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10.31.2025

Corretor ortográfico - R. Santana

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Corretor ortográfico

R. Santana

 

     Faz algum tempo que entusiasmado com a impressão e edição do meu primeiro livro, procurei um amigo professor de literatura para que fizesse uma avaliação do livro, ou seja, avaliasse a trama boa ou ruim, a coerência, os personagens secundários, os protagonistas e a sequência de início, meio e fim, e, a apresentação e a conclusão. Não sei se ele leu o livro ou fez uma leitura rápida, eu sei que me devolveu o livro com observações de gramática, feitas a lápis com letras miúdas nas barras laterais ou no rodapé, isto é, solicitei do professor a interpretação do texto, o mal educado professor de literatura, desprovido de sensibilidade, devolveu-me filigranas de gramática.

     Por isso, é importante o trabalho do corretor ou revisor de texto na produção dum livro. Porém, o corretor deve-se limitar às correções de erros digitais, ortográficos, erros de concordância, etc. Porém, jamais substituir palavras, frases ou pontuação. A substituição de uma palavra por outra ou substituir uma frase por outra, essa correção mexe no estilo do autor e no enredo.

     Alguns escritores famosos que foram desleixados com a gramática: Lima Barreto, Guimarães Rosa, Cora Coralina e Carolina Maria de Jesus, etc. No entanto, outros escritores tinham a gramática embaixo do braço a exemplo de Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Rui Barbosa. Eu concordo com alguém que escreveu: “Mas o que você quer ser”, eu pergunto, “um escritor ou um gramático?”. Um escritor não precisa conhecer a definição de verbo defectivo — mas precisa ao menos intuir, graças a seu convívio diário com a língua”.         Para ser escritor é necessário criatividade, imaginação, memória factual, inspiração, inovação e a capacidade de urdir todos os elementos de uma história. Por isto, para ser escritor. não é condição sine qua non ser um gramático.

     Do outro lado, existem dois tipos de leitor: o leitor concentrado, silencioso e facilidade de interpretação e, o leitor que fragmenta o texto numa leitura superficial. Esse leitor está adaptado às notícias digitais, rápidas e exíguo tempo.

     Todavia, a profissão de revisor de texto, em breve se extinguirá por falta de demanda do mercado, com a chegada de novos recursos técnicos como o Corretor Ortográfico Automático e a Inteligência Artificial (IA). Outra tendência que se impõe no mercado editorial e nos meios de comunicação, é que os textos são curtos, hoje, valoriza-se mais a imagem que a escrita. As mensagens longas (cartas, memorandos, ofícios, etc.), e os livros espessos são coisas do passado. As comunicações atuais são feitas em textos diminutos com voz e imagem em tempo real.

     Se as teorias de Marshall MacLuhan tivessem sido implantadas no total, o livro e o revisor profissional eram fatos históricos. Porém, faz-se necessário esclarecer que, com toda evolução dos meios de comunicação, o livro não perdeu seu protagonismo, além do livro físico, existem os livros digitais que são acessíveis através da Internet.

     Os meios de comunicação, a exemplo das mídias tradicionais (televisão, cinema e rádio) e as mídias digitais (YouTube e plataformas multimídias), esses meios de comunicação não foram suficientes para extinguir o livro, haja vista, as feiras literárias de livros que se espalham por todo o país. Ariano Suassuna tinha uma explicação humorada: “... Eu gosto de ler livro, às vezes, leio na cama. Como irei me embolar na cama com computador?”

     O revisor de texto não é o autor, o revisor é imprescindível no processo editorial, ele corrige os lapsos digitais do escritor, porém, é o escritor que teve o feeling, a inspiração da história. O escritor que possui todos os direitos autorais de sua obra, mais ninguém, ele que se expõe ao fracasso ou sucesso.

     O trabalho do escritor é estafante, solitário, além da criatividade, disciplina, ele passa dias ou meses produzindo uma história até ficar pronta e mandar para editora, depois, lançar no mercado para retorno comercial, isto é, se houver retorno., quantos casos já ocorreram que o reconhecimento vem depois da morte do autor.

     Enfim, o revisor, apenas, é uma peça no custo de uma obra literária. O mal maior é que o brasileiro não gosta de ler, os índices de leitores e de livros lidos por ano, são baixos, diria baixíssimos. O escritor ou poeta brasileiro produz por amor à arte, não por remuneração de sua arte.

 

 

 

 

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google para qualquer audiência.

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