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1.10.2026

Clodomir Xavier de Oliveira - R. Santana

 

Clodomir Xavier de Oliveira

ALITA: Patrono, cadeira nº. 24

R. Santana (*)


“Todo o escritor que é original é diferente. Mas nem todo o que é diferente é original. A originalidade vem de dentro para fora. A diferença é ao contrário. A diferença vê-se, a originalidade sente-se. Assim, uma é fácil e a outra é difícil”. (Vergílio Ferreira)

     Clodomir Xavier de Oliveira (1910 - 1995) - jornalista, poeta, educador, escritor, político, cacauicultor, artista plástico, Juiz de Paz e professor de Português e Desenho, sindicalista, 5 vezes presidente do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. Fundou em Ubaitaba o CNEG e o CNEC, onde foi professor por vários anos.

     Não se pode falar da grandeza de Clodomir Xavier de Oliveira sem falar de sua cidade Ubaitaba, lugar que, ele morou e desenvolveu sua atividade de educador, poeta, escritor, político, cacauicultor, jornalista e artista plástico nos momentos de ociosidade.

     Ubaitaba, cidade irmã de Aurelino Leal, um pouco mais de 17 mil habitantes, na mesorregião do Sul da Bahia, às Margens do rio das Contas, dentro da Mata Atlântica, dista 450 Km da capital Salvador e que lhe deu o nome o dr. Cleóbulo Santana e Souza. Emancipada por Decreto do Estado da Bahia em 27 de julho de 1933, nessa data foi desmembrada da cidade de Itacaré (BA).

     Ubaitaba é a cidade das canoas, um celeiro cultural, na música se destacou Fernando Luna, grupo “Gang Cidade”, “Jangada Elétrica”, o grupo “Arrocha” e grupo “Kapricho” e de notoriedade o percussionista o José Henrique da Silva Oliveira. No esporte se destacaram na canoagem, Jefferson Bispo de Lacerda e sua principal estrela, Izaquias Queiróz. Ubaitaba ainda se destaca por cultivar o esporte da PETECA e a CAVLGADA.

     Ubaitaba se destaca na literatura com Clodomir Xavier de Oliveira (Closinho), descendente direto daquele que é considerado um dos fundadores da cidade, o Dr. Francisco Xavier de Oliveira. Clodomir Xavier é um dos patronos da Academia de Letras de Itabuna. E, o poeta e compositor Webber Tannus, falecido em 2016,

     No dia 16 de Maio de 2025, aniversariou o professor Clodomir Xavier de Oliveira (Closinho). Se estivesse vivo, ele completaria 115 anos. Filho do Médico Francisco Xavier, o principal fundador desta cidade. Clodomir, era também, escritor, produtor rural e sindicalista.

     “Closinho” como era carinhosamente apelidado, o professor também foi político, embora isso não lhe trouxesse grandes motivações. Exerceu mandatos de vereador e prefeito em Ubaitaba. O que mais lhe alegrava, porém, era a literatura, deixando obras importantes como os livros: Pulu (romance), Estórias de Ubaitaba e outros contos. Clodomir Xavier também era artista plástico e artesão. Foi colaborador do Jornal Tribuna da Região, escrevendo inúmeros artigos, contos e depoimentos.

     Clodomir além de intelectual, ele era escritor, produtor rural, e sindicalista. se caracterizou por grandes iniciativas. Foi fundador do Centro Educacional Ubaitabense (CEU), onde lecionou por muito tempo, ajudou na fundação do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. Lutou pela formação da Cooperativa dos Agricultores de Cacau, demonstrando dessa forma um ferrenho defensor do cooperativismo. “Closinho” como era carinhosamente apelidado, o professor também foi político, embora isso não lhe trouxesse grandes motivações. Exerceu mandatos de vereador e prefeito em Ubaitaba. O que mais lhe alegrava, porém, era a literatura, deixando obras importantes como os livros: Pulu (romance), Estórias de Ubaitaba (contos) e outros. Clodomir Xavier também era artista plástico e artesão. Foi colaborador do Jornal Tribuna da Região, escrevendo inúmeros artigos, contos e depoimentos. O município de Ubaitaba muito deve ao professor Clodomir Xavier que também emprestou seu nome para a única biblioteca publica que existia na cidade. É necessário uma campanha para reativar a Biblioteca Clodomir Xavier de Oliveira e instalar no seu acervo uma secção especial com a obra deste mestre que Ubaitaba nunca esquece, pois ele continua vivo.

Pais: Filho do Médico Francisco Xavier. Seu pai foi um dos principais fundadores de Ubaitaba.

Familia: Carmosina Paraíso de Oliveira (D. Zizi) - esposa. Celisa Oliveira de Almeida, filha. Netos: Maria do Socorro Oliveira de Almeida, Ione Catarina Oliveira de Almeida Gutierres, Marcelo Oliveira de Almeida e Cláudio Roberto Oliveira de Almeida. Foi bisavô e Trisavô.

Histórico Escolar: Primário na Escola Eloy Guimarães, em Salvador, Ginásio Ipiranga, Colégio Antônio Vieira e Ginásio São Salvador.

Produção Literária: Pulu, Estórias de Ubaitaba (Contos e Crônicas), Método Voisin, A Saga do Cacau, Cacau e Leite e Vozes do Cacau (Contos). Colaborou por muito tempo no jornal Tribuna da Região, com artigos, crônicas e contos. Pulu é um romance publicado em 1986 que retrata com sensibilidade e riqueza de detalhes a vida no interior da Bahia, especialmente na região do Vale do Rio das Contas. Poemas: O Meu Canto, Mãe, É a ti flor do cacau, Manezinho Capilé, Memórias de Chico Benício, etc, etc.

     Considerações sobre Clodomir Xavier (Patrono): Não li quase nada sobre Clodomir Xavier, de sua obra conhecia PULU, não sabia se ele era autor de prosa ou poesia, ou, ambos, eu não sabia que, ele havia nascido nem Itacaré, em Ubaitaba , ou, na cidade de Aurelino Leal, mas não manifestei a minha ignorância aos demais confrades, resignei-me com o ensinamento de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa”. Voltei para casa e consultei o “Google”, o pai dos burros e não o “Aurélio”, mas não encontrei nada ou quase nada de Closinho, agora, patrono da cadeira nº. 24, da Academia de Letras de Itabuna - ALITA.

     Recorri aos amigos, Humberto Hugo, Ceres Marylise e Kleber Torres, eles enviaram por e-mail algum material, porém, incipiente para o resumo biográfico do patrono Clodomir Xavier. Não disponibilizaram material necessário para se elaborar uma descrição mais completa para colocá-lo no quadro de patronos, mas valeu o desprendimento e a colaboração..

     ”Não obstante a escassez de referências bibliográficas do poeta e escritor Ubaitabense, suas raízes intelectuais são significativas na região do cacau, fez-se necessário transcrever, abaixo, a título de informação, na íntegra, uma carta enviada ao seu amigo e escritor Euclides Neto, sobre o livro “Os genros”:

Clodomir Xavier de Oliveira para Euclides Neto

Carta em “Os genros” - carta - Ubaitaba - 1981

“Acabei, agorinha mesmo, de ler Os genros. Aliás ler não é bem o caso. Reler, porque o li no chaboque — como você sabe.

 scritor vivo, só por política, é glorificado, por isto é que você é apenas o “escritor de Ipiaú”. Creio que os pósteros é que lhe vão dar o merecido lugar de “O príncipe dos escritores grapiunas. A trouxa de genros foi muito bem lavada.

A linguagem adequada ao assunto. A aplicação saborosa do jargão regional enfeitando a “inculta e bela” na formosura dos verbos bem conjugados e pronomes no lugar certo. As metáforas ilustrativas, sem carecer explicações. Livro gostoso e sério.

O assunto é enxugado de uma maneira tão saborosa e leve, que o leitor é convidado a reler cada capítulo, como o fiz em alguns, combinando o prazer.

Valeu-me também a colaboração que tive com cerca de cinquenta, entre vocábulos e expressões, para o dicionário de termos regionais, que estou tentando fazer.

E, para isto, vai aqui uma exploração: Encontrei à página 92: “. . .bebendo cabrecho no curral”.Que é “cabrecho”?

Aqui os meus parabéns pelo seu livro magistral. Recomende-me a sua senhora. Um abração do amigo” (Clodomir Xavier)

O poeta Gilberto Fernandes lhe prestou homenagem após a sua partida para eternidade, um poema com título HONRA AO MÉRITO, que é uma descrição biográfica do sua história devida:

HONRA AO MÉRITO

Em dia de Gloria e assaz beleza / Com jubilosas festas nos jardins da vida / Despontou mais um astro da língua portuguesa / Para grandeza de nossa pátria tão querida.

Clodomir Xavier de Oliveira, escritor, autodidata / Digno de pergaminho / Foi jornalista, escritor, poeta e educador / Mesmo tão longe tem aqui nosso carinho.

Notável cronista e até consagrado / Pelo estilo primoroso de escrever./ Deixou ao mundo, um público renomado / que até hoje lê suas obras com prazer

Seu nome está no resplendor da história com “Pulu” / Ou tudo mais que sempre fez e quis / Ubaitaba manterá sua memória / Esta homenagem o fará feliz.

Iluminou o caminho de muita gente / E ensinou de graça aos que não sabiam ler, / Mostrou ao mundo, provas de amor fremente / E ao irmão, nobre ensejo de aprender.

Na Central do Cacau foi grande presidente / Formidável, sábio excepcional / Seu nome está no bronze e na patente, / Por tudo isso, foi, pulcro final.

O homem morre, mas seu nome permanece / No pedestal da gloria que o projetou / O tempo pode passar, porém ninguém esquece / A batalha da vida que o imortalizou.

E quando o sol despontar no horizonte / E a aurora beijar as flores dos jardins / Acharás esta mensagem sobre os montes / Entre as saudades e perfumados jasmins. Poeta Gilberto Carlos Fernandes

CONCLUSÃO:

     Eu fui designado pela presidente da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, confreira Raquel Rocha para elaborar uma minibiografia de Clodomir Xavier de Oliveira, patrono da cadeira nº. 24. No início tive alguma dificuldade material publicado na Internet, porém, pouco e pouco solicitei informações de amigos que moraram em Ubaitaba, a quem registro gratidão e, no caso do jornalista Humberto Hugo que privou de sua amizade, gratidão dobrada.

     Clodomir Xavier de Oliveira foi um sujeito singular, autodidata literário, assim como Machado de Assis, escreveu romance, contos, poesias, colaborou com uma produção vasta e permanente no jornal Tribuna da Região, com artigos, crônicas, entrevistas, etc. Além de educador, sindicalista, político, cacauicultor e artista plástico.

     Ubaitaba, a cidade das canoas, de esporte como a CANOAGEM, a PETECA, e a CAVALGADA, na música, Fernanado Luna, vários grupos musicais de sucesso nacional, na literatura, destacaram-se Clodomir Xavier de Oliveira e o compositor e poeta Webber Tannus.

     Clodomir Xavier, apelidado pelos íntimos de CLOSINHO, teve seu reconhecimento em vida, dentre outros ficcionistas, Jorge Amado, Adonias Filho e Eucides Neto. Em PULU, vê-se a força de sua linguagem criativa e erudita e estilo original.

     Na política, CLOSINHO nadou de braçada, foi vereador e prefeito de Ubaitaba, foi um dos fundadores do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau - CNPC. A história ubaitabense que, ele se destacou como bom administrador no executivo dessas entidades políticas.

     Na Educação, ele fundou o Centro Educacional Ubaitabense (CEU), onde foi professor por muitos anos. Emprestou seu nome para Biblioteca Municipal de Ubaitaba.

     Enfim, Clodomir Xavier deverá estar sempre no panteão dos homens que construiram o Sul da Bahia com suas ideias, força de trabalho e patriotismo. E, que a posteridade jamais o esquecerá. Rilvan Batista de Santana

(*) Rilvan Batista de Santana - lecionou Matemática no curso médio no Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Instituto Municipal de Educação Aziz Maron – IMEAM, como professor. Foi vice-diretor e diretor do Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Assistente de Direção do IMEAM, foi professor do Colégio Diógenes Vinhaes em Itajuípe, coordenador de área de matemática por vários anos. Publicou seus primeiros artigos e crônicas no semanário SB Informações e Negócios – Itabuna e no jornal Diário de Itabuna. Foi vereador e 1º Secretário do Legislativo itabunense, secretário (secção Itabuna) do Movimento Democrático Brasileiro-MDB, hoje, PMDB. Agraciado com o “Título de Cidadão Itabunense”, em 28 de Julho de 2019, pela Câmera de Vereadores de Itabuna. “Título de Mérito Educacional”, em 16 de outubro de 2019, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Na Academia de Letras de Itabuna ocupa a cadeira 09 cujo patrono é Walker Luna. Desde cedo é leitor contumaz de poetas e romancistas brasileiros e estrangeiros, é um autodidata da literatura de ficção.

Fonte: Tribuna da Região / Jornal a Região / Site: Esteja a gosto / Site: euclidesneto.com / Wikipédia.

Enviado por Rilvan Santana em 31/07/2025

Alterado em 31/07/2025

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O pastor e o leão - Monteiro Lobato

 

O pastor e o leão

Um pastorzinho, notando certa manhã a falta de várias ovelhas, enfureceu-se, tomou da espingarda e saiu para a floresta.

- Raios me partam se eu não trouxer, vivo ou morto, o miserável ladrão das minhas ovelhas! Hei de campear dia e noite, hei de encontrá-lo, hei de arrancar-lhe o fígado...

E assim, furioso, a resmungar as maiores pragas, consumiu longas horas em inúteis investigações.

    Cansado já, lembrou-se de pedir socorro aos céus.

    - Valei-me, Santo Antônio! Prometo-vos vinte reses se me fizerdes dar de cara com o infame salteador.

    Por estranha coincidência, assim que o pastorzinho disse aquilo apareceu diante dele um enorme leão, de dentes arreganhados.

    O pastorzinho tremeu dos pés à cabeça; a espingarda caiu-lhe das mãos; e tudo quanto pôde fazer foi invocar de novo o santo.

    - Valei-me, Santo Antônio! Prometi vinte reses se me fizésseis aparecer o ladrão; prometo agora o rebanho inteiro para que o façais desaparecer.

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No momento do perigo é que se conhecem os heróis.

Interpretação e moral da história

A história do pastor e do leão é das poucas das Fábulas protagonizada por um personagem humano e não por um animal - embora os animais desempenhem papel importante na narrativa do pastor e do leão.

A fábula contada por Monteiro Lobato fala ao pequeno leitor sobre a força de um pedido realizado. Ela mostra o poder do pensamento do pastor e as consequências práticas desse desejo quando finalmente acontece aquilo que o protagonista tanto ansiava.

A lição da fábula nos introduz a sabedoria de que só conhecemos verdadeiramente os fortes quando eles são colocados à prova, em situações de risco. É o caso do pastor, que a princípio parece muito valente, mas que afinal acaba por se revelar um medroso quando o seu pedido finalmente se torna realidade.


Autoria: Monteiro Lobato

Foto: Google

Geometria dos ventos - Raquel de Queiróz

 Geometria dos ventos - Raquel de Queiroz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema Geometria dos Ventos de Álvaro Pacheco)



Fonte: O Pensador
Autoria: Raquel de Queiroz
Foto: Google





1.09.2026

A Parede dos 80 anos - Hidek Wada

 O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os 

segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:

Continue caminhando.

Quando estiver com raiva, respire profundamente.

Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.

Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.

Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.

Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.

A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.

Não há necessidade de tomar remédio demais.

Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.

Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.

A preguiça não é motivo de vergonha.

Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).

Faça o que quiser; não faça o que não gosta.

Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.

Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.

Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.

Faça tudo com cuidado.

Não se envolva com pessoas de quem não gosta.

Não assista à televisão o tempo todo.

Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.

“Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.

Coma frutas e saladas frescas.

O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.

Se não conseguir dormir, não se force.

Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.

Diga o que sente; não pense demais.

Encontre um “médico de família” o quanto antes.

Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.

Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.

Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.

Se parar de aprender, você envelhece.

Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.

A inocência pertence aos idosos.

Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.

Tomar sol traz felicidade.

Faça coisas que beneficiem os outros.

Gaste o dia de hoje com tranquilidade.

O desejo é a chave para a longevidade.

Viva com alegria.

Respire com leveza.

Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.

Aceite tudo em paz.

Pessoas alegres são amadas por todos.

Um sorriso traz boa sorte.

Envelhecer não é uma limitação, é um presente. Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, 

os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem 

medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade.


Att.:

Compartilhe isso com todos os “jovens de idade avançada” que você conhece.


Autoria: dr. Hideki Wada

Fonte;: Google

A Carteira - Machado de Assis


 A Carteira

1884

Parte de Contos na Imprensa - Fase 8 (1884)

Este conto foi originalmente publicado em A Estação, em 15 de março de 1884, assinado por M. de A. O texto da presente edição foi cotejado com a publicação original, acessível no acervo digital da Coleção Brasiliana da Universidade de São Paulo.

    ... De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:

    - Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.

    - É verdade - concordou Honório envergonhado.

    Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.

    - Tu agora vais bem, não? - dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.

    - Agora vou - mentiu o Honório.

    A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.

    Dona Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.

    Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.

    - Nada, nada.

    Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A ideia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com trinta e quatro anos; era o princípio da carreira; todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a esperar, a gastar, a pedir fiado ou emprestado, para pagar mal, e a más horas.

    A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao enfiar pela rua da Assembleia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando. Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até ao largo da Carioca. No largo parou alguns instantes, enfiou depois pela rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no largo de São Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede, olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achara. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.

    Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinquenta e vinte; calculou uns setecentos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e, com medo de a perder, tornou a guardá-la.

    Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? Era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio. Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.

    "Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do dinheiro", pensou ele.

    Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele.

    A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dous empurrões, mas ele resistiu.

    "Paciência", disse ele consigo; "verei amanhã o que posso fazer."

    Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado, e a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa.

    - Nada.

    - Nada?

    - Por quê?

    - Mete a mão no bolso; não te falta nada?

    - Falta-me a carteira - disse o Gustavo sem meter a mão no bolso -. Sabes se alguém a achou?

   -Achei-a eu - disse Honório entregando-lha.

    Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.

    - Mas conheceste-a?

    - Não; achei os teus bilhetes de visita.

    Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.


Autoria: Machado de Assis

Imagem: Google

1.08.2026

O fantasma da moto - R. Santana


O fantasma da moto - R. Santana

    Eu gostaria que o leitor não pensasse que essas histórias de fantasmas são contos de carochinhas. Se não são verdadeiras, não me considere culpado, pois elas não nasceram da minha mente, não tenho nenhuma experiência do além e não pratico a fé espírita, mas dou ouvido e voz às pessoas que já tiveram experiência com os nossos irmãos do lado de lá. Claro, quem conta um conto aumenta um ponto porque o trabalho do contador de história é mexer com o sentimento humano, mexer com a emoção de cada indivíduo, mas fiel à verdade do acontecimento.
    O jovem Paulo Veneto, Paulinho, insistiu que colocasse no papel sua história de “O fantasma da moto”, argumentei-lhe que no Século XXI, século da internet, século do celular, século do laptop, século do tablet, século do homem pisando na Lua e a caminho de Marte, ninguém mais iria acreditar em alma penada, assombração, aparição, visagem ou coisa que valha, além disso, soube pelo seu primo Leonardo que Paulinho mente mais do que cachorro de preá, portanto, finquei pé, por algum tempo, e não me deixei levar pelo ridículo de acreditar em alma que vaga à toa.
    Porém, ele tanto insistiu que fiquei na casa do sem jeito, mas exigi-lhe que jurasse por todos os santos conhecidos e os santos desconhecidos. Paulinho não claudicou jurou por todos os santos, pela barba do profeta Maomé e pelo sangue e hóstia de Jesus Cristo. Mesmo assim, continuei na defensiva, resistindo, enfim, que não nasci com o talento de Jorge Amado, de Adonias Filho, de Monteiro Lobato e do mestre Machado de Assis para contar história nem com o misticismo de Paulo Coelho, mas não lhe convenci e me fez ver que: “quem não tem cachorro, caça com gato”, o importante, seria que todos soubessem de sua história, então, eis a seguir, a narrativa de “O fantasma da moto”.
    Paulinho comprou uma moto para trabalhar de mototaxista em Itabuna, mas durou pouco tempo nessa atividade, surgiu na cidade de Ilhéus um emprego fixo numa empresa não legalizada de caça-níqueis. Não obstante o risco do trabalho ilegal, o clamor da barriga foi mais forte que os apelos éticos e morais da consciência, portanto, aceitou o emprego e lá se foi pra cidade vizinha, à boquinha da noite, voltava para sua casa.
    A BR- 415 liga as duas cidades e tem uma distância, um pouco mais ou um pouco menos de 30 Km, a margem do lado esquerdo sentido Ilhéus, ficam os sítios, as fazendas, a CEPLAC, a UESC, o posto da Polícia Rodoviária Estadual, ruas do Salobrinho e do Banco da Vitória e um cemitério de pobre no sopé de um morro; do lado direito, fica o rio Cachoeira, fica um posto da Polícia Rodoviária Federal, fica uma extensão da CEPLAC, alguns empreendimentos, também, ruas do Salobrinho e Banco da Vitória.
    Foi defronte ao cemitério, às 23:35 h, sentido Itabuna, que Paulinho encontrou um rapaz, moreno baixo, de capacete na cabeça, viseira aberta, roupa de motoqueiro, uma moto 125 cc no descanso, um lado da carenagem quebrado e o tanque de gasolina amassado. Inicialmente, pensou passar ao largo, não gostava de passar pelo cemitério, sentia calafrios, de medo o cabelo ficava em pé empurrando o capacete, mas não havia jeito, é passagem obrigatória, o jeito era virar o rosto pra o lado contrário, naquele dia todo artifício para não encarar a última morada foi em vão, o rapaz se colocou no meio da pista gritando socorro:
    - Socorro! Socorro! Socorro!...
    - E aí meu brother, houve o quê?
    - Uma carreta deu-me um safanão!
    - Comunicou à polícia!?
    - Não!
    - Por que não o fez?
    - Pra quê? Estou sem celular e não anotei a placa do carro...
    - O quê posso fazer?
    - Pode me dar uma carona até Itabuna?
    - E a assassina aí!? – apontou pra moto.
    - Não tem mais gasolina – o fedor de gasolina contaminava o ar - mandarei o guincho...
    - Nesse caso, suba na máquina, é quase meia noite!...
    Os dois vieram papeando como velhos amigos. O carona contido, Paulo Veneto extrovertido, mesmo assim, eles falaram sobre família, trabalho, mulher, festa, violência no transito e futebol. Todos os assuntos tratados an passant, com exceção de futebol, pois ambos os motoqueiros disseram que gostam e praticam o esporte nos finais de semana. O carona disse que torcia pelo Corinthians em São Paulo, Flamengo no Rio e Bahia em Salvador, destoava do piloto, apenas, o clube Bahia, Paulinho deixou claro que em Salvador torcia pelo Vitória.
    Na entrada de Itabuna, nas imediações do Los Pampas, Paulinho começou sentir uma sensação estranha, uns picos de calor e frio. Os cabelos em pé, os olhos vermelhos, as mãos dormentes, com alguma dificuldade de acelerar a moto, o tempo começou fechar, um chuvisco fino começou molhá-los, Paulinho ainda comentou:
    - Brother, eu acho que estou com febre... arrepios em todo corpo... – fez uma pequena pausa:
    - Onde você mora?
   - Atrás do Hospital Calixto Midlej, mas não quero lhe dar trabalho, ficarei no início da Amélia Amado... – Paulinho bonachão:
    - De jeito nenhum!
    Não mais tocaram no assunto, o carona fez do silêncio o sim. Paulinho desceu a Avenida Ilhéus com velocidade acima da média e ao invés de entrar na rua à esquerda, destino bairro São Caetano onde mora, entrou à direita, sentido bairro Pontalzinho, quando chegou defronte ao cemitério, o carona o fez parar:
    - Pare, eu vou ficar aqui...
    -Aqui, onde!? Aqui é a porta do cemitério meu brother!
   - Moro no cemitério! – simultaneamente, desceu da moto, tirou o capacete, o lado esquerdo do rosto estava em carne viva, o sangue começou gotejar no chão... Os olhos, brasas vivas, chispavam de terror, deu as costas ao motoqueiro e atravessou a porta fechada como se porta não tivesse ali, Paulinho gelado de pavor em cima da moto, tentou gritar:
    - Sangue de Jesus... sangue de Jesus... sangue de Jesus... – desmaiou.
    Os relógios da cidade, naquela hora, marcavam um minuto depois da meia noite. Os vigias do hospital e prédios vizinhos, mais alguns parcos transeuntes que passavam naquele momento, lhe prestaram socorro. Ele abandonou o emprego, hoje só vai a Ilhéus em Sol a pino.
    Esta história, ele me fez registrar não faz 6 meses e com a condição de não citar o seu verdadeiro nome. Se algum engraçado debocha e não acredita, ele não o condena, mas o desafia:
   - Meu amigo, se você tiver tutano, passe lá no cemitério da BR- 415, perto da meia noite, provavelmente, irá encontrar o fantasma da moto! 


Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Foto: Google

  1.  

O Espelho - Machado de Assis

 


Machado de Assis (1839 — 1908) foi um escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro que continua sendo encarado como um dos nomes mais importantes da literatura nacional.

Lembrado principalmente pelos seus romances, obras-primas como Dom Casmurro (1881) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1899), o autor também escreveu teatro, poesia e duas centenas de contos.

Confira, abaixo, trechos dos melhores contos machadianos, acompanhados por uma breve análise das narrativas:

1. O Espelho

Um dos contos mais célebres do autor, ele foi publicado originalmente em setembro de 1882, na Gazeta de Notícias, sendo depois lançado na obra Papéis Avulsos, do mesmo ano. A narrativa acompanha a conversa de um grupo de homens que refletem sobre questões filosóficas e metafísicas.

Um deles, chamado Jacobina, defende que todos temos duas almas, uma interior e outra que mostramos ao mundo. Para ilustrar a tese, conta uma história da sua juventude: quando se tornou alferes e começou a receber elogios por isso, passou a precisar dessa validação dos outros para se encarar no espelho.

Tinha uma sensação inexplicável. Era como um defunto andando, um sonâmbulo, um boneco mecânico. Dormindo, era outra coisa. O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra. Acho que posso explicar assim esse fenômeno: — o sono, eliminando a necessidade de uma alma exterior, deixava atuar a alma interior. Nos sonhos, fardava-me, orgulhosamente, no meio da família e dos amigos, que me elogiavam o garbo, que me chamavam alferes; vinha um amigo de nossa casa, e prometia-me o posto de tenente, outro o de capitão ou major; e tudo isso fazia-me viver. Mas quando acordava, dia claro, esvaía-se com o sono a consciência do meu ser novo e único, — porque a alma interior perdia a ação exclusiva, e ficava dependente da outra, que teimava em não tornar... Não tornava. Eu saía fora, a um lado e outro, a ver se descobria algum sinal de regresso.


Autoria: Machado de Assis

Fonte: Pensador

Imagem: Google

1.07.2026

Uma criatura - Machado de Assis

 

Uma criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.

Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.

Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.

Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.

Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.

Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.

Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.

Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a Vida.

Autoria: Machado de Assis 


 

A Lebre e a Tartaruga

 A Lebre e a Tartaruga

"A Lebre e a Tartaruga", ilustração de Milo Winter.

A Lebre e a Tartaruga é uma das Fábulas de Esopo, que foi posteriormente recontada por La Fontaine, na qual uma lenta tartaruga vence a corrida de uma lebre. É a fábula de número 226 no índice Perry.

História

Era uma vez... uma lebre e uma tartaruga. A lebre vivia caçoando da lerdeza da tartaruga. Certa vez, a tartaruga, já muito cansada por ser alvo de gozações, desafiou a lebre para uma corrida.

A lebre, muito segura de si, aceitou prontamente. Não perdendo tempo, a tartaruga pôs-se a caminhar, com seus passinhos lentos, porém, firmes. Logo a lebre ultrapassou a adversária e, vendo que ganharia fácil, parou e resolveu cochilar. Quando acordou, não viu a tartaruga e começou a correr. Já na reta final, viu finalmente a sua adversária cruzando a linha de chegada, toda sorridente.

Moral

Mais vale um trabalho persistente do que os dotes naturais mal aproveitados. Devagar se vai ao longe.

 

Autoria: Esopo / La Fontaine

Origem: Wikipédia

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