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11.02.2025

O mundo das possibilidades - R. Santana

 


O mundo das possibilidades

R. Santana

 

     O livre-arbítrio e o determinismo sempre mexeram com a cabeça dos pensadores. Hoje, ganha fôlego o princípio filosófico do livre-arbítrio, pelo menos para explicar as ações humanas e o maniqueísmo filosófico do bom e do mal, ou seja, o homem, animal racional, possui o livre-arbítrio de escolher Deus ou o Diabo, o certo ou o errado.

     Às vezes, o determinismo ganha mais força para justificar o inexplicável, principalmente, junto ao homem simples, é comum alguém dizer: “...foi o destino, Deus quis assim...”, isto é, como se tudo tivesse predeterminado, decerto, é a maneira do homem simples racionalizar o imprevisto.

     O determinismo é a teoria do fatalismo, mecanicista, as coisas não acontecem por acaso, tudo tem uma razão a priori de ser, veja o exemplo do que ocorre com as castas sociais hindus, elas são predeterminadas, um pária (casta inferior) não tem o direito de aspirar sua ascensão social ou religiosa, pois lhe é negado desde o nascimento esse direito pela sociedade e pelo sistema religioso brâmane.

     Há dois ou três anos, quando me debrucei para estudar a biografia do escritor Machado de Assis, surpreendi-me como alguém que nasce de pai pintor de parede, mãe lavadeira, pais paupérrimos e sem instrução, torna-se um dos maiores escritores do país. Sua mãe o deixa por morte ainda menino, ele consegue transpor tantas dificuldades e tornar-se romancista, contista, jornalista dramaturgo, teatrólogo, cronista e funcionário 13 graduado de alguns Ministérios brasileiros, além de ser o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras – ABL.

     A história de Machado e tantas outras histórias de vidas que parecem predestinadas, me fez compreender, que ambos os princípios, o determinista e o livre arbítrio, não respondem aos questionamentos mais profundos do ser humano. A História da Humanidade não pode ser reduzida à malícia da serpente, à fragilidade de Eva e à ingenuidade de Adão, que instigado por Eva, Adão usou o seu livre-arbítrio e comeu a fruta do conhecimento (mesmo ameaçado de morrer e expulsão do Éden) do bem e do mal, a fruta do pecado, a maçã, a fruta do amor... de lá pra cá, somos todos vítimas do pecado original, ou seja, nascemos com o estigma do determinismo do pecado original.

     Embasado nessas observações empíricas e nas diatribes aos princípios deterministas e do livre-arbítrio (determinantes do comportamento humano), é que sugiro aos meus leitores, o “princípio da possibilidade”, decerto, este princípio responderá às mais inexplicáveis questões sócio-ambientais, a reconceituação do bem e do mal, a sorte e o azar, exorciza o destino predestinado e diminui a força do livre arbítrio e foi sistematizado em possibilidades: a) Necessárias; b) Contingenciais; c) Reais.

     Entendo que a “possibilidade necessária” é a que se impõe por si, não deixa de ser, verdade absoluta. Deus é uma possibilidade essencial, existe por si, mesmo que alguém o negue, o reconhece como idéia lógica que subsiste por si. A “possibilidade necessária” está na categoria kantiana dos “conceitos puros e fundamentais à unidade dos juízos”.

     A “possibilidade contingencial” é de natureza absurda, contingente, que fere as leis da razão e do bom-senso cartesiano - não confundir este princípio com a filosofia existencialista de Kierkegaard, Camus, que questionam os conflitos existenciais do homem com Deus, a morte, enfim, com sua essência. A “possibilidade contingencial” responde às coisas mais imediatas, aos fatos do dia a dia, de natureza improvável, não transcendental, não filosófica, não lógica, não determinista, mas de possibilidades existentes e reais. 

     É uma temeridade leitor, citar exemplos aleatórios, porém, em nome do entendimento, eis aí três exemplos que desafiam à razão:

     -Alguém diz que nunca morrerá de acidente de avião porque jamais o usará como meio de transporte, porém, um dia lhe cai o avião sobre sua casa e o mata. -Alguém que não sabe nadar diz que nunca morrerá afogado porque jamais entrará num barco, numa canoa, num navio ou tomará banho em lagoa, rio ou mar, mas a natureza revoltada despeja chuvas torrenciais e afogam-no e submerge sua casa em tempo recorde...

     -Alguém de natureza cordata, eticamente correto, caseiro, do trabalho pra casa, da casa para o trabalho, que não é de briga, família, um dia é vítima fatal de uma bala perdida de um confronto de bandidos ou um confronto de polícia e bandido.

     As pessoas comuns atribuirão a esses fatos inexplicáveis ao destino, à predestinação, os mais místicos, às explicações espirituais, todavia, tudo não passa do “mundo das possibilidades”, mesmo remotíssimas, do meio que estamos inseridos, nós somos as nossas circunstâncias...

     A “possibilidade real” é quando as condições são reais, as possibilidades sócio ambientais confluem para um determinado fim, elas dependem, somente, da vontade, do livre-arbítrio do indivíduo, da sua escolha a priori, do seu foco.

     O filho de um pesquisador, de um cientista, por exemplo, pode ser influenciado pelo meio familiar e seguir o pai profissionalmente, todavia, ele poderá seguir uma profissão não correlata, de acordo às suas convicções de foro íntimo.

     O provérbio popular que “não existe sorte nem azar, tudo depende do modo de agir”, é um aforismo reducionista do princípio do livre-arbítrio, como se tudo fosse produto da vontade, do que “eu posso”, “eu quero”, que em condições reais, é provável, mas, longe de explicar aquilo que pode ou não pode acontecer, a exemplo das “possibilidades contingenciais”.

     Espero que esse princípio teórico das “possibilidades”, responda aos questionamentos do homem, que ele não atribua ao destino ou à categoria de fenômenos providenciais o que ocorre independente de sua vontade, mas ao “mundo das possibilidades” que todos nós estamos inseridos.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Imagem: Google

 

 

Para Gustavo Fernando Veloso Menezes - R. Santana

 


Para Gustavo Fernando Veloso Menezes - R. Santana

Para Gustavo Fernando Veloso Menezes,

 

Estimado alitano:

 

     Faz algum tempo que conheci a “professora Cláudia”, carinhosamente, tu a chamas de “Claudinha”, este diminutivo é um superlativo que expressa teu amor infinito pela mulher que tu escolhestes para ser mãe dos teus filhos e seqüência teus netos. Para nossa família, ela representa uma persona grata que apareceu num momento difícil para nos socorrer na morte prematura de nossa filha primogênita há anos de sofrimento e tristeza.

     Não sei se esta carta servirá de estímulo para lhe dizer que representa um valioso fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA, não por apadrinhamento, mas pelo que tem escrito e divulgado sobre o bairro itabunense de Ferradas. Hoje, Frei Ludovico de Livorno (1816), poder-se-ia dizer que ele foi o fundador de Ferradas, reconhecido pelo resultado de suas pesquisas e sistematização da História, antes de suas pesquisas, o Frei Ludovico tinha sido um religioso que havia passado naqueles confins de mundo, onde, também, nasceu Jorge Amado.

     Quando lhe conheci com esse vozeirão, cismei por me chamar de “GIGANTE”, pensei com os meus botões: “esse cara é gozador, chama um nanico de gigante”, com o tempo, compreendi que seu coração é generoso, maior do que “Gustavão”, que avalia às pessoas não pelo físico, mas pelo caráter, pelo “bem-querer” e amizade sincera.

     Invejo-lhe pelo sentimento de família que possui, tem medo de perder sua “Claudinha”, seus filhos e seus netos, porém “Gustavão”, é a lei da vida, lembre-se do sábio indiano:

     “Morra o avô”, “morra o pai”, “morra o filho” , “morra o pai”, “morra o filho”. “O dono da casa perguntou”: “Mestre, isto é uma bênção?”, “O sábio respondeu: É uma bênção. Felizes dos que vão nesta ordem”.

     Caro “Gustavão”, não conheço nenhum princípio filosófico da existência que possa ser substituído por esse pensamento indiano. Não tive essa sorte, como é sabido, perdi uma filha por morte de doença com 16 anos de idade, o tempo passa, mas a cicatriz não fecha.

     Porém, não podemos nos queixar da vida, vivemos no “Mundo das Possibilidades”, tudo pode acontecer independente da nossa vontade, vejo o livre-arbítrio com reserva, nem sempre fazemos nosso destino, sou adepto de Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar...”

     Certa feita me pediu pra que lesse seu livro e fizesse uma avaliação, esse pedido muito me honrou, porém, “Gustavão” é um historiador de mancheia não precisa de auxílio de nenhum escritor, salvo, para apresentar ou introduzir sua obra histórica, acho que faz isso por humildade, porém, nem sempre a humildade ajuda, às vezes, tira nossa autoconfiança. Não sofro desse mal, quando escrevo, não sou imune à crítica, mas me importa que, eu escrevi de acordo minha consciência e ajuda de Deus. Não faz muito tempo, um “mestre” das letras criticou minha “crônica”, respondi-lhe: “com devida vênia, não é uma crônica é um conto, portanto, suas críticas não procedem”.

     Ninguém é mais que você e/ou será se souber usar seu pensamento, lembre-se de Descartes: “cogito ergo sum”, tudo está na força do pensamento, se soubermos usar o pensamento não existirá dificuldade material ou intelectual, todos nós somos potencialmente iguais na capacidade de elaboração e realização.

     Queremos mais o quê? Plantamos uma árvore, temos filhos e netos e escrevemos um livro, a vida nos proporcionou o que negou a muita gente, portanto, somos abençoados pela Providência de Deus.

     Enfim “Gustavão”, não tenha medo daquilo que é irreversível, daquilo que não pudemos mudar no curso da nossa vida, tenha medo de não deixar exemplo para filhos e netos. “A palavra voa, a escrita fica e o exemplo permanece”, seremos avaliados pelo exemplo e você é exemplo de honradez, de generosidade, de justiça, de empatia, para sua família, para sua comunidade, para as letras itabunenses e para Academia de Letras de Itabuna.

     Do seu amigo “Gigante”, que é seu admirador e de Claudinha, São Caetano, Itabuna (BA), 06 de dezembro de 2023, Rilvan Batista de Santana.

 

Rilvan Batista de Santana

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

 

 

 

 

Nela- R. Santana



Nela- R. Santana

 

     Não sei se o nome dela era Nelha, Nélia, Agnela, apelido ou mesmo Nela. Quando a conheci, eu tinha 5 ou 6 anos de idade, ela deveria ter menos de 30 anos de vida. Nela era alta (sem ser espigão), corpo longilíneo, cabelos castanhos ondulados, olhos verdes esmeraldas, pele europeia, enfim, uma deusa grega, mas era italiana de nascimento.

     Tudo começou quando meu tio Pedro e “mãe” Judite resolveram aventurar a vida no Sul do País, eles escolheram Porecatu, cidadezinha do Paraná. Naquela época, a cana de açúcar era responsável pela riqueza da região. A cana de açúcar cobria milhares de hectares de terra, era a lavoura principal, a única.

     Tio Pedro não tinha costume de trabalhar em roça e “mãe” Judite foi trabalhar de doméstica numa casa rica e tio Pedro foi trabalhar no bar, restaurante e sorveteria de Nela, o único da cidade. A freqüência era ótima, a cerveja, o whisky e a cachaça pura de alambique e os petiscos deixavam os bebedores com vontade de virar a noite.

     Na minha ingenuidade de criança, pouco e pouco, fui sabendo das coisas: ela era viúva, não queria saber de casamento e não se desgrudava dum revólver 38 luzídio no bolso do vestido ”tubinho” colado ao corpo fulgurante. Seu casamento não lhe deixara filhos, talvez, a causa de seu gênio irascível e temperamento dominante.

     Porém, não existe coração duro para que um coração ingênuo de uma criança não amoleça... Eu tinha os mesmos traços físicos dela: branco, olhos verdes, cabelos de milho verde, nordestino com traços europeus. As pessoas perguntavam a Nela se eu era seu filho, quando não era conhecido, ela dizia “sim”. Eu sentia-me bem que Nela fosse minha mãe de verdade, não de mentira.

     Tio Pedro adquiriu sua confiança e passou administrar o trabalho do pessoal da cozinha e os garçons. Embora fosse o chefe, ele se sentia como um deles, por isto, a produtividade e a receita aumentaram, porque todos trabalhavam com gosto, Nela esporadicamente ia ao restaurante, chegava e saía como cliente e nada esmiuçava.

     Nela possuía uma “Fobica, modelo Ford”, o luxo do luxo, bancos de couro e rodas enraiadas douradas. Fobica toda vermelha com detalhes pretos. Porecatu, naquela época, contavam-se as ruas, todo mundo se conhecia, todo mundo era amigo de todo mundo, cidade bairrista, o forasteiro levava tempo pra ser aceito. Nela me colocava no assento da frente (não havia cinto de segurança), mas suportes para segurança e proteção.

     O Natal lá foi um dia dos mais felizes de toda minha vida. Acostumado com carrinhos feitos de lata de óleo de comida, nesse Natal, quando me acordei, estendido sobre a cama um conjunto de roupas para vesti-las na Missa do Galo e Ano Novo e, embaixo da cama à altura dos pés um velocípede amarelo com detalhe vermelho. Para mim um sonho e não realidade.

     Diz o provérbio popular: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe...” , final de janeiro daquele ano, tio Pedro e “mãe Judite” deram saudade de Itabuna e comunicaram à Nela que iam voltar pra Bahia.      Ela só faltou se ajoelhar para que eles ficassem, mas em vão, a saudade dos amigos, parentes, era mais forte.

     Na casa do sem jeito, ela implorou pra que me deixassem como adoção, porém, o orgulho de gente pobre é mais enraizado, nem pensar naquela proposta. Eu chorei, estrebuchei-me, fiquei doente, porém, eles trouxeram-me de volta para vida medíocre, paupérrima.

     Acho que Nela e eu nunca nos esquecemos, o destino é injusto e mau!...

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

 

Dona Maria - R. Santana (O perfeccionista)

 


Dona Maria - R. Santana

(O perfeccionista)

 

     Naquela época, na época de Zenaide Maglhães. O Instituto Municipal de Educação – IMEAM, ele funcionava em vários lugares: Rua do Zinco (à noite, funcionava a Faculdade de Economia de Itabuna - FACEI), no Bairro de Fátima (Rua São José), e, na Sementeira 8 salas mais sala de direção e sanitários femininos e masculinos.

     Oduque ganhou a eleição (1973), fui designado para “Assistente Administrativo” do vespertino na Sementeira, eu era o mandachuva da tarde, com menos de 30 anos de idade, não pensava em morte, em doença, para mim, tudo tinha que ser perfeito, honesto e ético. Não gostava de preguiçoso nem de gente “enrolada”

     Eu era o primeiro que chegava e o último que saía, chovesse, trovejasse, relampejasse, tivesse um Sol pra cada um, eu estaria lá, cuidando dos alunos, dos professores e do pessoal de apoio, se o indivíduo trastejasse por motivo fútil, no fim do mês, o salário vinha descontado no seu holerite. O indivíduo, reclamava, bufava, xingava minha mãe (às escondidas), mas, eu lhe dava exemplo de não negligenciar o trabalho, no mês subsequente, ele se “ajustava”

     Bem, se arrependimento matasse, eu já teria morrido muitas vezes, porém, sei que Deus já me perdoou o que fiz com dona Maria que há anos foi recolhida para morar num cantinho do céu. Tenho o coração limpo e a consciência tranquila, nunca humilhei nenhum subalterno, porém, era exigente na condução do trabalho, era perfeccionista, ainda hoje, eu o sou, é de natureza, qualquer atividade, tem que sair perfeita, nem que a eu tenha de repetir muitas vezes pra encontrar o meu ponto de perfeição.

     Dona Maria era uma mulher rechonchuda (não chegava à obesidade), alegre, paciente, que trabalhava fazia muitos anos na prefeitura de nossa cidade. Sua idade já beirava aos 65 anos, não tinha ainda se aposentado porque gostava demais da escola e morava frente com frente, em questão de segundos, ela estava na escola e vice-versa,

     Embora com idade provecta, ela era ágil e trabalhadeira, começou cismar comigo com razão: quando eu chegava, antes de abrir os portões para o alunado, eu ia de carteira em carteira com o dedo em riste, escrevendo se encontrasse alguma poeira, depois a limpeza dos sanitários, aí, se tivesse algum mal feito, dona Maria teria que refazer o trabalho. Não na minha presença, mas para seus íntimos, ela me xingava de idiota, incompetente, filho de uma ronca e fuça e outros adjetivos impróprios. Os puxam sacos colocavam-me a par da situação, eu fazia ouvidos moucos.

     Naquela sexta-feira do de 1974 ou 1975, dona Maria, muito alegre brincou com os professores e alunos e até comigo e foi pra casa depois do expediente vendendo saúde e alegria, na segunda-feira subsequente, quando cheguei à Sementeira e soube do ocorrido: morte súbita. Nunca tinha chorado depois de adulto, mas chorei igual uma criança e magoado porque a família não ter me avisado, não sei se propositadamente ou, eles não souberam me localizar. Naquela época não havia WhatsApp e o telefone fixo era privilégio de poucos.

     Eu gostava demais da velha, ela morreu sem conhecer esses sentimentos, é que, por natureza, não confundia obrigação e devoção. Gostava dela, ela lembrava a minha mãe adotiva, mas, o cumprimento do dever estava acima dos sentimentos de empatia, lamentavelmente, eu priorizava o bem-estar de 300 alunos e uns 30 professores, além de outros funcionários, queria tudo em ordem, sem negligência.

     O tempo é o senhor da razão. Hoje, com os cabelos encanecidos, após afastar do caminho muitas pedras e desviar-me de muitos buracos, entendi que perfeito só Deus, nós somos vulneráveis, imperfeitos, finitos e mortais, enfim, nós não somos nadica de nada... 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

 

Modelo Esgotado de Literatura - R. Santana

 


Modelo Esgotado de Literatura - R. Santana

     Sempre gostei de ler e escrever. Na juventude, eu li Ernest Hemingway, Morris West, Sidney Sheldon, Fiódor Dostoiévski, Sartre, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Drummond, Castro Alves, José de Alencar, Shakespeare, etc. Não os lia por obrigação, gostava de lê-los. No vestibular li por obrigação uns livros de autores portugueses e alguns autores brasileiros. Hoje, os jovens e muitos adultos não gostam de ler textos ou livros de conteúdo de “n” páginas, mas, mensagens de conteúdo exíguo no WhatSapp, “Instagram” e outras Redes Sociais.

     Concomitante, gostava de escrever, no início, nos meus cadernos escolares ou papel pautado, depois com o tempo, adquirir uma máquina “Remington”, por fim, uma “Olivetti”. Era um péssimo datilógrafo, embora tenha estudado na escola do professor Leopoldo na Rufffo Galvão. Era péssimo datilógrafo, professor Leopoldo exigia que teclássemos com todos os dedos, porém, me sobressaia com os dedos da mão esquerda e um dedo da mão direita, consolei-me anos depois, quando notei que Jorge Amado usava método parecido.

     Rasguei muito papel (não havia corretor, hoje, com o Word, o escritor corrige à bessa, quantas vezes forem necessárias), quando no término de um conto ou uma crônica ou uma carta, que não estava a contento, eu rasgava e começava tudo de novo. Não havia arquivo, com o tempo tudo era perdido, salvo, publicado em jornais ou editoras. Para escrever para jornais diários ou semanais, o sujeito teria que ser reconhecido como escritor, então, quando o diretor do jornal era seu parente.

     Os parágrafos acima não justificam presunção de saber, contudo, demonstram que não sou um neófito da literatura, tenho certa trajetória como autodidata com as letras para afirmar sem demérito de ninguém que: “o atual modelo de literatura está esgotado”. Produzir literatura, hoje, comercialmente, não existe retorno financeiro, mas afetivo, realização pessoal. Monteiro Lobato foi sábio em seu pensamento: “O livro é uma mercadoria como outra qualquer; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. Se o livro não vende é porque ele não presta”.

     O livro não vende “é porque ele não presta”, não é verdade, é que o velho modelo de literatura está em extinção. Na época do barroco, do romantismo, do realismo, do modernismo, do início da era contemporânea, não havia outro meio de comunicação literária, senão, os periódicos, o teatro, os folhetins, as revistas e o livro físico.

     Atualmente, existe uma enxurrada de meios de comunicação, mais sucintos, com narrativas, imagens e áudios em tempo real: “Videogames”, “Iphones”, “E-books”, e “Box – Apps no Google Play” Filmes Digitais”. “Histórias Infantis Digitais”. Os textos podem ser escritos em WORD e PDF com a condição de serem arquivados por “n” tempo.

     Os livros físicos, nos dias atuais, se usam nas estantes para serem empoeirados ou ruídos pelas traças. As grandes bibliotecas os escaneiam, fotografam e ao invés de servir para um usuário para lê-lo, o livro serve para milhares de leitores com o uso dos downloads.

     Que os escritores atuais me perdoem, mas existe um mercado inflacionado de autores, todo mundo quer ser poeta ou escritor, sem vocação, sem talento criativo, sem domínio do idioma e conteúdo literário supérfluo e esgotado, existe mais transpiração do que inspiração, ideias velhas em produções novas.

     É de somenos importância escrever “n” livros, se não tem nada de novo, com exceção dos livros de pesquisa científica, feitos pra um segmento profissional. Hoje, a literatura tradicional está travestida no “Tik Tok”, “Kwai”, com histórias curtas, imagem e áudio. O gosto pela leitura tradicional desapareceu depois da INTERNET, de conteúdos virtuais digitalizados. Quem deixa de ler conteúdos simplificados no WhatsApp e outras Redes Sociais, para ler um livro físico de 200 páginas? Ninguém.      E, ainda estamos no começo da tecnologia eletrônica virtual, daqui a 50 anos, não sei que, os técnicos e cientistas irão inventar, já deram um pontapé inicial com a “Inteligência Artitificial” que é usada na produção de textos avançados de  tecnologia diversa.

     Se algum recalcitrante me perguntar: “... não iremos mais fazer poemas, romances, crônicas e haicais, sabichão?” Responder-lhe-ei: “...Oh, filho de Toth, deus da escrita e de conhecimento, estou lhe sugerindo que se adapte à nova tecnologia, estamos no Século XXI o passado é História”.

     Não adianta escrever “n” livros pra ser reconhecido como poeta ou escritor romancista. Euclides da Cunha se imortalizou com “Os Sertões”, Hemingway com o “Corvo”, Antoine de Saint-Exupéry com “O Pequeno Príncipe”, Kafka com “O Processo”, etc. Às vezes, se escreve demais, mas o livro não caiu no ⁷gosto do povo. O escritor tem que achar o veio da mina, nem todo mundo tem essa sorte.

     Sem presunção de sabedoria, este texto tem objetivo dizer aos escritores de mais idade ou jovens que se não se adaptarem aos novos tempos, seu trabalho será esquecido na estante ou jogado no lixo. Hoje, a música, a escrita, as artes plásticas e outras manifestações culturais ou se adaptam às novas descobertas eletrônicas informatizadas, mesmo com qualidade, serão esquecidas nas ondas do tempo.

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna – ALITA

Imagem: Google

Quem sou eu? - R. Santana

 


Quem sou eu? - R. Santana

     Viandante da vida que com os cabelos encanecidos, eu já superei buracos, valetas, murundus, ribanceiras pra chegar até aqui. A vida é boa, vale a pena viver, mas a vida é íngreme, cada dia um problema, cada problema uma solução, Deus é o nosso pronto socorro, nosso Pai Eterno, a fé ajuda-nos na estrada da vida chegar ao destino final.

     Nunca conheci meus pais biológicos, fui criado pelo afeto emprestado de parentes de alma pura. Devo-lhes a sobrevivência, a formação moral, ética e intelectual. Não havia recurso material e financeiro em abundância, contudo, herdei exemplos de vida que os levarei para eternidade.

     Não chego ao exagero de Gabriel Garcia Marques: “Quando não escrevo, morro. Quando escrevo, também”, gosto mais de Mário Quintana: “escrevo para viver”. Eu gosto de escrever, quando escrevo exorcizo todos os males da mente, a ruindade que fiz para alguém e as maldades que fui vítima. Escrevo mais para mim, nem meu vizinho sabe que sou escrevinhador. A única coisa da vida que não desejo é ser famoso nem conhecido pessoalmente, gosto do meu site: http://saberliterario.prosaeversos.net que tenho mais de 30.000 (trinta mil) leitores, eles não me conhecem fisicamente, nem os conheço.

     Li em algum lugar de Adonias Filho: “Na guerra neurótica das letras, o pior, o que está embaixo querer nivelar os valores do que está em cima de quem tem legado consistente, com os que estão embaixo com produção medíocre, pois na existência, as gradações são inevitáveis”. Devemos respeitar e honrar a memória do escritor de “Luanda Beira Bahia”, mas não existe guerra, as produções medíocres não se sustentam com a literatura consistente. A literatura boa deixa um legado eterno, a literatura medíocre o destino é o lixo da história.

     A Bahia é o estado da federação que mais se destaca pelos seus poetas e escritores de ficção, aqui, temos Jorge Amado, Firmino Rocha, José Bastos, Valdelice Pinheiro, Adonias Filho (Itajuípe), em outros lugares do estado: Castro Alves, João Ubaldo Ribeiro, Myriam Fraga, etc,

     Hoje, entre os que estão vivos, temos poetas e escritores de importância histórica. Não existe produção medíocre daquele que cultiva a bela arte do verso e da prosa, existem autores mais populares que outros.

    Nos dias atuais, escritores e poetas que não têm marketing, jamais serão reconhecidos. É sabido que alguns autores pagam para saírem na Wikipédia (Google), enciclopédia internacional, no entanto, o escritor e o poeta que não podem fazer esse marketing, eles são desconhecidos e suas produções literárias são “medíocres”. Se o escritor e o poeta que seus livros não atingiram os níveis de “best-seller”, eles são tão comuns quanto os poetas e os escritores iniciantes.

     Não existe guerra pra quem está embaixo ou em cima, o livro não é uma mercadoria de marca, o povo decide pelo melhor conteúdo, o mais interessante, o mais objetivo, proposta nova (não história de mofo), diferente, não conteúdo esgotado e o termo “best-seller” em todo o território nacional. Lembro-me do “O Alquimista” de Pauloo Coelho, uma história de autodescoberta, tornou-se febre nacional, pelo fato de ser diferente de um momento pra outro.

     Sem demagogia, não me apresento como escritor, mas, um amador, um amante da palavra, um apaixonado pela criatividade e que escreve por diletantismo, não pra competir com os escritores consagrados ou iniciantes, escrevo pelo prazer de escrever, eu sou o principal leitor, talvez o único, nessa caminhada já escrevi 500 produções licenciadas (contos, crônicas, artigos, cartas literárias, etc.), e, 06 romances e um ensaio filosófico, para muitos, produções medíocres, subliteratura, para mim, dizer ao mundo que sou um ser pensante.

     “Quem sou eu?” Um ser finito, imperfeito, que acredito que estou vivo pela vontade do Senhor do Universo.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

Humildade - R. Santana

                                                 


Humildade - R. Santana

 

     Dentre muitas virtudes do ser humano, a humildade é que mais me toca. O sujeito arrogante, prepotente ninguém suporta e ninguém o perdoa no erro. O arrogante, ego inflado, dono da verdade, seu saber não tem a mesma grandeza de uma pessoa com a mesma atividade, porém, humilde e cônscio de que até os gênios não têm o domínio de todo conhecimento.

     Nunca me esqueci de uma história de humildade que testemunhei há anos. Quando surgiu a lâmpada fluorescente comprida, eu morava e trabalhava com meu tio Pedro Batista de Santana. Ele tinha um serviço de bar com sinucas, dominós, baralho e balcão de sorveteria, hoje, é a casa lotérica do Bairro São Caetano. Tio Pedro comprou várias calhas com adaptadores, “Starts’ e transformadores para que a iluminação do bar fosse modernizada e chamou Luciano pra executar a instalação.

     Luciano era um sujeito gabola, exagerado, gabava-se ter feito o curso de eletricidade numa escola americana. Luciano, a galinha dele botava 2 ovos por dia. No dia que foi fazer a instalação, chegou depois de meio dia. Fez um desenho de rascunho, subia escada, descia escada, puxava fio pra aqui e acolá, instalou as calhas, mas no momento que acionou os interruptores nada de luz e o tempo ia passando...

     A instalação teria que ser feita pra que um interruptor ligasse todo o sistema, isto é, que todas as lâmpadas acendessem simultaneamente, aí estava o nó do problema. Já eram 16:30 horas, o tempo ameaçava escurecer e Luciano estava mais perdido do que cego em tiroteio. Se anoitecesse sem luz elétrica seria um caos para o serviço de bar e tio Pedro já estava desesperado.

     No canto do balcão um sujeito conhecido pelo nome de “Benzinho” olhava os movimentos de Luciano com a humildade e paciência de Jó, porém, leu no rosto de tio Pedro o desespero devido ao horário e se manifestou:

     - Seu Pedro, se seu eletricista não se incomodar, eu ligo tudo aí em menos de 30 minutos, estou vendo seu vexame... – foi o suficiente para mexer com os brios de Luciano:

     - Você liga essa rede elétrica em 30 minutos?

     - Sim! - Luciano exasperou-se e chamou o desconhecido pra apostar uma caixa de cerveja e mais CR$ 100,00 (cem cruzeiros), Pedro foi o fiador. “Benzinho” :

     - Seu Pedro, eu irei ligar nesse tempo, contudo, o acabamento ficará pra amanhã, pelo tardar da hora – Pedro concordou.

     “Benzinho” pegou a escada, puxa fio aqui e acolá, em alguns lugares passava a fita isolante, colocou as lâmpadas nas calhas, ajustou os “Starts”. Subia e descia a escada com a performance de um artista circense, caminhava pelas peças de madeira pra puxar os fios com a destreza de quem era acostumado fazer aquilo, antes das 17 horas, gritou lá de cima da cumeeira:

     - Seu Pedro ligue o interruptor. O interruptor foi ligado e todas as lâmpadas acesas e o ambiente iluminado, foi uma festa! Luciano ficou com cara de paspalho, ainda tentou justificar-se, mas, não havia explicação para sua incompetência, ignorância e arrogância.

     Na minha atividade de escritor amador há 17 anos que publico nas redes sociais e plataformas, encontro muitos egos inflados que se acham imortais das letras. Sempre lhes digo que escrevo por necessidade da alma, porém, com os pés no chão e quando fechar os olhos tudo vai pra o lixo eletrônico. Tenho consciência que Deus não me deu os talentos de Mário Quintana, Manuel Bandeira, Olavo Bilac, Morris West, Machado de Assis, Drummond, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, etc.

     O Sul da Bahia é um celeiro de artistas plásticos (pintura, desenho, gravura, escultura, etc.), juristas, jornalistas, cientistas, pesquisadores, historiadores, geógrafos,  escritores de ficção e poetas, porém, com exceção de Adonias Filho e Jorge Amado, conhecidos no país e no estrangeiro, a maioria absoluta exerce sua atividade a nível local e regional, aqui,  ainda não se produziu um “bestseller’, não é referência no ENEM, não existe obra literária adaptada pra novela da REDE GLOBO, não é matéria da “Veja”, etc. Todos são modestos “imortais”. É insensatez ou puxa-saquismo dizer que a obra de alguém daqui representa uma academia.

     Hoje, é comum a palavra “empatia”, que significa colocar-se no lugar do outro, sentir seus problemas, contudo, pra colocar-se no lugar do outro, é necessário desprendimento, ego desinflado e humildade, sem humildade jamais haverá empatia. O arrogante, o prepotente e o ditador jamais irão sentir a dor do outro.

     Ser humilde não é ser subserviente, lacaio de alguém, incompetente, sem caráter, pau-mandado, personalidade fraca, ser humilde significa cônscio de suas limitações, generoso, compreensivo, consciente que o outro precisa de ajuda e, Deus lhe deu muitos atributos físicos, intelectuais e morais para que compartilhe com seu irmão menos aquinhoado.

     Jesus Cristo deixou-nos um exemplo de humildade há 2000 anos, na ceia da Festa da Páscoa (João 13). O significado de humildade que é emblemático: lavou os pés e os beijou de todos os 13 discípulos, inclusive, o de Judas Iscariotes.

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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Meu amor pela literatura - R. Santana

 


Meu amor pela literatura 

R. Santana

     Comecei cedo no caminho literário, tinha naquela época, 08 (oito) anos de idade, um pouco mais ou um pouco menos. A minha casa a biblioteca se resumia: um caderno de caligrafia, uma cartilha, um pequeno quadro-giz, lápis, borracha, uma lapiseira e giz. Meus “pais” eram analfabetos de pai, mãe e madrinha de apresentar, porém, exigiam que o filho fosse aluno comprometido com os deveres escolares e se tirasse nota vermelha, a palmatória era a psicóloga e a orientadora educacional, não havia traumas...

     Meu primeiro encontro foi com a “Literatura de Cordel”. Os níqueis que recebia dos meus tios ou do padrinho, eu corria pra banca de livros na feira-livre e comprava: “O pavão misterioso”, “A chegada de Lampião no Inferno”, “O menino que descobriu os pés redondos do Diabo numa festa”, “Sanção e Dalila”, etc. Quando os lia para os meus pais, na mesa da cozinha à luz de candeeiro, era uma festa...

     Eu gostava de literatura de cordel, pois são sextilhas fáceis de ler e declamar, eu cantava com voz infantil para os meus “pais”, as aventuras de “Lampião” , as estripulias do diabo e outros personagens da literatura de cordel.

     Porém, foi no ginásio e no colégio que comecei ter um contato mais efetivo com grandes autores nacionais e estrangeiros. Eu não estudava os livros, eu lia-os por prazer e aprender os recursos que os autores usavam em sua arte da palavra. Machado de Assis, por exemplo, não escrevia de maneira linear, mas, o leitor teria que ler até o final para fechar o enredo.

     Até hoje, nenhum estudioso concluiu se Dr. Bento Albuquerque Santiago foi traído por Capitu com seu amigo Escobar. Ele a exilou e o filho para Europa pelo resto dos seus dias. Depois de muitos anos Ezequiel veio conhecer o pai que para Bentinho foi um suplício porque foi como se Escobar tivesse ressuscitado. Dr. Bento Albuquerque o tratou com gentileza e simulou o afeto de pai. Após, Ezequiel morreu de febre tifóide em Jerusalém numa expedição arqueológica no Egito.

     Na juventude li tudo que podia comprar: Ernest Hemingway, Exupéry, Alan Poe, Tolstoi, Dante, William Shakespeare. Quando fiz vestibular, eu estudei vários escritores e poetas portugueses, Eça de Queiroz, Camões, etc. Porém, Jorge Amado, Drummond, Machado de Assis, Cora Coralina, Lima Barreto, Adonias Filho, Mário Quintana são os meus mestres eternos.

     Faz-se necessário esclarecer que não sou um crítico literário, um doutor em idiomas, um estudioso da literatura brasileira e estrangeira, porém, um autodidata, um leitor contumaz e um “escritor” de poucos recursos criativos e um desconhecido nos meios de expressão cultural do país a exemplo de Paraty / Rio de Janeiro.

     Hoje, honra-me pertencer á Academia de Letras de Itabuna - ALITA, naquela época, fui indicado pelo Dr. Marcos Bandeira, nunca o tinha visto, sabia que era o juiz de direito da cidade. Dei-lhe no primeiro encontro 2 romances de minha autoria, aí, ele me chamou para fazer parte da academia, respondi-lhe que já havia recebido um convite da AGRAL, ele insistiu:

     - Não é só para ser um membro da academia, mas fundar uma nova academia.

     No dia 19 de 2011, eu estava lá no meio dos intelectuais de maior expressão intelectual da terra do cacau e menos de 02 (dois) meses depois, a academia estava pronta como pessoa jurídica, 40 membros efetivos e alguns correspondentes.

     Qualquer academia é formada por pessoas de vida pregressa ilibada e saber literário reconhecido por publicações em revistas específicas ou livros físicos, agora, livros virtuais. No Brasil, o modelo de academia é o modelo francês, fundada por Richelieu em 1635. Não é um grupo homogêneo, pensamento único, briga de egos, por isto, a necessidade de um ESTATUTO e um REGIMENTO pra regular as condutas, senão, seria briga de foice, principalmente, por aqueles mais reconhecidos no meio literário. Porém, têm escritores e poetas humildes que não são egoístas nem arrogantes. Adonias Filho e Jorge Amado eram humildes, solidários e generosos com os novatos, e deixaram histórias eternas.

     Eu não me considero escritor, no máximo, escritor amador, mais um leitor, todavia não tenho inveja quem escreve melhor, Deus não premiou todos com 5 (cinco) talentos: alguns têm 1(um) talento, outros, 3(três) talentos e quem lhe foi dado uma missão maior 5 (cinco) talentos. Acho que para mim sobrou 1 (um) talento.

     Eu nasci pra ser anônimo, vida simples, nunca ser estrela, nunca na primeira fila, nunca serei estrela, a luz da estrela é incandescente e exige sempre que ilumine a sombra e eu gosto mais da sombra, a claridade intensa incomoda os meus olhos.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Filosofia - R. Santana

 

Filosofia

R. Santana

 

     Sempre encontro o meu amigo Tanaguchi na Praça Olinto Leone, eu não tenho intimidade suficiente para procurá-lo em sua casa. Eu sei que gosta dessa praça, principalmente, nos fins de semana, aposentado, não tem outro lazer, senão, jogar conversa fora num lugar público e aprazível. Acho que Tanaguchi gosta de preservar sua privacidade, por isto, prefere prosear nos bancos de jardim: - Sócrates itabunense.

     Quando chego à praça, não espero que me procure, eu o procuro para absorver sua sabedoria e conhecimento:

     - Bom dia, mestre Tanaguchi!

     - Quanto tempo Narvil?

     - Faz algum tempo que não tenho saído de casa!

     - Posso saber o motivo?

     - Cada dia, eu decepciono-me com o outro. Hoje, as pessoas só pensam em si, em se locupletar, seus interesses inconfessáveis atropelam os princípios morais mais simples, então, quem fica em seu canto, chora os seus prantos.

     - Meu caro Narvil, nós aprendamos com os defeitos do outro. A melhor resposta para essas más condutas, é o silêncio, alguém já disse que o tempo é o senhor da razão. Hoje, quando alguém me prejudica, material, moral ou intelectualmente, deixo que o tempo resolva, às vezes, a solução tarda, mas chega – acrescentou:

     - Narvil, Deus fez os homens semelhantes, não iguais, já pensou se todo mundo fosse igual? Temos que aceitar as diferenças e aproveitar o melhor de cada um, se pensar assim, você encontrará a paz.

     - Eu sei Tanaguchi, porém, o mundo está cheio de gente soberba e orgulhosa. Nós não somos iguais, porém, somos semelhantes, existe em nosso ser uma centelha divina como a generosidade, a solidariedade, a empatia, a compaixão, o amor, também, a honestidade, a coragem e a verdade, todos estes atributos estão desaparecendo, dando lugar à maldade, à vaidade, ao egoísmo e à violência. Deus foi eterno em sua sabedoria, deu o dom da vida, também, a morte. Já pensou Tanaguchi, se o homem não morresse?

     - Sim, meu caro Narvil: o mundo já teria sido destruído várias vezes pela ação bélica do homem. Sabe quantas ogivas e mísseis balísticos as potências mundiais têm em seus arsenais? Milhares! O mundo está governado por malucos, egoístas e vaidosos que se possuíssem o remédio da vida eterna, a humanidade estaria reduzidíssima.

     - Permita-me discordar de você em relação à morte. Acredito em Jesus Cristo, Ele venceu a morte: ”Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?"(João 11:25-26). Os escolhidos não morrerão!...

     - Não sou ateu nem agnóstico. Creio num Criador, a natureza é perfeita, decerto, existe uma “Inteligência Universal” que criou todas as galáxias que existem, porém, para mim, morreu acabou. Somos matéria e a matéria voltará para seu estado natural. A alma, o espírito, a ressurreição e a reencarnação não passam de sublimação que o homem racionalizou para diminuir seu sofrimento, suas agruras e sua tediosa existência.

     - Homem de pouca fé, Deus não nos fez à Sua Imagem, à toa, pra nada? O homem não nasceu só pra ser pó, mas faz parte dum grande projeto da criação do Universo. Qual a palavra (Bíblia) que tem mais de 2000 anos e permanece atual? Tudo se acaba, o tempo destrói tudo, porém, a palavra de Jesus Cristo permanece viva, Ele redimiu o pecado, venceu o Diabo e prometeu a ressurreição e a vida eterna para quem Nele crê!

     - Tanaguchi, eu não possuo sua fé, sua religiosidade, sua cultura, dói-me o sofrimento do mundo, dói-me ver os maus mais contemplados com as benesses do mundo do que os bons, o mal persegue os puros de coração, não os filhos da maldade.

     - Narvil, nós não conhecemos os desígnios de Deus, “Ele escreve certo com linhas tortas”, aquilo que pensamos que é sofrimento de alguém, é a purificação de sua alma. O quê fez um recém-nascido para nascer no sofrimento? Nada! Porém, Deus reservou para cada ser um destino que lhe é revelado no fim da vida. Contudo, é necessário exercitar o poder da fé, o homem de fé está mais próximo de Deus.

     - Meu amigo, não sou ateu, nem agnóstico, nem deísta, eu sou um humilde racionalista. Não tenho o poder da fé, a minha fé não se baseia em milagre, mas, na razão, admiro o poder da fé, admiro todos os religiosos de alma pura, porém, especulo à verdade, não condutas beatas de paixões cegas.

     - Estimado Narvil, nunca é demais invocarmos o pensamento do filósofo francês Voltaire, que é o direito de liberdade, cada indivíduo tem que ter seu pensamento livre, não nascemos pra censura, todavia, a sociedade “freia” as condutas extravagantes, o nosso direito termina quando começa o direito do outro: “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo”. Você é um homem bom, logo, encontrará o caminho da fé.

     - Obrigado meu estimado Tanaguchi. Irei refletir suas palavras doravante, quem sabe se meu coração não se abrirá para as coisas desconhecidas do outro lado da vida.

     - Até logo Narvil, deixemos essa discussão pra depois.

     - Ok!

 

 

Autor: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna

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Biografia - R. Santana

 

                                                                                                     Biografia

                                                                                                    R. Santana

 

Rilvan Batista de Santana – A vida é íngrime e imprevisível, somente os fortes sobrevivem.

 

Natural de Lagarto (SE), nascido em 01 de Junho de 1946, foi trazido para Itabuna com 01 (um) ano de idade por Judite Rodrigues Ramos, sua tia e mãe adotiva. Infância pobre, mas criado com princípios morais e dignidade. Estudante de escola pública desde tenra idade. Formado em Filosofia/Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia pela FAFI/UESC.

 

Rilvan Batista de Santana lecionou Matemática no curso médio no Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Instituto Municipal de Educação Aziz Maron – IMEAM, como professor. Foi vice-diretor e diretor do Colégio Estadual de Itabuna – CEI e Assistente de Direção do IMEAM, foi professor do Colégio Diógenes Vinhaes em Itajuípe, coordenador de área de matemática por vários anos. Publicou seus primeiros artigos e crônicas no semanário SB Informações e Negócios – Itabuna e no jornal Diário de Itabuna. Foi vereador e 1º Secretário do Legislativo itabunense, secretário (secção Itabuna) do Movimento Democrático Brasileiro-MDB, hoje, PMDB. Agraciado com o “Título de Cidadão Itabunense”, em 28 de Julho de 2019, pela Câmera de Vereadores de Itabuna. “Título de Mérito Educacional”, em 16 de outubro de 2019, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Na Academia de Letras de Itabuna ocupa a cadeira 09 cujo patrono é Walker Luna. Desde cedo é leitor contumaz de poetas e romancistas brasileiros e estrangeiros, é um autodidata da literatura de ficção.

 

Pais: Leonor Batista de Santana e pai ignorado. Não conviveu com os seus pais biológicos com a idade de 01 (um) ano, foi trazido para Itabuna, por sua tia, Judite Rodrigues Ramos e o marido.

 

Família: Vanda Maria de Santana (cônjuge). Filhos: Ana Paula Batista de Santana (in memoriam), Anne Glace Batista de Santana e Paulo Roberto Batista de Santana.

 

Histórico Escolar: começou o fundamental (curso primário) em escolas do Bairro São Caetano, mas, terminou os três últimos anos na Escola Sagrado Coração de Jesus, professora Nair Assis Menezes. 1º. Ano de Ginásio, Escola Comercial de Itabuna. Concluiu o ginásio e o científico no Colégio Estadual de Itabuna. Vestibular na FAFI, licenciado em Filosofia/Matemática e pós-graduado em Psicopedagogia –UESC.

 

Produção Literária: 24 livros de romances, contos e crônicas, etc. 2 impressos pela Editora t+oito (RJ), “O Empresário” e “Maria Madalena”, o restante, editados em PDF e publicados nas Plataformas dos Livros: Recanto das Letras, Domínio Público (Governo), amazon.com e Bookess e Facebook.

 

Livros Romances: “O empresário”, “Dom Patinhas”, “Maria Madalena”, “O enviado”, “O DNA de Emanuel”, “A face obscura do homem”. Ensaio: “O homem nasce pra ser feliz?”, Livros de contos e crônicas: “Retalhos da vida”, “Guriatã, o intérprete”, “Hanna”, “Atir”, “Carta para Paula”, “Lágrimas Rolando”, “Antologia de Prosa”, “Suor, cacau e sangue”, “Rosas com espinhos”, “O Juiz”, “O menino dos olhos verdes”, “São Caetano”, “Casas mal assombradas”, “Contos e Crônicas”, “Cristais Quebrados” e “Crônicas & Crônicas”.

 

Fatos e curiosidades relevantes: A fundação da ALITA e a posse como membro fundador, na cadeira nº. 09 (Patrono Walker Luna), como membro fundador. Relato - ALITA E AGRAL (texto que celebra a minha entrada na Academia de Letras de Itabuna):

“Itabuna e Ilhéus são duas cidades pujantes do Sul da Bahia que sempre nutriram um ranço de rivalidade comum às cidades interioranas que se compenetram de sua importância no desenvolvimento do seu estado.

Na telenovela Gabriela da rede GLOBO, escrita por George Durst, do romance Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado e dirigida por Walter Avancini, reforça as nossas considerações dessa construtiva e benigna rivalidade histórica, quando o principal personagem do romance, o caudilho “coronel” Ramiro Bastos, rompe politicamente com o intendente de Itabuna que apoiado pelo jovem político Mundinho Falcão, pleiteiam junto ao governo do estado, separar Itabuna de Ilhéus e torná-la cidade, os meus leitores conhecem o desfecho...

Pois é Mané, não é que após 50 anos de Ilhéus ter sua ALI, Itabuna, hoje, fundou sua ALITA, ou melhor, fundou a ALITA e a AGRAL!... As duas casas literárias irão, certamente, juntar os poetas, os romancistas, os trovadores, os ensaístas, os cronistas, os articulistas, enfim, os valores expressivos da palavra e da escrita.

ALITA foi parida, veio à luz, numa das salas da FICC, às 9:00h, no dia 19 do mês de abril do ano cristão de 2011, e, acalentada nos braços dos preclaros Cyro de Mattos, Dinalva Melo, Ruy Póvoas, Antônio Laranjeira Barbosa, Geny Xavier, Marialda, Gustavo Veloso, Marcos Bandeira e outras mulheres e homens de expressão literária da terra do cacau.

Este “escrevinhador”, o segundo filho de dona Leonor, também, estava lá, não com a mesma competência obstétrica dos demais confrades, mas com o mesmo desejo de vê-la nascer com saúde para daqui alguns anos, ela perambule e troque ideias com suas irmãs gêmeas neste país de Drummond, Cora Coralina, Aluísio de Azevedo, Adonias Filho, Amado Jorge (perdoe-me o trocadilho), João Ubaldo Ribeiro, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Guimarães Rosa e o mulato Lima Barreto, dentre outros, e, o nosso mais louvado escritor, jornalista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, poeta e crítico literário, o mulato, Joaquim Maria Machado de Assis de registro de nascimento e “Machado de Assis” para o povão.

ALITA nasceu do desejo democrático dos seus pais, ou seja, da ideia gerada e amadurecida ao longo dos anos no ventre de mulheres e homens de Itabuna, ela não nasceu de uma transa esporádica, duma pirocada leviana, mas nasceu depois de vários exames e consultas aos ginecologistas e com DNA de mulheres e homens que constroem sonhos.

Parabenizo as duas meninas ALITA e AGRAL, peço o apoio e a compreensão de ALI para suas novas irmãs. Parabenizo, também, os seus padrinhos, Jorge Leal Amado de Faria e Adonias Aguiar Filho, espero que elas cresçam com saúde, sem picuinhas, sem competições, sem rivalidades e abriguem nos seus seios, filhos e filhas naturais e adotivos que honrem essas terras do sem fim de Ilhéus e Itabuna”. Rilvan Batista de Santana – Academia de Letras de Itabuna – ALITA

 

Considerações sobre Walker Luna (Patrono, cadeira nº. 09): “Nunca havia lido uma linha sobre Walker Luna, não conhecia sua obra, não sabia se ele era autor de prosa ou poesia, ou, ambos, eu não sabia se ele havia nascido na Bahia, no Pará, ou, na Cochinchina, mas não manifestei a minha ignorância aos demais confrades, resignei-me com o ensinamento de Paulo Freire: “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa”. Voltei para casa e consultei o “Google”, o pai dos burros e não o “Aurélio”, mas não encontrei nada ou quase nada de Walker Luna, agora, meu patrono.

Recorri aos amigos, Antônio Lopes e Eglê, eles enviaram por e-mail algum material, porém, incipiente para o resumo biográfico do patrono, um mês depois, recebi um e-mail do filho de Walker Luna, através do presidente Marcos Bandeira, parabenizando-me pela homenagem que tinha prestado ao seu pai, com a promessa de disponibilizar o material necessário para se elaborar uma descrição mais completa e colocá-la no quadro de patrono, infelizmente, foi tudo.

Walker Luna escreveu pouco, a exemplo de Castro Alves, Álvares de Azevedo, Firmino Rocha, Valdelice Pinheiro e Helena Borborema. Os seus livros: Esses seres de mim (1969), Companheiro (1979), Estação dos pés (1983) e Um ângulo entre montanhas (1985), são no dizer de Telmo Padilha: “... de elaboradíssima tessitura, são personalíssimos e possuem uma ductilidade rara entre os seus companheiros”.

Homem arredio, antissocial, sofrido, se preocupava mais com a qualidade de sua poesia do que quantidade de editoração, ele mereceu de Assis Brasil e de seu conterrâneo Cyro de Mattos, sinceros elogios, para Cyro de Mattos, a poesia de Walker

Luna “possui homogeneidade temática e formal, seus poemas interligam-se por um fio narrativo, um complementando o outro, atingindo níveis vertiginosos, compartilhando perplexidade, angústias, emoção que vibra o ontem e o hoje em sua dicção solitária, ao mesmo tempo em que mistifica imagens.”

Nascido em Itabuna, em 06 de agosto de 1925, começou o curso primário com Dona Etelvina de Andrade e o terminou no Colégio Belfor Saraiva, aos 14 anos, mudou-se para Salvador e concluiu o curso secundário no colégio do professor Hugo Baltazar. Conta-se que não fez curso superior e aos 19 anos radicou-se no Rio de Janeiro, onde começou publicar suas poesias.

Não obstante a escassez de referências bibliográficas do poeta itabunense, sua falta de raízes da região do cacau, fez-se necessário registrar o seu poema: “A cidade Perdida”, extraída do livro: “Um ângulo entre montanhas, ano 1985”, quando o poeta retorna para sua terra natal”. Rilvan Batista de Santana.

 

Att.: Os textos abaixo, foram redigidos na primeira pessoa, pois trata-se de uma transcrição de 02 artigos de minha autoria e são curiosidades biográficas. Rilvan Batista de Santana

Sociedade do ódio - R. Santana

 


Sociedade do ódio - R. Santana

 

     Eu fico aqui no meu canto refletindo sobre fatos que marcam o dia a dia da vida contemporânea. Não gosto de saudosismo: “Ah, no meu tempo...”, sou cônscio que a sociedade evolui junto com os costumes, as condutas e a ciência humana e natural. Porém, na minha infância, adolescência e juventude, não havia a sociedade do ódio. Ninguém sabia o que era racismo ou étnico-racial, crime de racismo, injúria racial, assédio sexual, importunação sexual, estupro e homofobia (os homossexuais de todos os gêneros se comportavam discretamente), às vezes, alguém indiscreto dizia: “...fulano é efeminado”, porém, o comentário parava por aí, não se tecia mais comentário ou juízo moral.

     Na infância no São Caetano (ainda moro), naquela época, as matas, as capoeiras e os cacaueiros engoliam o bairro que se iniciava com duas ou três ruas, a população era muito pobre, os negros eram as maiorias, mas, ninguém falava em preconceito, injúria racial ou outra conduta desairosa, todos viviam como irmãos. Lembro-me que entrávamos nos cacauais com gaiolas, alçapões ou bodoques pra caçar ou pegar guriatã, curió, pássaro preto, canário, etc.

     È sabido que a sociedade tem uma dívida histórica com a raça negra, foram 03 séculos de tráfico e escravidão dos negros, em nosso país, depois de várias leis para diminuir a escravidão, somente, em 13 de maio de 1888, a princesa Izabel, primogênita de Dom Pedro II, acabou em definitivo com a escravidão no Brasil com a Lei Áurea. Há um resquício de pessoas de má formação moral que alimentam um preconceito atávico. Faz-se necessário dizer que alguns negros se prevalecem da Lei e usam-na com ardis e extorsões e locupletam-se de dinheiro por indenização moral e incriminam algumas pessoas sem necessidade factível.

     Hoje, o negro tem igualdade de oportunidade em todas as atividades humanas, a educação é democrática para brancos e negros. Existe negro juiz, negro promotor, negro médico, negro ministro do STF, etc. Ninguém é mais escravo, sua liberdade foi conquistada com suor, sangue e sofrimento.

     Por outro lado, é um fato a ascensão social da mulher através da escolaridade e do trabalho. Porém, não obstante a mulher ser capaz de desempenhar a mesma função do homem, seu trabalho é menos valorizado. O feminicídio é outro fator de preocupação social, dia a dia, aumentam as estatísticas de mulheres que morrem pela covardia e brutalidade do homem.

     A mulher, também, é vítima de importunação sexual, assédio e estupro. A importunação sexual é uma ofensa moral grave, enquanto, o assédio sexual ocorre no trabalho, o chefe hierárquico usa de sua posição funcional na empresa ou entidade pública para obter favores sexuais de sua funcionária e o estupro é quando existe o coito, a relação sexual forçada.      Porém, a autoridade policial tem que usar de perspicácia para não ser enganado, algumas mulheres malandras usam desses artifícios para extorquir financeiramente ou incriminar o suposto abusador com objetivos espúrios.

     Foi-se o tempo em que os vizinhos colocavam as cadeiras no passeio para prosear, no tempo em que, a molecada brincava no terreiro de cantiga de roda ou de picula. Não havia maldade, ladrão só de galinha. Hoje, as pessoas de bem ficam em casas gradeadas e os bandidos ficam soltos, matando, roubando, seqüestrando e violentando os lares. Todavia, não existe segurança nem dentro de casa nem fora de casa, todos os cidadãos estão sujeitos ao ódio do malfazejo, ou, ao despreparo dos agentes do estado de uma bala perdida.

     A violência não tem limite, não se mata mais por autodefesa, mas se mata pelo prazer de matar. Fala-se em mais de 53 organizações criminosas no país, afora as milícias, os grupos de extermínio e os esquadrões da morte. O sistema prisional se multiplica, mas insuficiente para demanda. Essas organizações criminosas, a exemplo do PCC, além de matar seus desafetos, lavam dinheiro em empreendimentos de fachada legal, corrompem agentes do estado e financiam políticos.

      As drogas e o tráfico de armas contribuem de maneira decisiva para violência. A polícia captura armas e drogas, mas, é como “enxugar gelo”, os crimes continuam sob os mais complexos disfarces. Apreende-se aqui, os bandidos se dão bem acolá e a roleta do crime não para.

     Portanto, vivemos numa sociedade do ódio, “homo homini lupus est “de Thomas Hobbes, ou seja, “o homem é o lobo do homem”. O inimigo do homem não é um animal irracional, selvagem, troglodita, mas o próprio homem que alimenta a maldade, cada vez mais, distante da religião e distante de Deus.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

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Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

 

 

O escritor e o poeta - R. Santana

 


O escritor e o poeta

R. Santana

 

     Nem sempre quem faz verso é poeta ou quem escreve é escritor. Hoje, com o verso livre, sem sensibilidade, sem rima, sem métrica silábica, qualquer pessoa se predispõe escrever poesia. Nem toda pessoa possui o dom de escrever, principalmente, literatura de ficção. Os que se arriscam, geralmente, são intelectuais frustrados profissionalmente, mas, são estudiosos e amantes das letras que sem nenhum talento literário, sem senso crítico, aventuram-se escrever romance e poesia.

     Drummond, Machado de Assis, José de Alencar, Ernest Heminguay, Mário Quintana, Euclides de Cunha, Jorge Amado, Allan Poe, Máximo Gorki, José Saramago, Fernando Pessoa, Shakespeare, Fiódor Dostoiévski, Ariano Susssuna, dentre outros, eles são poetas e escritores reconhecidos e agraciados pela crítica e por sua gente. Nesses poetas e escritores, o leitor encontra a criatividade, a espontaneidade, a sensibilidade, o talento literário e a universalidade.

     O livro é um produto de consumo, conforme Monteiro Lobato: “O livro é uma mercadoria como outra qualquer; não há diferença entre o livro e um artigo de alimentação. Se o livro não vende é porque ele não presta”. Não adianta se o poeta ou escritor produziu “n” livros, se não vende, não é reconhecido pela crítica ou por sua gente, o destino dele é o lixo histórico ou o lixo eletrônico atual. Não existe escritor ou poeta sem leitor. O poeta e escritor são reconhecidos pelos leitores, se não existe leitor, não existe poeta ou escritor.

     Ultimamente, é comum o escritor “samambaia” que esgotado seu conteúdo, ele “trepa” no escritor e poeta consagrados para tecer comentários, reflexões (às vezes, produzir livros), para chamar a atenção de leitores incautos. Exemplo paralelo, gritante, é o cantor fracassado de música popular que muda para música gospel para manter seu canto e sua fama. O escritor que seus livros não lhe deram “feedback”, produto emperrado, ele irá encontrar respostas em obras literárias que pertencem a outrem.

     Uma obra, poética ou prosa, pra ser bem sucedida, terá que ser suis generis, única, criativa e original. Faz algum tempo, adquiri um romance de um escritor da região do cacau. Não diria que a obra é um plágio, Deus livre-me e guarde, porém, desde os primeiros capítulos, lembrava-me, ipsis litteris, de “Tocaia Grande” de Jorge Amado.

     Em “Tocaia Grande”, a narrativa é o desmatamento, o caxixe, os coronéis, os jagunços, o plantio do cacau, a invasão de terras, os cabarés, a prostituição e a união sexual de parentes consanguíneos. No romance “Tocaia Grande”, quem não se lembra do sanguinário capitão Natário da Fonseca, a cafetina Jacinta Coroca, o negro Castor Abduim e o comerciante Fadul Abdala? Todos que leram esse romance lembram-se, pois, é uma narrativa que prende o leitor do começo ao fim e retrata o início da terra do cacau.

     O conteúdo esgotado é um desastre de venda. O livro “X” que me referi do escritor baiano, não é igual ao livro “Tocaia Grande”, no entanto, ele é parecido. Além do conteúdo esgotado, esse livro é espesso, maçudo e monótono e chato por falta de criatividade, cheguei à leitura final por esforço literário. O livro para ser bom, não tem que ser necessariamente volumoso, quantidade excessiva de páginas, na história da literatura, muito “bestseller” é pequeno, a exemplo de “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, “Discurso do Método” de René Descartes e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, acrescentaria, também, “Apologia de Sócrates” de Platão.

     O objetivo deste texto não é desestimular potenciais escritores e poetas, mas lhes dizer que o “Planeta Letras” é íngrime e difícil de acessá-lo nem todos pretendentes se dão bem, alguns ficam gravitando em sua órbita sem jamais alcançá-lo, muitos egos inflados são desiludidos depois de idade decrépita, por isto, lhes recomendo humildade, autocrítica, originalidade e sempre em busca da perfeição, além da inspiração, a transpiração. No “Planeta Letras” é condição sine qua non, a habilidade, a criatividade e a vocação. Não adianta, sem vocação literária, o erudito e o intelectual insistirem morar no ”Planeta Letras”, pois, nele mora mais as coisas do coração do que da razão.

     Também, não existe espaço nesse planeta para os arrogantes, os vaidosos e aqueles que se vangloriam ter chegado ao topo literário e permanecem no sopé da montanha da mediocridade, alimentando-se de um sonho perdido que não mais volta.

     Porém, os amantes das letras que podem morar nesse planeta é gente de coração puro, gente generosa, gente que ama o próximo, gente ingênua e humana como Cora Coralina que publicou seu primeiro livro depois de 76 anos de idade e ouvido Carlos Drummond de Andrade seu poeta de cabeceira. Os amantes das letras não fazem versos nem escrevem pensando em obra eterna, sim, pelo prazer de escrever e gosto pela prosa e verso.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna

Imagem: Google

 

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