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5.05.2026

O que é preciso para ser realmente rico? - Robert Tamasy

O que é preciso para ser realmente rico?

Por Robert Tamasy

Tempos atrás, minha esposa e eu visitamos um restaurante e depois preenchemos uma pesquisa sobre a nossa experiência ali. Ao responder ao questionário fomos automaticamente inscritos em um concurso que oferecia um prêmio em dinheiro. Para nossa surpresa, fomos notificados de que tínhamos ganhado e, semanas mais tarde, recebemos um cheque pelo correio. Não se tratava de uma grande quantia, mas procuramos fazer bom uso do dinheiro inesperado.

Isso me levou a ficar imaginando o que seria necessário para se sentir verdadeiramente rico. Que tal se você ganhasse um grande prêmio na loteria? Ou então se descobrisse que era herdeiro de um parente rico e que esta pessoa havia deixado para você uma grande herança? Ou ainda alguém aparecesse inesperadamente à sua porta para lhe dizer que você havia ganhado um polpudo bolão? Qualquer uma dessas situações faria de você uma pessoa rica?

Muitas pessoas acreditam que se de alguma forma ganhassem uma enorme quantia de dinheiro se tornariam verdadeiramente ricas e todos os seus problemas se resolveriam de repente. Mas será? Todos nós podemos nos lembrar de relatos noticiosos sobre pessoas famosas extremamente ricas que passaram por grandes dificuldades na vida apesar de sua riqueza. Algumas das nações mais ricas do mundo são assaltadas por grandes problemas sociais, apesar de sua abundância. Parece que afinal o dinheiro não é necessariamente o remédio para todos os males.

Alguém disse que diante da escolha entre ter ou não ter dinheiro, escolheria sem dúvida nenhuma ter dinheiro. Penso que todos nós concordaríamos com isso. Mas será o dinheiro, propriedades ou um portfólio com pesados investimentos a fonte da verdadeira riqueza – ou esta fonte é outra? E como ser bem-sucedidos e adquirir essas riquezas? A Bíblia apresenta algumas observações:

Riqueza material – e a falta dela – pode ser pedra de tropeço. Em termos de dinheiro e bens materiais, podemos debater-nos por não termos o que necessitamos. Porém, ter em demasia também pode criar problemas: “...não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. Se não, tendo demais, eu Te negaria e Te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor?’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus.” (Provérbios 30:8-9).  

Na busca por riquezas palpáveis, nada é o bastante. Há alguma coisa acerca das riquezas que não permite que nos convençamos de que já temos o bastante – mesmo as pessoas mais ricas dirão que sempre “cabe mais um pouquinho”. “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”  (Eclesiastes 5:10). “Duas filhas tem a sanguessuga. ‘Dê! Dê!’ gritam elas...” (Provérbios 30:15).

Conhecer e agir segundo a verdade é o caminho para a verdadeira riqueza. Abraçar a verdade que Deus proporciona nas Escrituras enriquece mais do que qualquer outra coisa que o mundo material possa oferecer. “Regozijo-me em seguir Teus testemunhos como o que se regozija com grandes riquezas.” (Salmos 119:14).

O uso que fazemos dos recursos materiais pode ser um teste.  Talvez nossa atitude em relação às riquezas e como usamos o que possuímos sirva como um forte indicador do nosso caráter, bem como de nossa confiabilidade como administradores daquilo que nos foi confiado.  “Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?” (Lucas 16:11).

Questões Para Reflexão ou Discussão  

Segundo sua perspectiva, o que é preciso para ser verdadeiramente rico?

Quem é a pessoa mais rica que você conhece? Qual sua atitude em relação à sua riqueza? Você acredita que ela proporcionou a essa pessoa felicidade e realização verdadeira? Por quê?

Por que ter muito dinheiro pode ser uma pedra de tropeço e fonte de problemas para alguém?

Que você pensa da ideia de confiar e agir segundo as verdades de Deus como sendo elas a fonte das maiores riquezas?  Explique sua resposta

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 11:28;  13:7;  15:6;  16:8;  Eclesiastes 2:1-11;  12:13-14; Mateus 6:25-34.

REFLEXÃO - Luis Pedro Novaes

 



REFLEXÃO


Às vezes, podemos não saber,
Realmente tudo o que pode acontecer,
Mas, só para esclarecer,
Todos devemos viver.


Pode ser palavras vazias.
Ou cheias de amor,
Podem ser palavras carregadas,
Mais com grande temor.


Saibamos como a vida é,
Como passa rápido demais, não é?
Mas temos que aproveitar,
Pois o sopro que nos levanta,
Pode nos fazer-se deitar!


Uma notícia triste, ou alegre,
De forma caricata, célebre,
Ou com choro e velas,
O coração não releva,
E o corpo sim, se liberta,
Ou cai por terra.


Algumas coisas, precisamos dissipar,
Explodir, estourar,
Ou, em alguns casos,
Resguardar, calar,
Pois a língua, inclusive a nossa,
É pior do que podemos imaginar!


Reflita sobre a realidade,
A morte e a eternidade,
O ganho da perda,
Ou a perda da liberdade.


A vida é para viver
Intensamente, chorosamente,
Milagrosamente, tristemente,
Ou, como é o desejo de todos,
Divertidamente!


Celebre o que for possível,
Comemore o impossível,
Abrace seus entes queridos,
E viva, sempre divertido,
Pois tudo pode mudar,
Inclusive, até o nada,
Pode se transformar...



Autoria:  Luís Pedro Novaes

Foto: Produção

5.04.2026

DECLARAÇÃO DE AMOR A CIDADE DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS Jorge Amado

 

DECLARAÇÃO DE AMOR A CIDADE DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS - Jorge Amado (No centenário da cidade em 1981)

 

Cidade do meu amor, Rainha do Sul, reduto de índios, capitania, porta do cacau aberta ao mundo, porta de entrada ao universo grapiúna, São Jorge dos Ilhéus; pioneira, mãe de cidades, vilas, povoados, eu te saúdo em nome de tuas irmãs mais moças – Itabuna, Itajuípe, Belmonte, Uruçuca, Canavieiras, Ubaitaba, Caravelas, Una, Coaraci – em nome de todo o território e de todo o povo grapiúna, em tua data gloriosa, na festa de teu centenário.

Ditaste a lei e comandaste os homens na saga do cacau – sobre o sangue derramado construíste riqueza e civilização. Venho te ofertar meu amor de toda a vida, desde que cheguei infante à fímbria de teu mar, às praias do Pontal, vindo das terras ricas de Itabuna, das roças recém-plantadas, de Ferradas onde fui parido. Me acalentaste em teu seio pujante, de tua seiva me alimentei de destemor, de malícia e graça, de paixão pela aventura. Me ensinaste o acontecimento e a poesia, me deste a medida da vida e da morte, me deste a chave da adivinha, a que abre as portas da realidade e da magia.

Me fizeste homem e escritor, te devo a decisão, o conhecimento e o ofício, para que um dia eu viesse te reescrever, povoar tuas ruas, e arauto de tua grandeza, levasse teu nome ao longínquo e ao recôndito, aos confins.

Neste teu dia de proclamação e reconhecimento, quero saudar a todos e a cada um; saudar os coronéis, os que aceitaram o desafio e assumiram a luta, vararam a selva, derrubaram a mata virgem e plantaram as roças: coronel Manuel Misael da Silva Tavares, começou tropeiro tangendo burros, terminou rei do cacau; coronel Pedro Catalão, parecia um europeu de tão civilizado; coronel Basílio de Oliveira e Sinhô Badaró, os invencíveis guerreiros; coronel Antônio Pessoa e sua intendência; coronel Ramiro Ildefonso de Araújo Castro em seu palacete; coronel José Ninck, negro e destemido; coronel João Amado de Faria, meu pai; o coronel Aguiar com quem ele conversava em frente à nossa casa é o pai de Adonias Filho; saudar Brasilino José dos Santos, meu compadre Brás, a cara marcada da bexiga, o riso aberto no rosto de caboclo; ele traçou os caminhos, violou a floresta, plantou os alicerces de Pirangi, fundador da cidade.

Saudar os principais responsáveis por tua grandeza: os alugados e os jagunços, vindos do sertão e de Sergipe, os que adubaram a terra com seu sangue generosos e a prepararam para o plantio e a colheita do cacau; saudar os que lutaram pelo progresso, por teu novo porto substituindo a pequena enseada de perigos e naufrágios – teu porto por onde saem para os quatro cantos do mundo as amêndoas do cacau, tua cor, teu sabor e teu perfume. Saudar João Mangabeira, recém formado bacharel em Direito, menino de dezenove anos, desembarcando em Ilhéus para aprender e ensinar – plantou a cultura em meio aos cacauais.

Quero rever as meninas em flor, as namoradas na janela e no portão, quero reencontrar as raparigas dos cabarés e dos castelos, românticas e puras; quero jogar dados no bar do cais com os ingleses da Estrada de Ferro, brindar por teu futuro – com eles aprendemos o valor e o gosto da bebida; quero sentar novamente ao lado dos jogadores de pôquer, num quarto do Hotel Coelho, dos profissionais vindos para o novo eldorado ganhar o dinheiro fácil dos coronéis do cacau com a trinca Itabuna e um renque de blefes – meu tio Álvaro Amado, coronel do cacau, exibia o jogo, recolhia as fichas, sorria modesto: “mal sei distinguir o valor das cartas”.

Quero ouvir a voz erudita de João Evangelista de Oliveira, discutindo gramática e romances franceses; ler o artigo castiço de Nelson Schaun; a página exemplar de mestre Epaminondas Berbert de Castro; o verso de Fernando Caldas; escutar o riso de Helvécio Marques – eles empunharam a cultura como uma arma, tão importante quanto o rifle e o clavinote. Quero andar outra vez no Ford-de-bigodes de Demostinho, varar a estrada de lama e buracos para penetrar nas festas de Itabuna, namorar em Água Branca e em Banco da Vitória – Demosthenes Berbert de Castro, o patriota por excelência, o herói da construção do porto, o infatigável cidadão.

Quero abraçar Raymundo Sá Barretto, a imbatível lealdade a serviço de tua tradição e de teu progresso, quero perambular vagabundo pelas ruas, com o poeta Sosígenes Costa, vindo dos mares de Belmonte para ser teu predileto, aquele que te engrandeceu e nos deu o dom maior da poesia eterna. Quero ir buscar Otávio Moura na redação do jornal para partirmos ao encontro das mulheres mais famosas nos becos mais esconsos. Quero assistir o navio sueco vencer a barra estreita e ameaçadora e ancorar na manhã de minha infância, trazendo o sonho das virgens, a sedução da falsa loira de Estocolmo.

Quero brindar em tua honra com os ficcionistas grapiúnas, os que narram tuas histórias e inventam tua humanidade, conservam viva tua memória: Adonias Filho, James Amado, Jorge Medauar, Hélio Pólvora, Sônia Coutinho, Emo Duarte, Elvira Foepel, Cyro de Mattos, Marcos Santarita, Clodomir Xavier de Oliveira, meus irmãos de ofício e de labuta. Quero te saudar com os poemas mais belos de Telmo Padilha e Florisvaldo Mattos.

Quero improvisar uma canção, pronunciar um discurso, conceber um verso que seja igual à aurora, tenha a beleza única das roças de cacau, dos frutos sazonados, para dizer de tua face múltipla, rural e marítima, bravia e terna, de tua altivez atlântica, de tua graça cativante, de tua juventude centenária, de tua grandeza, cidade ilustre e fundamental, chão de valentes.

Sou teu filho, cresci em tuas ruas, contigo aprendi a liberdade e o futuro, a luta contra a opressão e a miséria, contigo aprendi o amor – minha cidade de Ilhéus, minha pátria bem-amada!

Obs: Em 1981 é o centenário da cidade, pois em 1881 Ilhéus foi elevada de vila à cidade.


Fonte: Grupo de WhatsApp da ALITA

Autoria: Jorge Amado

Foto: Google

5.03.2026

Curiosidade de Ronaldinho Gaúcho

 Ronaldinho Gaúcho (Memórias)

Um famoso ex-craque voltou para sua velha escolinha procurando memórias, mas encontrou o zelador que o ajudou quando criança trabalhando doente e esquecido... o que ele fez depois deixou todo mundo sem palavras

Quando Ronaldinho Gaúcho decidiu visitar a antiga escolinha onde começou a jogar futebol no bairro Restinga, em Porto Alegre, esperava encontrar memórias da infância, da época em que corria descalço pelos campos de terra lapidada. O que ele não esperava era reencontrar Dom Anísio, o zelador que acreditou nele muito antes do mundo ouvir falar do mágico.

A descoberta deixou Ronaldinho em choque. Enquanto muitas pessoas famosas talvez lhe tivessem dado um abraço e continuado o seu dia, a reação de Ronaldinho desencadeou uma série de eventos que mudariam para sempre a vida de Dom Anísio, de Dona Marta, sua esposa, e também da própria comunidade onde tudo começou.

Era uma tarde dourada de outono quando Ronaldinho Gaúcho, agora com 44 anos e um mundo de histórias às costas, estacionou seu SUV preto em frente à escola municipal Bento Gonçalves, no coração da Restinga, Porto Alegre. O motor desligou, mas dentro do peito o coração batia forte, quase como nas finais mais tensas que já havia disputado.

Antes de abrir a porta, ele ficou ali quieto, olhando para o prédio simples. As paredes pintadas de azul claro estavam mais vivas do que eu lembrava, mas as paredes, riscadas com desenhos e frases, ainda guardavam a alma daquele lugar. Era como se o tempo lá tivesse aprendido a andar mais devagar.

- Tens a certeza que queres fazer isto? — perguntou o amigo que dirigia, mexendo o retrovisor com nervosismo.

Ronaldinho arrumou o boné, escondendo parte do rosto que todo brasileiro conhecia de cor, e respondeu apenas com um sorriso tranquilo:

— Às vezes, é preciso voltar às raízes para lembrar quem é.

Abriu a porta e pisou firme no chão de calçada. Seus passos, embora mais pesados do que na juventude, ainda carregavam uma leveza única, essa mesma leveza que parecia desafiar a gravidade nas quadras do mundo inteiro.

O pátio da escola estava cheio de vozes infantis, gargalhadas soltas, uma bola de futebol rolando de pé. Ronaldinho olhou para a quadra e, por um segundo, viu-se descalço, correndo com os dentes à vista e a alma livre.

Passou quase despercebido entre os meninos e meninas, que não sabiam que o homem de boné escondia um dos maiores nomes da história do futebol. Isso arrancou um sorriso sincero. Ali, entre aquelas crianças, ele era apenas mais um filho da Restinga.

Continuou em direção ao campo de futebol, com o coração apertado a cada passo. Murais coloridos adornavam os corredores, retratando momentos de glória dos alunos, frases de humor e, em um dos cantos, uma pintura antiga e já descolorida. Era ele mesmo com a camisa da seleção, um sorriso enorme, levantando uma taça imaginária. Mas não foi a pintura que o deixou imóvel.

Na margem do campo, abaixado, varrendo com esforço as bancadas de madeira gasta, estava um senhor de roupão cinzento e olhos cansados: Anísio. O tempo tinha encurvado seus ombros, amava o cabelo, mas seu jeito de ser, esse jeito de quem carrega o mundo nas costas sem perder a ternura, era inconfundível.

Ronaldinho engoliu saliva. Lá estava o homem que, anos atrás, abria o portão da escolinha antes mesmo do sol nascer para que ele, o pequeno Ronaldo de sorriso maroto, pudesse treinar. O mesmo que costurava bolas partidas, remendava botas velhas e dava conselhos que iam muito além do futebol. Respirou fundo e aproximou-se.

- licença, tio - disse com a voz quebrada pela memória.

Dom Anísio levantou o rosto, limpando o suor com o antebraço cheio de pó.

- Vens para a escolinha? Está procurando lugar para seu menino? — perguntou sem reconhecer, mas com essa gentileza que nunca lhe faltava.

Ronaldinho sorriu mal.

— Já faz um bom tempo que não estudo aqui.

Dom Anísio franziu a sobrancelha, olhando para aquele rosto meio escondido pelo boné.


Fonte: Facbook

Foto: Produção

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O fim do mundo - Cecília Meireles

O fim do mundo - Cecília Meireles

A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...

***

A crônica Fim do mundo, de Cecília Meireles pode ser lida em Quatro Vozes, obra publicada em 1998. Aqui a autora descreve um acontecimento de sua infância, em que a passagem de um cometa deixou as mulheres de sua família apavoradas.

Cecília, criança, ao testemunhar a passagem do cometa não se assustou, pelo contrário, ela ficou maravilhada. Assim, esse episódio marcou a vida da escritora, que expõe de maneira clara e precisa suas considerações acerca da vida, do tempo e da finitude, fazendo um paralelo com os mistérios do universo.


Fonte: Cultura Genial

Cecília Meireles

Hilda Hilst (1930 - 2004)

Hilda Hilst (1930 - 2004) 

A paulistana Hilda Hilst é considerada uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX, tendo produzido textos por mais de cinquenta anos. Hilda dizia que o seu trabalho buscava representar a difícil relação entre Deus e o homem. 

Mais de vinte livros de poesia de Hilda foram publicados. A autora também recebeu os principais prêmios nacionais de literatura como o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1977) e o Prêmio Jabuti (1984)

O seu livro de poesias "Cantares de perda e predileção" (1983) é indispensável para quem gosta de produções poéticas. 

Conheça um pouco do trabalho da escritora através do poema Árias pequenas. Para bandolim:

Antes que o mundo acabe, Túlio,

Deita-te e prova

Esse milagre do gosto

Que se fez na minha boca

Enquanto o mundo grita

Belicoso. E ao meu lado

Te fazes árabe, me faço israelita

E nos cobrimos de beijos

E de flores

Antes que o mundo se acabe

Antes que acabe em nós

Nosso desejo.

Conheça a biografia de Hilda Hilst.

 

A Sabedoria da Linha de Frente - Rick Boxx

 

A Sabedoria da Linha de Frente

Por Rick Boxx

 

Paul, um amigo meu, e alguns investidores lançaram um novo negócio com base em um promissor novo produto médico. O conceito do produto era excelente, mas quando a comunidade médica o colocou em uso, ele não foi eficiente devido a falhas importantes no design.

 

Quando Paul comunicou a seus investidores que o produto necessitava ser revisado, estes não aceitaram o que o seu pessoal de vendas estava dizendo acerca dos problemas de design. Os investidores acreditavam que o produto não necessitava de mudanças e que seus representantes de vendas simplesmente deviam intensificar seu trabalho de marketing. 

 

Por fim, com o negócio rapidamente beirando o fracasso, Paul fez um último esforço para convencer o  grupo investidor a deixá-lo alterar o design. Com grande relutância, os investidores finalmente concordaram e as mudanças foram implementadas. Para surpresa dos investidores – mas não de Paul – dentro de três meses as vendas dispararam, as perdas foram revertidas e a comunidade médica tinha um produto cujo uso a empolgava. 

 

Esse cenário ilustra um problema bastante comum no meio empresarial e profissional. Indivíduos que ocupam os níveis mais altos na liderança e administração tomam decisões vitais sem consultar os trabalhadores da linha de frente, sejam eles os que estão envolvidos na manufatura dos produtos ou aqueles que fornecem serviços, além da equipe responsável pelas vendas e marketing.  Quando os resultados não são os esperados, os líderes se debatem para entender o que deu errado. 

 

Décadas atrás, foram introduzidas mudanças significativas para abordar esse problema tão comum. Tudo começou no Japão, onde os trabalhadores eram regularmente consultados antes que mudanças que afetassem diretamente suas áreas de trabalho fossem implementadas. É interessante observar que um catalisador dessa mudança foi W. Edwards Deming, engenheiro e consultor de gerenciamento americano. Entre suas muitas contribuições destacam-se a ênfase na melhoria dos serviços e um nível mais elevado na qualidade dos produtos. Um de seus “14 Pontos Para a Gestão” era: “Coloque todos na companhia para trabalhar a fim de realizar a transformação. A transformação é tarefa de todos.” Isso levou ao desenvolvimento de círculos de qualidade e ao gerenciamento participativo, dando a todos a oportunidade de oferecer material para os sistemas e processos. 

 

A abordagem de Deming foi revolucionária para o mundo dos negócios da época, mas suas ideias não eram novas. A Bíblia fala bastante a respeito do valor de obter-se o conselho e a perspectiva de pessoas com conhecimento direto da questão. Por exemplo, Provérbios 12:15 ensina: “O tolo pensa que sempre está certo, mas os sábios aceitam conselhos.”

 

No ambiente de trabalho, todos os dias enfrentamos uma batalha de duas frentes: a batalha contra a concorrência e a batalha para obter o favor dos clientes. Provérbios 11:14 instrui: “O país que não tem um bom governo cairá; com muitos conselhos há segurança.” Outro versículo igualmente observa: “Ser sábio é melhor do que ser forte;  o conhecimento é mais importante do que a força. Afinal, antes de entrar numa batalha, é preciso planejar bem, e, quando há muitos conselheiros, é mais fácil vencer.”  (Provérbios 24:5-6). 

 

Devemos ser sábios para jamais desprezarmos a sabedoria de outras pessoas no ambiente de trabalho, especialmente daquelas que estão mais próximas dos clientes, bem como dos processos produtivos.  Elas podem ver – da linha de frente – coisas que nós não podemos enxergar da “torre de marfim”. 

 

Perguntas para Reflexão ou Discussão  

 

1.Você já esteve na situação de ter problemas com o design ou serviço de um produto, mas os líderes corporativos não estavam dispostos a fazer as mudanças necessárias? Qual a causa de sua relutância quando as falhas eram evidentes?

 

2.Qual o melhor modo de vencer essa relutância?

 

3.Gerenciamento participativo e círculos de qualidade hoje são conceitos em uso já há vários anos. Qual sua experiência com eles?

 

4.As passagens bíblicas citadas falam da importância de buscar conselho de pessoas com conhecimento e perspectivas diretos de processos vitais. Como determinamos quem devem ser esses conselheiros? 

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 12:15;  15:22; 19:20,27;  20:18;  27:17;  Eclesiastes 4:9-12. 

 

5.02.2026

PENSAMENTO E/OU A FALTA DELE - Agilson Cerqueira


PENSAMENTO E/OU A FALTA DELE

               Agilson Cerqueira

O romantismo não resiste ao uso. 
Ele falha cedo, embora a correção venha tarde demais para servir de algo além de desgaste. 
A decepção não ensina — apenas retira o excesso, como quem lixa uma superfície até restar o opaco. 
O tempo, que costumávamos chamar de medida, revela-se consumo: não passa, corrói. 
E nesse desgaste contínuo, as pessoas atravessam sem fixar nada,
E não há diferença.
A ideia de significado persiste como um espasmo — breve, involuntário, quase patológico. 
Buscamos respostas não por convicção, mas por incapacidade de sustentar o vazio. Responder é uma forma de não cair.
Por isso a embriaguez de si mesmo se repete: não como prazer, mas como tentativa de dissolução do que insiste em permanecer. Ser alguém exige uma consistência frágil; então se insiste no apagamento, na diluição do nome até que reste apenas um hábito.
Pensar, exige solidão. 
Mas não há pausa. 
O mundo se organiza contra o intervalo, contra qualquer suspensão que permita o pensamento emergir. 
E assim, não pensamos — reagimos. Produzimos ruído, não ideia. 
E ainda assim nos colocam diante de escolhas inúteis: ignorar ou enxergar. 
Ambas conduzem ao mesmo ponto, apenas por caminhos distintos de desgaste.
Quando o eu se volta sobre si, não encontra profundidade, mas falha. 
Não há núcleo, não há centro — apenas uma repetição mal organizada que insiste em se reconhecer. 
O eu não se sustenta como unidade; ele racha, ecoa, retorna como fragmento. 
Você não é inteiro: é resto. E o que chamamos de “nós” não corrige isso, apenas disfarça. 
Há uma soma instável de solidões que se alinham por conveniência, não por convergência,
E nesse alinhamento, o pensar, quando acontece, não constrói — expõe. E o que expõe é insuficiente. 
Pensar incomoda porque rompe a superfície; e romper implica isolamento.
Por isso o pensamento cessa — ou tenta cessar. 
Mas falha também nisso. 
Retorna. 
Sempre contra.
Há uma aflição sem objeto, uma ansiedade sem causa clara, como se a própria consciência fosse um excedente mal encaixado na estrutura. 
O cérebro permanece, intacto enquanto matéria, mas o pensamento parece desalojado — como se nunca tivesse pertencido ali. 
Entre os extremos, escolhemos a simulação:
O absurdo não se apresenta como ruptura, mas como base. Não é algo a ser alcançado ou evitado — é o que sustenta, silenciosamente, tudo o que ainda tenta se justificar. 
A lógica entra tarde. Não salva, não resolve, não redime. 
Apenas organiza a queda, distribui melhor o impacto, reduz o erro sem alterar o destino.
No fim, o que resta não é conclusão, mas diminuição. 
Menos centro, menos eixo, menos linguagem capaz de sustentar qualquer afirmação. 
O pensamento se reduz a ruído, depois a eco, depois a quase nada. 
O eu se torna interrogação, o nós se dissolve antes de se formar. 
E o silêncio, que antes parecia ausência, começa a se impor como limite — não pleno, não definitivo, mas suficiente para interromper o excesso.
Quase.


Autoria: Agilson Cerqueira
Foto: Produção
Engenheiro, Matemático, Professor, Prosador e Artista Plástico. 
Licença: Creative Commons

5.01.2026

Fernando Sabino – Por Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

 

Fernando Sabino – Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

Biografia de Fernando Sabino

Fernando Sabino (1923-2004) foi um escritor, jornalista e editor brasileiro. Recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Jabuti pelo livro "O Grande Mentecapto" e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Foi condecorado com a Ordem do Rio Branco, no grau de Grã-Cruz, pelo governo brasileiro.

Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 12 de outubro de 1923. Em 1930, após aprender a ler com a mãe, ingressou no Grupo Escolar Afonso Pena. Fez o curso secundário no Ginásio Mineiro. Ao final do curso conquistou a medalha de ouro como o primeiro aluno da turma.

Jornalista e contista

Em 1936, Fernando Sabino teve seu primeiro conto policial publicado na revista "Argus", da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Em 1938, ajudou a fundar um jornal "A Inúbia", no Ginásio Mineiro.

Fernando Sabino começou a colaborar regularmente com artigos, crônicas e contos nas revistas "Alterosas" e "Belo Horizonte". Em 1941 iniciou o curso superior na Faculdade de Direito de Minas Gerais.

Nesse mesmo ano reuniu seus primeiros contos no livro Os Grilos não Cantam Mais. Colaborou com o jornal literário do Rio, "Dom Casmurro", com a revista "Vamos Ler" e com o "Anuário Brasileiro de Literatura".

Fernando Sabino formou um grupo inseparável com os também escritores mineiros, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Rezende.

Funcionário público e professor

Em 1942, Fernando Sabino foi admitido como funcionário da Secretaria de Finanças de Minas Gerais. Lecionou Português no Instituto Padre Machado. e foi nomeado oficial de gabinete do secretário de agricultura.

Fernando Sabino fez estágio de três meses como aspirante no Quartel de Cavalaria de Juiz de Fora, período que serviria de inspiração para hilariantes episódios do livro O Grande Mentecapto.

Em 1944 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se firmou como colaborador de diversos jornais. Em 1946 formou-se em Direito e embarcou com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos.

 

Instalado em Nova York, trabalhou no Escritório Comercial do Brasil e depois no Consulado Brasileiro. Em 1947 enviou, de Nova York, crônicas para os jornais "Diário Carioca" e "O Jornal" do Rio, que foram transcritas por diversos jornais do resto do país. Realizou uma série de entrevistas com Salvador Dali e faz reportagem sobre Lasar Segall.

Em 1948, Fernando Sabino voltou ao Brasil e assumiu o cargo de escrivão da Vara de Órfãos e Sucessões. Em 1949 colaborou com diversos jornais e com a revista "Manchete".

Encontro Marcado

Em 1956, Fernando Sabino publicou o romance O Encontro Marcado, um grande sucesso de crítica e de público, além de ter feito adaptações teatrais no Rio e em São Paulo. Em 1959 compareceu ao lançamento do livro em Lisboa. Em 1962 o livro foi publicado na Alemanha.

Encontro Marcado é uma narrativa longa que conta a história de um jovem em desesperada procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. A obra leva o leitor a passear pelas ruas de Belo Horizonte conhecendo um pouco das gerações que por elas passaram e marcaram a cidade.

É uma história da adolescência e juventude, dos prazeres fugidos, desespero, cinismo, desencanto, melancolia e tédio que se acumulam no espírito do jovem escritor Eduardo Marciano, um homem que amadurece em um mundo, desorientado.

O jovem caminha pela procura incessante da felicidade e pelo desejo profundo de encontrar respostas para a grande pergunta sobre a existência de Deus.

Editor, roteirista e Adido Cultural

Em 1960, Fernando Sabino foi para Cuba como correspondente do Jornal do Brasil. Nessa época, fez reportagem sobre a revolução cubana.

Com o livro A Revolução dos Jovens Iluminados, inaugurou a "Editora do Autor", fundada em sociedade com Rubem Braga e Walter Acosta.

Em 1964, durante o governo João Goulart, foi contratado para exercer as funções de Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres. Em 1965 se desligou da Editora do Autor e fundou a "Editora Sabiá".

Nesse período, escreveu o argumento, roteiro e diálogos do filme de sua obra, O Homem Nu (1966), dirigido por Roberto Santos

Fernando Sabino foi efetivado no cargo de redator do Serviço Público da Biblioteca Nacional, e mais tarde da Agência Nacional, cabendo-lhe a elaboração de textos para filmes de curta metragem. Em 1972 fundou a Bem-Te-Vi Filmes.

Em 1975, Fernando Sabino deixou o Jornal do Brasil, no qual permaneceu por 15 anos. Em 1977 iniciou a publicação de crônica semanal sob o título de "Dito e Feito" no jornal "O Globo". Sua colaboração se prolongou por 12 anos, sendo reproduzida no "Diário de Lisboa" e em oitenta jornais no Brasil.

Fernando Sabino faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 2004.

Prêmios

Em 1979, concluiu o romance O Grande Mentecapto, que havia iniciado há 33 anos. Recebeu o Prêmio Jabuti pela obra.

Recebeu o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria de Literatura, concedido pelos Conselhos Estaduais de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.

Em 1985 foi condecorado com a Ordem do Rio Branco no grau de Grã-Cruz pelo governo brasileiro.

Em 1989 o filme O Grande Mentecapto foi premiado no Festival Internacional de Gramado.

Outras Obras de Fernando Sabino

O Menino no Espelho (1982, adotado em várias escolas do país)

A Faca de Dois Gumes (1985)

A Mulher do Vizinho (1988)

O Bom Ladrão (1991)

Zélia uma Paixão (1991)

A Nudez da Verdade (1994)

Com a Graça de Deus (1994)

Frases de Fernando Sabino

"O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação".

"No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim".

"Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um".

"Não posso responsabilizar ninguém pelo destino que me dei. Como único responsável só eu posso modifica-lo. E vou modificar".

"Façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro!"

 

Fonte: e-Biografia

Organizadora: Dilva Frazão (Biblioteconomista e professora)

Foto: Google

Como nossos pais - Belchior

 

Autoria: Antônio Carlos Belchior

Foto: Google

Vídeo: YouTube (Lyrics Letras)

Dois e dois: quatro - Ferreira Gullar (1930-2016)

Ferreira Gullar (1930-2016)

Fundador do neoconcretismo brasileiro, Ferreira Gullar foi um poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro, nascido em São Luís, Maranhão. É conhecido, além de suas obras, por ter forte participação sociopolítica e militante, que acarretou em sua prisão e exílio durante a época da ditadura militar.

Sua poesia é marcada por seu compromisso com questões sociais e políticas. Poema Sujo (1976), sua principal e mais renomada obra, foi escrita durante seu exílio político na Argentina. Além de sua poesia social, aborda temas da memória e da identidade, principalmente em sua produção inicial.

Tem como característica a experimentação com a forma em alguns de seus poemas, explorando o espaço da página com seus versos, traço do concretismo. Se utiliza de uma linguagem direta e simples, carregando um ar de denúncia em sua obra.


Dois e dois: quatro

 

Como dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

embora o pão seja caro

e a liberdade pequena

 

Como teus olhos são claros

e a tua pele, morena

como é azul o oceano

e a lagoa, serena

 

como um tempo de alegria

por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia

no seu colo de açucena

 

— sei que dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro

e a liberdade, pequena


Autoria: Ferreira Gullar

Foto: Google

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