, foi um professor, educador, pedagogo, conferencista, matemático e escritor do modernismo brasileiro, e, através de seus romances infanto-juvenis, foi um dos maiores divulgadores da matemática do Brasil. Júlio César viveu quase toda sua infância na cidade paulista de Queluz e, quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa, costumava escrever histórias com personagens de nomes absurdos, e, outros, sem função no contexto.

Seu pai, João de Deus de Mello e Souza, e sua mãe, Carolina de Mello e Souza, ambos professores, tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os quinze filhos do casal, entre eles, João Baptista, também escritor, mas tampouco conhecido quanto Júlio. Durante seu tempo no Colégio Pedro II, no qual estudava, Júlio começou a vender redações para os estudantes por 400 réis cada, dinheiro da época, iniciando seu futuro de escritor. Suas obras focavam no didatismo para ensinar a matemática de uma forma divertida e diferente, fugindo do tradicional modelo que utiliza fórmulas já determinadas. O autor colocava desafios matemáticos nos livros, aguçando a criatividade e incentivando a descoberta. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas/lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo, na qual ficou mais conhecido, de Malba Tahan, ele criou este personagem por acreditar que um escritor brasileiro não chamaria atenção escrevendo contos árabes, e, para dar mais verossimilhança à história, criou também um tradutor para os livros, o Prof. Breno Alencar Bianco. Júlio ocupou a cadeira número 8 da Academia Pernambucana de Letras. Faleceu em 1974, aos 79 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco.

Biografia

Juventude

Júlio César viveu quase toda a infância na cidade paulista de Queluz. Seu pai, João de Mello e Souza, e sua mãe, Carolina de Mello e Souza, ambos professores, tinham uma renda familiar apenas suficiente para criar os nove filhos do casal. Quando criança, já dava mostras de sua personalidade original e imaginativa. Gostava de criar sapos (chegou a ter 50 deles no quintal de sua casa) e já escrevia histórias com personagens de nomes absurdos como Mardukbarian, Protocholóuski ou Orônonsio.[23] e outros sem função no contexto. A infância tranquila em Queluz, as peripécias de Júlio César e suas relações familiares foram mais tarde descritas pelo irmão escritor João Baptista de Mello e Souza, no livro Meninos de Queluz.

Em 1905, aos dez anos, foi enviado pelo pai ao Rio de Janeiro onde deveria se preparar para o Colégio Militar. Ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro em 1906, onde permaneceu até 1909 quando se transferiu para o Colégio Pedro II. Uma de suas lembranças como aluno interno do Colégio Pedro II relacionava-se com as aulas do Professor de Português José Julio da Silva Ramos - membro da Academia Brasileira de Letras. Ele passava redações para os alunos fazerem. Os alunos que não faziam, recebiam zero. Esta nota impedia que eles voltassem para casa no final de semana. Como escrevia bem, Julio Cesar passou a vender redações para os colegas e assim conseguia comprar chocolate, pois o que recebia por semana dava apenas para ele ir e voltar para a casa de uma tia, onde passava os finais de semana.

Em outubro de 1912, conseguiu seu primeiro trabalho formal. Foi nomeado, pelo Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores, Auxiliar da Biblioteca Nacional, tendo assim privilegiada oportunidade de conviver com milhares de livros.

Concluiu o curso normal na então Escola Normal do Distrito Federal atual Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ) e, depois Diplomou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1913.

Carreira como Professor

        “O professor de Matemática em geral é um sádico. Ele sente prazer em complicar tudo”        

Júlio César de Mello e Souza começou a ministrar aulas em 1913. Em 1914 sua família mudou-se para o Rio de Janeiro devido à morte de seu pai (1911). Assim, sua mãe poderia acompanhar os estudos de seus filhos menores. Na oportunidade, Carolina de Mello e Souza, fundou um externato em Copacabana, para prover a subsistência de seus filhos. Lá Julio Cesar e seus irmãos trabalharam como professores. Enquanto estudava no curso superior de Engenharia Civil e dava aulas na escola de sua mãe, Julio Cesar era aluno do curso noturno da Escola Normal do Distrito Federal, atual Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ)

Em 1921, Julio Cesar assumiu, no Instituto de Educação do Rio de Janeiro, o cargo de Professor Substituto do docente Euclides Roxo, que havia inovado o ensino da matemática e de quem havia sido aluno. Dois anos depois, tornou-se professor desta instituição, por concurso público, onde lecionou durante 40 anos. Mais tarde, tornou-se seu Professor Catedrático do Colégio Pedro II. Lá conheceu Nair Marques da Costa, sua ex-aluna, com quem se casou em 26 de março de 1925 e teve 3 filhos.

Lecionou ainda, na Escola Normal da Universidade do Brasil e na Faculdade Nacional de Educação, onde recebeu o título de Prof. Emérito.

Começou lecionando História, depois Geografia. Não continuou sendo professor destas disciplinas, pois, segundo ele, elas carecem de atualização constante.

Depois começou a ensinar Física. A prática dos laboratórios o afastou desta área do conhecimento. Decidiu então ensinar matemática, alegando que a matemática era uma disciplina imutável, isenta de valores e organizada por números. Uma curiosidade é que Júlio César foi um aluno com mau desempenho em matemática (seu boletim chegou a registrar em vermelho uma nota dois, em uma sabatina de Álgebra, e raspou no cinco, em uma prova de Aritmética). Julio apontava o ensino tradicional como vilão.

Júlio César não gostava da didática da época, que se resumia a cansativas exposições orais. Mal-humorado, classificou-a mais tarde como "O detestável método da salivação". Ele defendia o uso dos jogos nas aulas de Matemática. Enquanto os outros professores usavam apenas o quadro-negro e a linguagem oral, ele recorria à criatividade, ao estudo dirigido e à manipulação de objetos. Suas aulas eram movimentadas e divertidas. Defendia a instalação de laboratórios de Matemática em todas as escolas. Em sala de aula, não dava zeros, nem reprovava. "Por que dar zero, se há tantos números?", dizia. "Dar zero é uma tolice". O professor Julio Cesar encarregava os melhores da turma de ajudar os mais fracos. "Em junho, julho, estavam todos na média', garantiu no depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

Por isso, diz-se que ele foi o precursor de uma tendência que se afirma com vigor e tem adeptos em todo o Brasil: a Educação Matemática.

Sua fama como pedagogo logo se espalhou e ele era convidado para palestras em todo o país.

Ensinou também no Instituto de Educação e na Escola Nacional de Educação. Além das aulas, Julio Cesar proferiu mais de 2 000 palestras por todo o Brasil e em algumas localidades do exterior. Ficou célebre por sua técnica como contador de histórias e por sua atuação inovadora como professor.

No início da década de 1930 ele criticou Jacomo Stávale e Algacyr Maeder, respectivamente, sobre suas publicações didáticas em matemática.

A carreira de escritor

A carreira de Júlio César como escritor começou com uma colaboração ao jornal O Imparcial. Foi nesta época que nasceu a ideia de criar um pseudônimo. Júlio César gostava de escrever e, conhecedor de como se dava o funcionamento do jornal, sabia que o mesmo dispunha de espaço para publicações literárias. Assim, enviou alguns de seus contos à Leônidas Rezende (diretor do jornal, à época), pedindo-lhe para que fossem publicados, pois eram curtos e as pessoas poderiam ler no bonde. Mas Leônidas não deu importância ao trabalho de Júlio, e os papéis ficaram vários dias jogados sobre uma mesa da redação. Sem fazer nenhum comentário, Júlio pegou o trabalho de volta. No dia seguinte levou os mesmos contos ao jornal, mas com a assinatura de R. S. Slade, um fictício escritor americano. Disse ao editor que tinha acabado de traduzi-los e que fazia grande sucesso em Nova York. O primeiro deles (A Vingança do Judeu) foi publicado já no dia seguinte, na primeira página. Os outros quatro tiveram o mesmo destaque posteriormente. Júlio aprendeu a lição e decidiu virar Malba Tahan. Assim, nos anos seguintes, o jovem escritor estudou a fundo todos os aspectos da cultura árabe e da oriental. Em 1925, propôs a Irineu Marinho, dono do jornal carioca A Noite, uma série de "contos de mil e uma noites", escritos pelo escritor fictício Malba Tahan, que assinava os contos (que normalmente se passavam no Oriente) com comentários do igualmente fictício Prof. Breno de Alencar Bianco. Ao ler os contos, Marinho gostou muito e pediu a seu secretário, Euricles de Mattos, para que esse trabalho fosse publicado com destaque na primeira página do Jornal. O título do trabalho seria "Contos das Mil e Uma Noites" e os contos seriam precedidos por uma biografia de Malba Tahan; assim, os leitores não saberiam que Malba Tahan era um pseudônimo.

A partir de 1925, o jornal paulista Folha da Noite também passou a publicar os contos de Malba Tahan numa seção denominada "Contos Árabes de Malba Tahan."

Após ter publicado seus contos nos jornais A Noite e Folha da Noite, Malba Tahan lançou um livro denominado Contos de Malba Tahan e o inscreveu num concurso da Academia Brasileira de Letras (ABL), porém não foi contemplado. Mas, em 1930, Tahan foi condecorado por esta academia pelo livro Céu de Allah e, em 1939, pelo livro O Homem que Calculava.

A "farsa artística" de Mello e Souza não ficaria escondida por muito tempo. A figura do árabe escritor foi revelada apenas oito anos depois do lançamento do primeiro livro de Malba Tahan, Contos de Malba Tahan (de 1925). Em 1933, a poetisa Rosalina Coelho Lisboa, constatou que Radiales Kipling, indicado como tradutor da obra “Sama-Ullah, contos orientais”, nunca fizera aquele tipo de trabalho. Mello e Souza, por distração, provocação ou mesmo numa tentativa de ser reconhecido, havia colocado em um de seus livros uma relação das “Obras de Malba Tahan”, com informações sobre tradutores.

Entre os anos de 1933 e 1939, foram publicados ou reeditados mais de quinze títulos assinados por Malba Tahan, além de vinte e nove didáticas para o ensino de matemática, assinadas por Júlio César de Mello e Souza.

Em fevereiro de 1953, Felisbello Beletti, então diretor do Instituto de Identificação Félix Pacheco, emitiu portaria permitindo a inclusão nas carteiras de Identidade de pseudônimos de natureza literária, artística, jornalística, eclesiástica ou comercial. Júlio César foi uma das primeiras personalidades a aderir ao modelo.[30] Em 1958, ele reconheceu o Instituto como uma exceção à Administração Pública por lhe reconhecer o o direito de uso do nome Malba Tahan.

Até o fim da vida, Julio Cesar escreveu e publicou livros de ficção, recreação e curiosidades matemáticas, didáticos e sobre educação, com seu nome verdadeiro ou com o ilustre pseudônimo.

Produziu 69 livros de contos e 51 de matemática. Sua obra mais famosa, O Homem que Calculava, já foi traduzida para mais de 12 idiomas. Entre outros livros de destaque do autor estão Salim, o mágico, Lendas do deserto, A caixa do futuro e Mil histórias sem fim.

Trabalhou ainda como diretor responsável da Revista Al-Karizmi, registrada em 1946. Esta revista publicava recreações matemáticas, jogos, curiosidades, histórias, problemas, artigos de colaboradores e uma extensa coleção de livros. Além desta, atuou nas revistas Damião (1951) e Lilaváti (1957)

Movimento Literário e Estilo

Júlio César costuma ser classificado como um escritor do modernismo brasileiro. Sua obra, no entanto, foca no didatismo para ensinar a matemática e não pode ser comparada a outros autores do período.

Ele estabeleceu uma didática própria, que buscava transformar a matemática em uma disciplina divertida. Investia em diferentes formas de ensinar, fugindo do tradicional modelo que utiliza fórmulas já determinadas. O autor colocava desafios matemáticos nos livros, aguçando a criatividade e incentivando a descoberta.

Juntamente com Cecil Thiré (avô do ator homônimo), Euclides Roxo e Irene Albuquerque, participou do movimento de modernização do ensino da matemática no Brasil.

Outras atividades

Júlio César foi um enérgico militante também conhecido por Júlio Gatoso pela causa dos hanseníacos. Por mais de 10 anos editou a revista Damião, que combatia o preconceito e apoiava a humanização do tratamento e a reincorporação dos ex-enfermos à vida social. Deixou, em seu testamento, uma mensagem de apoio aos hanseníacos para ser lida em seu funeral. Com 520 000 pessoas que foram para homenageá-lo.

Julio César foi ainda apresentador de programa nas rádios Nacional, Clube e Mairynk Veiga do Rio e da TV Tupi (Rio) e Canal 2 (atual TVC - São Paulo).

Falecimento

Júlio César de Mello e Souza faleceu no dia 18 de junho de 1974, em Recife (vítima de um ataque cardíaco) onde estava ministrando os cursos “A Arte de Contar Histórias” e “Jogos e Recreações” no Colégio Soares Dutra. Deixou uma série de instruções para seu sepultamento (que aconteceu no Rio de Janeiro): além da mensagem que devia ser lida, exigiu caixão de terceira classe, plantas anônimas, nada de coroas, de luto e de discursos. Tudo para que seu enterro fosse “o mais modesto possível”.

Obras

Júlio César escreveu ao longo de sua vida cerca de 120 livros (sendo 69 de contos e 51 de matemática recreativa, didática da matemática, história da matemática e ficção infanto-juvenil), tendo publicado com seu nome verdadeiro ou sob pseudônimo.

Os livros escritos como "Prof Mello e Souza", depois da criação do Malba Tahan, aparecem assinados com os 2 nomes, com Malba Tahan aparecendo em destaque (já que este tornara-se mais famoso que o próprio).

Já os livros assinados apenas por Malba Tahan, não há menção alguma ao "Prof Mello e Souza".

Como "Prof Mello e Souza"

Júlio César de Mello e Souza escreveu alguns livros de Matemática com colegas do Colégio Pedro II, como Cecil Thiré e Euclides Roxo e Irene Albuquerque. Eles participaram do movimento de modernização do ensino da matemática no Brasil. Uma das finalidades destes autores era associar a matemática com diversão, lazer, prazer, criatividade e alegria. Durante muitos anos, Júlio César foi responsável pela Revista Al-Karism de recreações matemáticas.

Ano de Lançamento / Título Descrição

1930  Curso de Matemática 3º Ano    Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1931  Geometria Analítica       

1932  Matemática Comercial. Com a colaboração de Cecil Thire e Nicanor Lengruber

1932  Matemática 1º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

1932  Matemática 2º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

Exercícios de Matemática 5º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

Exercícios de Matemática Comercial  Com a colaboração de Cecil Thire e Nicanor Lengruber

Matemática Financeira    Com a colaboração de Cecil Thire e Nicanor Lengruber

1932  Trigonometria Hiperbólica. Estudo das funções hiperbólicas e suas aplicações. Tese para concurso.

1933  Curso de Matemática 4º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1933  Estudo elementar das curvas. Tese para concurso. Nesse livro foram estudadas curvas definidas por equações moduladas.

1933  Funções Moduladas. Representação cartesiana das funções moduladas. Primeiras noções. Estudo totalmente original em Matemática.

1934  Matemática Divertida e Curiosa. Jogo, recreações e problemas curiosos. Figura nesse livro o famoso problema dos sete navios de Laisant.

1934  Geometria Analítica - no espaço de duas dimensões. Livro didático. Estudo dos sistemas de coordenadas. Estudo da reta e das curvas notáveis.

1934  Exame de Admissão. Com a colaboração de Cecil Thire

Exercício e Formulários de Geometria. Com a colaboração de Cecil Thire

Curso de Matemática 1º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1936  Matemática 3º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

Exercício de Matemática 1º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

Exercício de Matemática 2º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

1936  Curso de Matemática 5º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1937  Tudo é Fácil Com a colaboração de Irene de Albuquerque

1938  Matemática Fácil e Atraente. Com a colaboração de Irene de Albuquerque

1938  Exercício de Matemática 3º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

1939  Histórias e Fantasias da Matemática   A vida Pitágoras. Origem da geometria. Estudo da reta. O planeta 293. O escândalo da Geometria. A Matemática na vida Militar, etc... Figura nesse livro o famoso conto oriental "Minha Paixão pela Doutora".

1940  Dicionário Curioso e Recreativo da Matemática          Obra em dois volumes e três fascículos, até à letra “F”. Terminou na letra “E” por causa da deficiência de meios tipográficos (sinais matemáticos).

1940  Curso de Matemática 2º Ano    Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

Exercício de Matemática 4º Ano. Com a colaboração de Cecil Thire

1941  Matemática Divertida e Pitoresca. Problemas curiosos. Sofismas algébricos. Recreações geométricas, etc...

1942  Matemática Divertida e Fabulosa. Problemas curiosos. Recreações geométricas. Frases célebres. Erros e disparates.

1943  Matemática Ginasial 1º Série    Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1943  Matemática Ginasial 2º Série    Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1943  Matemática Divertida e Diferente       Curiosidades numéricas. Erros e disparates. Anedotas. Problemas curiosos. Números cabalísticos. Epigramas geométricos. Paradoxos, etc...

1943  Diabruras da Matemática Problemas curiosos. Sofismas algébricos. Singularidade dos números. Adivinhações matemáticas. Cálculos pitorescos. Recreações geométricas, etc...

1944  Matemática Ginasial 3º Série. Com a colaboração de Cecil Thire e Euclides Roxo

1945  Meu Caderno de Matemática. Matemática para curso de admissão.

1945  As Grandes Fantasias da Matemática  A origem dos números. A gloria de um irracional. Divisão Áurea. O problema das abelhas. O profeta, o anti-cristo e a Matemática. Dona Derivada sorriu para você. Curvas curiosas e delirantes, etc... Alguns artigos foram aproveitados em obras posteriores.

1947  O Escândalo de Geometria. Estudo elementar das geometrias não-euclidianas, seguindo de um estudo das primeiras nações elementares sobre o conceito da curvatura.

1950  Matemática, Aritmética   Série admissão. Livro didático.

1951  Matemática Suave e Divertida  Contos, Histórias e Problemas Curiosos. Recreações e charadas matemáticas. Números singulares. Aritmética divertida. Álgebra pitoresca, etc...

1954  Folclore da Matemática   Lendas, Histórias e Curiosidades. Os números nas tradições sertanejas, na linguagem popular, etc...

Este livro seria chamado mais tarde de "Os Números Governam o Mundo"

1955  Diário de Lúcia     Com a colaboração de Irene de Albuquerque

1955  Alegria de Ler       Antologia moderna, organizada especialmente para o Curso de Admissão.

1957  Técnicas e Procedimentos Didáticos no Ensino da Matemática  Fatores que interferem no ensino da Matemática.

1957  A Arte de Ler e de Contar Histórias    Livro de feição rigorosamente didática, com várias fotografias.

1957  Didática da Matemática  Pequena súmula sobre problemas da Didática em Matemática. A Matemática, seu conceito e sua importância. Alguns capítulos foram incluídos em outras obras.

A Arte de Ser um Perfeito Mau Professor     Livro inspirado no sábio preceito de Santo Agostinho: “Condenar com intransigência o pecado, mas tudo fazer para esclarecer e salvar o pecador”.

1958  Apostilas de Didática Especial da Matemática          Com a colaboração de Manoel Jairo Bezerra e Ceres Marques de Moraes

1959  A Equação da Cruz         Publicada pelo autor para o III Congresso Brasileiro do Ensino da Matemática. Rio 1959. Apresenta o autor uma equação do 1º grau cuja pintura é uma Cruz

1960  Antologia da Matemática I        Contendo histórias, lendas e fantasias. Paradoxos e curiosidade. Recreações numéricas. Problemas célebres. Astronomia pitoresca. Erros famosos, etc... com muitas notas, pensamentos e ilustrações. Figura nesse livro o famoso conto intitulado No Círculo do Chicote.

1961  Antologia da Matemática II      Coletânea de curiosidades, biografias contos e fantasias, problemas famosos. Figura nesse livro um estudo bastante curioso sobre a estrela mais próxima do sol.

1961  Didática da Matemática, Volume 1     Conceito de Matemática. O algebrismo. Métodos obsoletos e Métodos clássicos. Valores da Matemática. Procedimentos didáticos. Métodos clássicos. O método da preleção em Matemática. O método da lição marcada. O método heurístico.

1962  Didática da Matemática, Volume 2     O estudo dirigido e semi-dirigido em Matemática. O método do laboratório. O método eclético comum. O jogo de classe em Matemática. As teorias sobre o jogo. Metodologia do jogo de classe. Recreações matemáticas.

1962  Matemática Divertida e Delirante       Problemas curiosos. Erros e disparates. Números cabalísticos. Astronomia pitoresca. Recreações numéricas. Sofismas e paradoxos. Animais calculadores. Lenda e fantasias.

O Jogo do Bicho à Luz da Matemática        

1965  Os Números Governam o Mundo. Curiosidades numéricas colhidas no folclore da Matemática.

1965  Matemática Recreativa    Fatos e fantasias. Erros e singularidades. Curiosidades sobre as expressões matemáticas. Anedotas famosas. Estudo completo sobre Palindromia.

1965  O Problema das Definições em Matemática Erros, dúvidas e curiosidades. Conceitos que não podemos definir. Como definir o tempo? Os princípios de Pascal. As definições e suas modalidades. Problemas relacionados com as definições.

1967  A arte de ser um perfeito mau professor      

1967  O Mundo Precisa de Ti Professor       Primeiras noções sobre a ética Profissional do Professor

1967  O Professor e a Vida Moderna  Casos, contos e comentários. Estudo do método dos jograis com caderno dirigido. Figura nesse livro o famoso conto “O Professor e a Borboleta”.

1966  A Lógica na Matemática Como definir o conceito. A base lógica da matemática. Regras de Pascal. Definição lógica. O método axiomático. As diversas axiomáticas. As demonstrações em Matemática. A base lógica da Matemática. Com várias notas, gravuras e curiosidades.

1969  Antologia do Bom Professor     Artigos e comentários de alto interesse para o mestre em geral.

1969  Páginas do Bom Professor        Trechos selecionados sobre Pedagogia, notas, conceitos e observações notáveis.

1969  Roteiro do Bom Professor        

1973  Acordaram-me de madrugada   Recordações de antigo aluno do Colégio Pedro II.

1974  A Matemática na Lenda e na História

1974  As Maravilhas da Matemática   Estudos das curvas patológicas. Curiosidades Matemáticas. Problemas notáveis. A Matemática das abelhas. Os mártires da Matemática. O paradoxo do infinito. Goethe e a tabuada da feiticeira. A pirâmide humana de Newton. O ponto de ouro.

Tábuas Completas (logarítimos e formulários)          Logarítimos e formulários. Aritmética e Álgebra, Geometria e Trigonometria. Geometria Analítica. Cálculo Diferencial. Cálculo Integral.

Pathimel      Com a colaboração de Cecil Thire e Jurandir Paes Leme

Damião        Assunto: Revista dedicada a causa do reajustamento social do hanseniano.

Como Malba Tahan

Os livros assinados apenas como Malba Tahan trazem fábulas e lendas passadas no Oriente, à maneira dos contos de Mil e Uma Noites.

Ano de Lançamento        Título Descrição

1925  Contos de Malba Tahan 

Somente o primeiro volume foi assinado pelo Prof Mello e Souza. A partir do 2o, foi assinado por Maba Tahan

Com esse livro iniciou Malba Tahan a sua carreira literária.

1927  Céu de Allah        

Contos orientais.

Figuram nesse livro, além de vários outros, três contos famosos: “O livro do destino”, “Os três homens iguais” e “O mendigo das moedas de ouro”. Menção honrosa da ABL.

1929  Amor de beduíno  Contos orientais. Prefácio do saudoso Prof. Jean Achar. Capa do professor Chamberland. Os contos foram incluídos em outros livros. É obra muito rara.

1929  Lendas do deserto Contos orientais.

1931  Mil Histórias Sem Fim, vol 1   

1933  Mil Histórias Sem Fim, vol 2   

1933  Lendas do céu e da terra 

Lendas cristãs.

Livro aprovado pela igreja católica.

Alguns trechos desse livro já foram citados por ilustres e brilhantes pregadores brasileiros.

Adotado como livro de leitura em muitos colégios religiosos do Brasil.

1933  Lendas do oásis     Contos orientais.

1935  Maktub        Lendas orientais. Com uma carta-prefácio do General Turco Khara Ulugberg.

1935  Amigos Maravilhosos     Novela infantil. Todos os episódios são ocorridos no interior do Ceará.

1936  Alma do oriente    Contos orientais. Notas curiosas sobre a vida árabe e os nômades do deserto.

A pequenina luz azul. Conto infanto-juvenil de origem árabe.

1937  Novas Lendas do Deserto.  Contos orientais.

Os contos que figuram neste livro passaram para outros do mesmo autor.

1938  O Homem que Calculava: aventuras de um singular calculista persa     

1939  Paca, Tatu... Contos infantis. Com um apêndice no qual figuram sugestões e indicações metodológicas sobre a Arte de Contar Histórias. Foi incluída na parte final a história, “História da Onça que queria acordar cedo”, na qual são estudadas as vozes dos animais.

1941  A sombra do arco-íris, vols 1, 2 e 3    Obra em três volumes, com prefácio do autor. Novela oriental para adolescentes, na qual foram incluídos 870 poetas brasileiros e mais de 100 poetas estrangeiros. Figuram no livro os versos mais famosos da língua portuguesa.

1943  Lendas do povo de Deus

Contos yidsches. Preces, lendas, parábolas e alegorias israelitas extraídas do Talmude, da Bíblia, de livros santos e das principais antologias judaicas.

Figuram nessa obra lendas judaicas e algumas parábolas de Jesus.

1943  O Livro de Aladim          Contos orientais, contendo várias notas sobre o Islam.

O Rabi, o Cocheiro e os Anjos de Deus.       Contos idsche, para adolescentes, e adultos.

Os Sonhos do Lenhador  Conto chinês. Como pode um juiz fazer justiça equiparando a realidade ao sonho.

1947  O Guia Carajá       Lenda do sertão do Brasil.

1947  O Inferno de Dante (vols 1 e 2) Tradução anotada e Comentada sob a forma de narrativa. Com a biografia completa de Dante Alighieri.

1950  A Caixa do Futuro

1951  Lendas do bom rabi         Seleção de contos.

1951  Minha vida querida         Precedido do artigo Radia! Radia! (O Poeta das três Recusas) e biografia de Malba Tahan.

1954  Aventuras do rei Baribê  Romance oriental infanto-juvenil. Nesse livro foi incluída a famosa lenda sobre a origem da palavra xibolete.

1954  Seleções      Uma seleção dos melhores contos

1955  Meu Anel de Sete Pedras Estudos relacionados com o folclore da Matemática. Adivinhas populares. Unidades pitorescas. Problema da Besta do Apocalipse, etc...

1955  A Lua Astronomia dos Poetas Brasileiros. Estudo da Lua. Lendas e tradições sobre a Lua. A Lua e os mitos simbolismo da Lua. O folclore e a lua. A Lua e o luar na poética brasileira. Erros, crendices e superstições. A verdade sobre a lua.

1955  Sob o Olhar de Deus       Romance. Problemas sociais e religiosos de alta profundidade são debatidos nesse romance que não poderá, de forma alguma, interessar às crianças. Mesmo em se tratando de obra estritamente moral, seus conceitos só podem ser assimilados por espíritos esclarecidos.

A Girafa Castigada          Conto infantil inspirado no Evangelho.

Al-Karismi  Assunto: Recreações Matemáticas.

Lilavati        Assunto: Recreações Matemáticas.

1956  Mil Histórias sem Fim   

1958  Caixa do futuro     Novela infantil. Nesse curioso romance aparece um país chamado Brenan, onde tudo é brenan.

1959  Novas Lendas Orientais  Figuram nesse livro, as lendas mais curiosas do Oriente: “A Primeira Rúpia”, “Treze, Sexta Feira”, “Uma Aventura de amor no Reino do Sião”, etc...

1959  O Bom Caminho   Compêndio para educação moral e religiosa. Para o Curso Ginasial. Livro aprovado pela Igreja Católica.

1962  Terceiro Motivo    Conto e lendas orientais.

O Tesouro de Bresa         Conto que vem relembrar a velha Babilônia.

1967  A Estrela dos Reis Magnos      

1967  Romance do Filho Pródigo       Romance baseado na parábola do filho pródigo, que é uma das páginas mais comoventes do Evangelho.

1967  Ainda não Doutor

1969  Numerologia         Sete notáveis preceitos sobre o nome. A numerologia e seu segredo. O número da Besta do Apocalipse. Os números do Apocalipse. Como proceder ao estudo numerológico do nome.

1970  Iazul  Seleção dos mais curiosos e atraentes contos orientais.

1970  Salim, o Mágico    Novela ocorrida durante o califado El-Walid, de Damasco, na qual, mercê de acontecimentos dramáticos de absoluta singularidade, um crente de Allah atinge o apogeu do prestígio e da gloria ocupando os mais altos cargos da corte.

1970  O Mistério do Mackensista       Estranho caso policial verídico. Trata-se de um livro profundamente humano cuja finalidade é lutar com desassombro por uma causa nobre (reabilitação dos hanseniano). É livro que encerra muitas curiosidades revestidas do mais alto espírito de veracidade.

1974  Belezas e Maravilhas do Céu   

A História Da Onça Que Queria Acordar Cedo      Conto para criança. A sua finalidade precípua é ensinar ao pequenino leitor mais de cem vozes de animais.

Biografia de seus Pseudônimos

Malba Tahan

 Ver artigo principal: Malba Tahan

Professor Breno Alencar Bianco

Breno Alencar Bianco é um outro pseudônimo do Julio Cesar. Este nome foi escolhido para homenagear o General Heitor Bianco de Almeida Pedroso. As iniciais BAB, em persa, significam “porta”.

Julio Cesar criou este personagem para auxiliá-lo na composição dos enredos, escrevendo as notas de rodapé e sendo o tradutor do árabe para português das obras de Malba Tahan.

Salomão IV

Aos 12 anos de idade, uma das brincadeiras prediletas de Julio Cesar era escrever e publicar uma revistinha feita à mão, com reportagens, histórias ilustradas e adivinhas. A revista chamava-se "ERRE!" e, em janeiro de 1908, assinou-a como sendo o editor Salomão IV, seu primeiro pseudônimo.

Honrarias

Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristovão, chamada "Melo e Souza", em sua homenagem.

Foi criada também uma outra rua no Rio de Janeiro, no bairro Recreio dos Bandeirantes, chamada Malba Tahan, em sua homenagem.

A lei 12835 de 26 de junho de 2013 institui o dia 6 de maio, seu dia de nascimento, como Dia Nacional da Matemática.

Notas

 À época do nascimento do biografado, seu nome era escrito segundo a ortografia arcaica, e sem acento agudo: Mello e Souza.

Referências

 «Júlio César de Mello e Souza». Globo.com. Consultado em 2 de julho de 2015. Cópia arquivada em 2 de abril de 2015

 «Bibliografia - Obra Completa». Instituto Malba Tahan. Consultado em 4 de julho de 2015. Arquivado do original em 4 de março de 2016

 «O Homem que calculava». Brasiliana. Consultado em 2 de julho de 2015. Arquivado do original em 2 de abril de 2015

 «Introdução Julio Cesar». Instituto Malba Tahan. Consultado em 2 de julho de 2015. Arquivado do original em 3 de março de 2016

 «Morte e Vida de Julio Cesar». Instituto Malba Tahan. Consultado em 2 de julho de 2015. Arquivado do original em 4 de março de 2016

 «Pseudônimo Malba Tahan». Instituto Malba Tahan. Consultado em 2 de julho de 2015. Arquivado do original em 4 de março de 2016

 «Malba Tahan». Instituto de Matemática. Consultado em 2 de julho de 2015. Cópia arquivada em 21 de maio de 2013

 Villamea 1995, pp. 9.

 Mello e Souza 1949, pp. 46.

 Carlos 2009, pp. 10.

 Dreyer, Diogo (5 de maio de 2004). «O Dia Nacional da Matemática». Educacional. Cópia arquivada em 4 de fevereiro de 2012

 Villamea 1995, pp. 3.

 «Malba Tahan, ou melhor, Júlio César de Mello e Souza». Colégio Champagnat. Consultado em 6 de julho de 2015. Cópia arquivada em 15 de julho de 2014

 Gabriel, Sônia Maria da Silva (2013). «J. B. de Mello e Souza - O cronista do rio Paraíba do Sul» (pdf). Jornal O Lince: 4 págs

 Villamea 1995, pp. 4.

 Carlos 2009, pp. 11.

 Faria 2004, pp. 40.

 Klisys, Adriana (21 de maio de 2013). «Mil e Uma Noites: uma aventura de faz de conta». Acervo Educa Rede. Consultado em 8 de julho de 2015

 Neto, André de F. P; Pedro Paulo Salles (7 de novembro de 2012). «O homem que criava». Revista de História. Consultado em 12 de julho de 2015. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015

 Faria 2004, pp. 33.

 Oliveira, Claudiomar P. «Malba Tahan. Prazer em conhecê-lo!» (pdf): 8 págs

 «Malba Tahan (Prof. Júlio César de Mello e Souza)». Grupo Editorial Record. 2008. Cópia arquivada em 2 de abril de 2015

 Luisa Villamea. idem. p. 10. unisinos.br/

 recantodasletras.com.br/ Júlio César de Mello e Souza é o famoso Malba Tahan.

 rbhm.org.br/ Mello e Souza e a Crítica aos Livros Didáticos de Matemática

 record.com.br/ Malba Tahan (Prof. Júlio César de Mello e Souza)

 DEPOIMENTO de Malba Tahan, 1973, Museu da Imagem e do Som

 «A Cruz : Orgão da Parochia de S. João Baptista (RJ) - 1919 a 1923 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 2 de junho de 2024

 «A Noite: Supplemento : Secção de Rotogravura (RJ) - 1930 a 1954 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 23 de maio de 2024

 «Diario de Noticias (RJ) - 1950 a 1959 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 2 de junho de 2024

 educacao.globo.com/

 malbatahan.com.br/ Arquivado em 2 de abril de 2015, no Wayback Machine. Carta Testamento de Malba Tahan. Acessado em: março/2015.

Bibliografia

Villamea, Luiza (Setembro de 1995). «Malba Tahan – o genial ator da sala de aula». Nova Escola (87): 9 págs

Carlos, José (Agosto de 2009). «Etnomatemática e Malba Tahan» (PDF): 21 págs. Consultado em 12 de julho de 2015. Arquivado do original (pdf) em 12 de julho de 2015

Mello e Souza, João Baptista de (1949). Meninos de Queluz. Crônicas de Saudade. Rio de Janeiro: Editora Aurora. 107 páginas

Faria, Juraci Conceição de (2004). «Prática Educativa de Júlio César de Mello e Souza» (PDF). São Bernardo do Campo: 269 págs. Consultado em 12 de julho de 2015. Arquivado do original (pdf) em 13 de janeiro de 2016

Ligações externas

O Wikiquote tem citações relacionadas a Júlio César de Mello e Souza.

«Página sobre Malba Tahan e o Instituto Malba Tahan»

«Revista Nova Escola n° 182 - mai/2005»

«As três divisões do homem que calculava (Educare de)»

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Hilda Hilst - Biografia

 

Hilda Hilst

Hilda Hilst é uma famosa poetisa paulista. Suas obras fazem parte da terceira fase do Modernismo brasileiro. “A obscena senhora D” é uma de suas obras mais famosas.

Hilda Hilst é uma escritora brasileira. Ela nasceu em Jaú, no estado de São Paulo, em 21 de abril de 1930. Mais tarde, fez faculdade de Direito e, por um tempo, trabalhou como advogada. Mas abandonou essa profissão quando decidiu se dedicar exclusivamente à literatura.

A poetisa, que morreu em 4 de fevereiro de 2004, em Campinas, faz parte da terceira geração modernista (ou Pós-Modernismo). Hilst é autora de poesia, prosa e teatro. Seus textos são marcados pela ironia e erotismo. A senhora D é uma de suas obras mais famosas. Outra obra conhecida é Júbilo, memória, noviciado da paixão.

Resumo sobre Hilda Hilst

Hilda Hilst foi uma poetisa brasileira.

Ela nasceu em 1930 e faleceu em 2004.

Além de escritora, também fez faculdade de Direito e atuou como advogada.

As obras da autora fazem parte da terceira fase do Modernismo brasileiro.

Seus textos apresentam o universo feminino a partir de um viés irônico.

O livro A obscena senhora D é uma de suas obras mais famosas.

Videoaula sobre Hilda Hilst

Biografia de Hilda Hilst

Hilda Hilst nasceu em Jaú, no estado de São Paulo, no dia 21 de abril de 1930. Sua mãe era portuguesa. E seu pai, um fazendeiro brasileiro. No ano de 1932, a escritora se mudou para Santos, em companhia da mãe, devido à separação de seus pais. Nessa cidade, iniciou seus estudos no Instituto Brás Cubas, em 1935.

Dois anos depois, se mudou para São Paulo para estudar no colégio interno Santa Marcelina. Em seguida, estudou no Instituto Presbiteriano Mackenzie. Por fim, ingressou na Faculdade de Direito, na Universidade de São Paulo, em 1948. Dois anos depois, publicou seu primeiro livro — Presságio.

Em 1952, finalizou o curso de Direito e, no ano seguinte, passou a trabalhar no escritório de advocacia do advogado Abelardo de Souza, na cidade de São Paulo. Mas, em 1954, pediu demissão, desistiu da carreira como advogada e foi morar no apartamento da mãe. Três anos depois, esteve na França, Itália e Grécia.

Permaneceu na Europa por mais de seis meses. Após voltar ao Brasil, foi morar sozinha. Em 1958, recebeu homenagem do cantor Adoniran Barbosa (1910-1982), que compôs duas canções — Só tenho a ti e Quando te achei — inspiradas em poemas da autora. Mais tarde, em 1965, se mudou para a fazenda de sua mãe, em Campinas.

Construiu uma casa nessa cidade e a chamou de Casa do Sol. Nessa casa (que seria um ponto de encontro de vários artistas nas décadas de 1970 e 1980), viveria pelo resto de sua vida. Em 1968, casou-se com o escultor Dante Casarini, com quem já se relacionava desde 1963.

Sua vida, daí em diante, foi dedicada à literatura. Continuou a publicar muitos livros e ganhou alguns prêmios. Em 1985, se divorciou de Dante Casarini. Foi cronista do Correio Popular, de Campinas, na década de 1990. E faleceu em 4 de fevereiro de 2004, em Campinas.

Principais características da obra de Hilda Hilst

As obras de Hilda Hilst estão inseridas na terceira fase do Modernismo brasileiro, também chamada de Pós-Modernismo. De forma geral, suas obras são irônicas, eróticas e herméticas. Sua prosa poética é marcada pelo monólogo interior, possui caráter fragmentário e não linear, além de apresentar questões existenciais. A poetisa costuma mesclar os gêneros literários e evidencia o universo feminino.

 

Obras de Hilda Hilst

Presságio (1950) — poesia.

Balada de Alzira (1951) — poesia.

Balada do festival (1955) — poesia.

Roteiro do silêncio (1959) — poesia.

Trovas de muito amor para um amado senhor (1961) — poesia.

Ode fragmentária (1961) — poesia.

Sete cantos do poeta para o anjo (1962) — poesia.

A possessa (1967) — peça teatral.

O rato no muro (1967) — peça teatral.

O visitante (1968) — peça teatral.

Auto da barca de Camiri (1968) — peça teatral.

O novo sistema (1968) — peça teatral.

Aves da noite (1968) — peça teatral.

O verdugo (1969) — peça teatral.

A morte do patriarca (1969) — peça teatral.

Fluxo-floema (1970) — prosa.

Qadós (1973) — prosa.

Júbilo, memória, noviciado da paixão (1974) — poesia.

Ficções (1977) — prosa.

Poesia (1980) — poesia.

Da morte: odes mínimas (1980) — poesia.

Cantares de perda e predileção (1980) — poesia.

Tu não te moves de ti (1980) — prosa.

A obscena senhora D (1982) — prosa.

Poemas malditos, gozosos e devotos (1984) — poesia.

Sobre a tua grande face (1986) — poesia.

Com meus olhos de cão e outras novelas (1986) — prosa.

Amavisse (1989) — poesia.

Alcoólicas (1990) — poesia.

O caderno rosa de Lori Lamby (1990) — prosa.

Contos d’escárnio (1990) — prosa.

Cartas de um sedutor (1991) — prosa.

Bufólicas (1992) — poesia.

Do desejo (1992) — poesia.

Rútilo nada (1993) — prosa.

Cantares do sem nome e de partidas (1995) — poesia.

Estar sendo. Ter sido (1997) — prosa.

Cascos e carícias (1998) — prosa.

Do amor (1999) — poesia.

A obscena senhora D, de Hilda Hilst

Capa do livro A obscena senhora D, de Hilda Hilst,

Capa do livro A obscena senhora D, de Hilda Hilst, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]

A novela A obscena senhora D faz parte da prosa poética da autora. A obra apresenta temática amorosa, sensualidade, fluxo de consciência e questões existenciais. Hillé é a protagonista da obra e também é sua narradora. Outro personagem é Ehud, que a chama de “senhora D”.

A protagonista tem 60 anos de idade e continua “à procura do sentido das coisas”. Narrativa intensa, repleta de vírgulas e poucos pontos-finais, A senhora D mostra uma mulher angustiada e solitária, à qual resta apenas a lembrança do falecido Ehud, seu ex-companheiro de vida, com quem dialoga. 

É, portanto, uma novela psicológica, em que a protagonista, em busca de um sentido, reflete sobre a própria vida:

Caminho com pés inchados, Édipo-mulher, e encontro o quê? Memórias, velhice, tateio nadas, amizades que se foram, objetos que foram acariciados, pequenas luzes sobre eles nesta tarde, neste agora, cerco-os com minha pequena luz, uma que me resta, ínfima, amarela, e eles continuam estáticos e ocos, sobre as grandes mesas, sobre as arcas, sobre a estante escura, sonâmbula vou indo, meu passo pobre, meu olho morrendo antes de mim, a pálpebra descida, crestada, os ralos cabelos, os dentes que parecem agrandados, as gengivas subindo, procuro um naco de espelho e olho para Hillé sessenta, Hillé e emoções desmedidas, fogo e sepultura, e falas falas, desperdícios a vida foi, Hillé, [...].

Frases de Hilda Hilst

A seguir, vamos ler algumas frases de Hilda Hilst, retiradas das obras Júbilo, memória, noviciado da paixão, Roteiro do silêncio e Balada do festival. Portanto, fizemos uma adaptação e transformamos seus versos em prosa:

“Se te pareço noturna e imperfeita, olha-me de novo.”

“Soergo meu passado e meu futuro e digo à boca do Tempo que os devore.”

“O poeta é irmão do escondido das gentes.”

“Enquanto vive um poeta, o homem está vivo.”

“Melhor colher os frutos na vindima que buscá-los em vão pelos desertos.”

“Já não sei mais o amor e também não sei mais nada.”

“Na hora da minha morte, estarão ao meu lado mais homens infinitamente mais homens que mulheres.”

 

Ponto de Leitura (reprodução)

Imagem: Google

Fontes:

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2015.

GIGANTE, Matteo. Hilda Hilst e a “obscena lucidez”: entre receção e repressão. 2016. Dissertação (Mestrado em Estudos Românicos) – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2016.

HILST, Hilda. Cronologia. In: HILST, Hilda. A obscena senhora D. São Paulo: Globo, 2001.

HILST, Hilda. Cronologia. In: HILST, Hilda. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Globo, 2001.

Árias Pequena - Hilda Hilst

Árias Pequenas. Para Bandolim

Antes que o mundo acabe, Túlio,

Deita-te e prova

Esse milagre do gosto

Que se fez na minha boca

Enquanto o mundo grita

Belicoso. E ao meu lado

Te fazes árabe, me faço israelita

E nos cobrimos de beijos

E de flores

 

Antes que o mundo se acabe

Antes que acabe em nós

Nosso desejo.

 

No poema acima o eu-lírico se dirige a um amado que ganha um nome próprio, poucas vezes esse movimento se exibe na obra de Hilda. Túlio é o objeto de desejo apresentado já no primeiro verso que faz mover toda a poesia.

A construção desse poema específico é estruturado a partir de pares opostos: o amor é colocado em contraste com o belicoso, o árabe é o antagonista da israelita. Entretanto, parece que o sentimento de desejo apazígua as diferenças e aproxima o par.

O desejo permanece sendo um mote central que move a lírica amorosa de Hilda Hilst. Nos versos acima encontramos um descarado e provocador erotismo, que pretende seduzir não só o interlocutor - Túlio - como também, e principalmente, o leitor.


Fonte: Pensador

Foto: Google

 

Repensando as Prioridades no Mercado de Trabalho - Rick Boxx

 

Repensando as Prioridades no Mercado de Trabalho

Por Rick Boxx

No início de minha carreira, como muitos jovens, eu tentava adquirir um entendimento do que a busca pelo sucesso iria requerer.  Uma das coisas que aprendi nesse processo estava bem longe do que eu imaginava. 

A primeira vez que encontrei Gregg, ele disse: “Rick, se você optar por trabalhar comigo, precisará conhecer minhas prioridades de vida. Deus vem em primeiro lugar, minha família em segundo e o trabalho em terceiro.”   Para alguém que vinha “fugindo de Deus” por décadas, uma lista de prioridades nessa ordem era estranha para o meu modo de pensar.  Eu não podia imaginar como as prioridades de Gregg poderiam impactar a forma como ele dirigia o banco onde nós trabalhávamos. 

Em breve, porém, isso ficou claro. Antes de avançar em questões de maior importância, Gregg tomava suas decisões de negócios considerando primeiramente Deus e Seus princípios, tal como estão apresentados na Bíblia.  Observar a forma como ele tomava aquelas decisões, revelou para mim como buscar a sabedoria de Deus e me encorajou a considerar como colocá-Lo em primeiro lugar – fazer dele minha prioridade máxima.  Isso teria um impacto positivo em meu trabalho, sua qualidade e eficiência.  

Minhas perspectivas sobre trabalho e minhas prioridades não mudaram da noite para o dia, mas o exemplo de Gregg e as ideias que ele semeou em minha mente tiveram um profundo efeito em mim.  Mais tarde, elas deram frutos, revolucionando minha forma de pensar sobre os negócios e seu propósito – e o meu próprio propósito.  Por fim, isso me levou a estabelecer um ministério de consultoria no qual busco ajudar outros a também compreender o que significa seguir a admoestação de Jesus quando Ele disse:  “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6:33). 

Colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida é mais fácil falar do que fazer. Primeiramente, precisamos crer que é possível fazer isso, e depois, agir de acordo com essa crença.  Esteja certo de que surgirão desafios ao longo do caminho, testando nossas convicções.  Haverá tempos em que ficaremos a imaginar: “Se eu insistir em colocar Deus em primeiro lugar, isso não vai funcionar.”  Podemos ser tentados e pensar:  “Bem, transigir um pouquinho não fará mal algum, não é? Vou torcer um pouco as regras dessa vez, e nunca mais farei isso.” 

Isso, porém, é um dos motivos para lermos:  “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança.  E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.” (Tiago 1:2-4).  Quando a sua fé é testada, incluindo o seu desejo de permanecer fiel às prioridades que foram determinadas, a perseverança se desenvolve.  Isso nos capacita a permanecer fiéis para com as nossas convicções, mesmo quando isso se torna difícil. 

Algumas pessoas podem pensar que tornar Deus a prioridade máxima é um ideal atraente, mas não é nada prático.  Vivemos e trabalhamos em um ambiente profissional altamente competitivo e inflexível, onde a maior parte das pessoas opera segundo as regras que vão contra os princípios bíblicos.  Como podemos nos desenvolver sob tais circunstâncias?  Precisamos ser realistas, certo?

Foi isso o que eu pensei quando conheci o Gregg, mas ele provou que eu estava errado.  Mesmo quando confrontado com a adversidade, ou quando uma decisão em particular era muito difícil, ele jamais vacilou.  Ele permaneceu fiel às prioridades que tinha declarado a mim – Deus, família e depois, trabalho. 

Em alguns momentos houve um preço a pagar, a necessidade de fazer um sacrifício, mas ele nunca transigiu com seus valores.  E ele nunca se arrependeu por adotar esse padrão.  

Permita que eu lhe pergunte:  Que lugar Deus ocupa em suas prioridades de trabalho?

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão   

1. Quais seriam suas prioridades de trabalho?  Você já tentou consciente e intencionalmente defini-las em sua mente, ou escrevê-las para revisá-las periodicamente?

2. Se você tem se esforçado para colocar Deus em primeiro lugar em seu trabalho e empresa, tem sido fácil ou difícil permanecer fiel a esse compromisso?  Que desafios tem enfrentado?

3. Se você nem sempre tem colocado Deus como prioridade máxima no trabalho, pode pensar em alguém que o tenha feito?  Em sua visão, qual tem sido o impacto desse comprometimento?

4. Em sua opinião, porque o teste de nossa fé – permanecer fiéis a nossas prioridades – resulta no desenvolvimento da perseverança?  Por quer isso é importante ou mesmo necessário?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 127:1-2; Isaías 26:3; 41:10; Mateus 6:9-13,19-21, 24-34; Filipenses 4:19. 

 

 

2.01.2026

REFLEXÃO DE UMA PAIXÃO - Luis Pedro Novaes


REFLEXÃO DE UMA PAIXÃO

A vezes, fico reflexivo, pensativo

Se ela, eu não tivesse...

Realmente teria acontecido?

Vários pensamentos ao redor

Incertezas como um nó

Mas tudo sem dó


É esquisito saber

Que por ela, posso viver ou morrer

Diferença não vai ter

Mas por mim, amor puro definido

Isso não é um sentimento de alivio

Mas de um coração partido


Te esperei a todo instante

Inconstante, arrepiante

Sua presença balança

Sacude, com elegância

quero senti-la, mais uma vez

Ou para ser a primeira vez


Sou inquieto para os sentimentos

Sinto queimar por dentro

Uma chama ardente

E um coração ascendente

Como faço para ter ela

Tão linda e atraente?


Vou te dizer,
que coisa complicada

Ter sentimento puro, e ela nada

Ser genuíno as vezes é errado

Pois ela não sabe

Se quer estar ao seu lado


Mas, por todas as experiências

Ainda quero alguém

Que realmente se importe

Ame e suporte

Essa carga de dois polos

Com um amor solo


Que palavras difíceis nós temos

Que não conseguirmos balbuciar

Certos acontecimentos

Só deus à de explicar


E você, sim você

ele fez sem explicação

pois sua complexidade

É dona de toda a razão


Autoria:  Luís Pedro Novaes

Foto: Produção

Turista ou Embaixador? - Robert J. Tamasy


 Turista ou Embaixador?

Por Robert J. Tamasy

 

A maioria de nós gosta de ser turista, visitar novas cidades, até mesmo outras nações.   Não sou tão viajado quanto algumas pessoas, mas já desfrutei de oportunidades para visitar cerca de uma dúzia de outros países.  Sendo turistas podemos ser levados a lugares dos quais apenas ouvimos falar ou conhecemos por fotos.   

 

Lembro vividamente do tempo que passei em diversas cidades da Hungria, por exemplo.  Meus avós imigraram da Hungria, por isso foi interessante ver a “velha terra” pessoalmente.  Também gostei de ir à Alemanha, inclusive à cidade de Giessen, onde nasci.  Ninguém ali se lembrava de mim;  não era de surpreender, já que fui para os EUA quando tinha apenas um ano de idade, mas foi divertido retraçar um pouco da minha história. 

 

As visitas de um turista são geralmente rápidas e o nível de comprometimento bastante baixo.  Nós chegamos para dar uma olhada ao redor, quem sabe tirar algumas fotos, provar a culinária local e talvez comprar lembranças.  Depois voltamos para nossa casa.  Compare isso ao papel de um embaixador, alguém que fixa residência em terra estrangeira por um período de tempo, representando seu país natal.  Eles têm papéis e responsabilidades específicos, agindo com a autoridade que lhes foi confiada. 

 

Eu menciono isso porque 2Coríntios 5:0  oferece uma descrição desafiadora de todos quantos seguem Jesus Cristo, inclusive no mercado de trabalho.  O texto declara:  “...somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o Seu apelo por nosso intermédio...”  Para mim, isto significa que quer eu esteja em um escritório privado, numa sala de conferências, dando um telefonema de vendas, fechando um contrato ou mesmo viajando, meu papel é o de um embaixador por Cristo, representando-O para todos a quem encontro.  Quer eu esteja interagindo com supervisores, colegas de trabalho, clientes ou fornecedores, não estou apenas representando minha organização, mas também Jesus Cristo, como Seu embaixador. 

 

Ser embaixador é um dever que não deve ser encarado levianamente.  Através de nossas ações, bem como de nossas palavras, demonstramos para as outras pessoas o que significa ser um dos seguidores de Jesus.  É uma séria responsabilidade, como 2Timóteo 4:5 declara: “Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério.” Isto está escrito para todos aqueles que professam ter “nascido de novo” por meio de Cristo, como Ele disse em João 3:3.  Essas não parecem instruções dirigidas a meros “turistas”. 

 

Mas no sentido prático, o que significa ser “embaixadores de Cristo”?  Encontramos parcialmente a resposta na segunda parte de 2Coríntios 5:20, que diz:  “...Por amor a Cristo lhes suplicamos:  Reconciliem-se com Deus.” Se somos “clientes satisfeitos”, pessoas que têm experimentado a paz, alegria, perdão, graça, amor e misericórdia de Deus através de Cristo, nós temos a obrigação e a responsabilidade de compartilhar o que aprendemos com outras pessoas a fim de que elas também  possam experimentar tudo isso. 

 

Ainda há mais.  Em outra passagem da Bíblia, lemos: “Pois nós somos cooperadores de Deus;  vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Coríntios 3:9).  Nós trabalhamos para ganhar o nosso sustento, utilizar nossas habilidades, talentos e dons e experimentar realização vocacional.  Entretanto, também somos chamados de “cooperadores de Deus”, pessoas que receberam o privilégio de trabalhar em colaboração com Ele para levar adiante Seus planos e propósitos neste mundo.

 

Como embaixadores de Cristo, Ele deseja trabalhar através de nós para demonstrar o que  significa viver de acordo com Seus princípios e com as verdades bíblicas que nos guiam a cada dia.  Isto não é tarefa para um turista!

  

Questões Para Reflexão ou Discussão   

 

1. O que a palavra “embaixador” significa para você?  De que maneira ser um embaixador difere de ser um turista?

2. Na sua abordagem diária no trabalho, você se descreveria como um embaixador de Cristo ou mais como um “turista”? Explique sua resposta. 

3. Quando a Bíblia diz que devemos ser “embaixadores de Cristo” o que você pensa que isso significa na prática?  Quais os obstáculos ou desafios para sermos capazes de cumprir este papel efetivamente?

4. Você já pensou em si mesmo como um “cooperador de Deus”?  Que diferença faz ou faria pensar a seu próprio respeito dessa maneira?

 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos Eclesiastes 12:13; 1Coríntios 15:58; Efésios 2:10; Colossenses 3:23; 2Timóteo 3:16-17.   

 

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