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10.31.2025

Cidade menina (II) - R. Santana

 


Cidade menina (II)

R. Santana

 

     O Rio Cachoeira atravessa a cidade de Itabuna, é o símbolo da cidade. O Rio Cachoeira é uma fonte  de inspiração para poetas e escritores. Não existe na cidade itabunense um poeta que não o tenha cantado em seus versos ou escritor que não o tenha relatado em sua prosa. Porém, sua beleza natural é empanada quando chove demais em suas cabeceiras e provoca enchentes e transtornos indescritíveis e prejuízos materiais e econômicos incalculáveis. O rio poético, cantado em verso e prosa, assume o seu lado natural agressivo e esmaga o homem.

     Itabuna, também, desfruta no seu entorno de todo bioma da Mata Atlântica. Sua economia está embasada no cacau, no comércio pujante, na pálida indústria, na incipiente pecuária e na agricultura familiar. Não é uma cidade turística, mas, é ponto de apoio para sua coirmã litorânea Ilhéus.

     Itabuna é uma cidade jovem, uma cidade menina de 115 anos... O quê significa um século para uma cidade? Nadica de nada. Quantas cidades milenares têm o mundo? Centenas! O itabunense é acolhedor, é solidário, é simpático e alegre, sempre se coloca no lugar do outro nas adversidades, porém, não poderia ser diferente, pois, Itabuna é o resultado da miscigenação do sergipano, do alagoano, do negro, do índio, do árabe e do português. Existe uma rivalidade folclórica que Itabuna é papa-jaca e Ilhéus é papa-caranguejo, contudo, não passa de folclore, são cidades coirmãs, uma é a extensão da outra.

     É maldade alguém dizer que Itabuna não tem “identidade cultural”, não tem “história cultural”, não tem “memória”, é negar Jorge Amado, Hélio Pólvora, Valdelice Pinheiro, Plínio de Almeida, Firmino Rocha, José Bastos, Zélia Lessa, Walter Moreira, Marcionílio, Kléber Torres, Ruy Póvoas, Luiz Caldas, Kokó, etc. Mais atual: Aldo Bastos, Jackson Costa, Wilson Caitano, Daniela Galdino, Iana Carolina, Lourival Pereira Júnior (Piligra), Lorenza Mucida, Emadilson Jesus Santos, Otoniel Neves e Rafael Gama, dentre outros poetas e escritores.

     Dizer que Itabuna não tem “identidade cultural” é negar a FICC, o Teatro Municipal Candinha Dórea, a “Litterarum”, a TV Santa Cruz (Globo), TV Cabrália (Record), a TVI, o Clube dos Poetas, as escolas de capoeira, o Centro Cultural Adonias Filho, onde se desenvolve dança de salão, ballet, jazz, fotografia, etc. Ela é coroada com as academias de letras ALITA e AGRAL.

     É verdade que Itabuna tem políticos honestos, desonestos e egoístas, que é comum em toda sociedade. Porém, Itabuna já teve políticos que além de honestos, foram emblemáticos e grandes executivos, como Ubaldo Dantas, Alcântara, Félix Mendonça e José Oduque e Fernando Gomes.

     É verdade que homens desonestos, criminosos, corruptos, malfazejos têm em todas as sociedades, desde que gente se entende por gente, porém, as sociedades abrigam, também, homens trabalhadores, corretos, de idoneidade ilibada, que graças ao Senhor é maioria, senão, estaríamos perdidos e Itabuna não é exceção nesse contexto.

     Não se pode negar o valor dos bens intelectuais, espirituais e morais na formação de um povo e quão são necessários na definição do comportamento e no caráter do homem, porém, o homem é corpo e alma, se alimenta de poesia, de fotografia, de prosa, de pintura, de dança, de filosofia de religião e doutras expressões culturais, mas se alimenta, também, de pão, de leite, de café, de feijão, de arroz, de carne, de galinha, de peixe, portanto, o homem é um ser interativo. O escritor por exemplo, é tão necessário quanto o padeiro, o açougueiro, o pedreiro, o pintor, o mecânico... todos têm sua importância comunitária.

     Enfim, Itabuna é uma cidade média que exige políticas públicas voltadas para educação, transporte, segurança e políticas sociais que atendam os vexames da população sofrida. É uma cidade como outra cidade do interior ou da capital, tem gente boa, tem gente má, mas é uma querida cidade, é a “Princesinha do Sul da Bahia” e sempre será.

 

Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons

Membro fundador da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

Imagem: Google

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